<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926</id><updated>2012-02-16T03:57:08.837-08:00</updated><category term='José de Alencar'/><category term='poesia'/><category term='extraterritorial'/><category term='Preta Gil'/><category term='CQC'/><category term='literatura'/><category term='céu'/><category term='Bolsonaro'/><category term='Cinema em casa'/><category term='Borges'/><category term='filmes'/><category term='Leis'/><category term='Teofobia'/><category term='morte'/><title type='text'>Fé Cega</title><subtitle type='html'>"Não procura nos meus lábios tua boca,/não diante da porta o forasteiro,/não no olho a lágrima./Sete noites acima caminha o vermelho ao vermelho,/sete corações abaixo bate a mão à porta,/sete rosas mais tarde rumoreja a fonte./Paul Celan</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>109</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-2706412920253238468</id><published>2011-06-27T06:50:00.000-07:00</published><updated>2011-06-27T06:55:13.807-07:00</updated><title type='text'>Alienados musicais</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-27Dd2IeFKPU/TgiKfoY6tUI/AAAAAAAAAvk/CoLpLlaYipM/s1600/zipbuds09.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="202px" i$="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-27Dd2IeFKPU/TgiKfoY6tUI/AAAAAAAAAvk/CoLpLlaYipM/s320/zipbuds09.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Percorro páginas e mais páginas atrás da melodia perfeita. Entro em uma, vejo as bandas, vou pra outra, sigo links e mais links. Descubro que existem bandas de rock no Ubesquistão. Percebo que a música faz parte de todo o mundo. Mas vou entendendo que esse universo é bem promíscuo e a música pop presta-se ao serviço mais boçal, o de alienar o ser humano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas atacam em todas as frentes. Nada escapa ao organizado ataque das pop songs. Rebeldia? Trash metal. Revolta? Punk. Melancolia? Gothic. Alegria? Pop songs ensolaradas. Nerd? Power-pop. Elitizado? Música clássica. E por aí segue. Músicas para todos os gostos. Vocais adocicados. Vocais guturais. Vocais femininos. Vocais horrendos. Vocais gritalhados. Ninguém pode ficar de fora, todos tem que se encontrar musicalmente. Pois o capital comanda, e é necessário que todos recebam sua dose de alienação. Na veia, na fronte, direto no cérebro. As pessoas aprenderam a conversar ouvindo músicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que a música está em tudo e não está em lugar nenhum. A música acalma. Faz com que os pensamentos desviem-se das dores do mundo. Um bom ouvinte sabe as metáforas mais refinadas e as mais toscas. Um bom ouvinte sabe que o mundo é uma merda, que o dinheiro está em tudo e comanda todas as relações. Essa verdade pura e simples é a que queremos evitar. Por isso ao invés de, nos momentos de folga, pensarmos o mundo a nossa volta, nesses breves momentos o mundo é que invade a nossa casa. E ouvimos o novíssimo cd de uma grandiosa banda irlandesa e ela nos pede que sejamos bons, que fiquemos bem, que pensemos nos outros. E os Beatles nos diziam que a revolução estava por se fazer e isso era só uma metáfora. The Clash era só revolta e ódio. Amy Winehouse quer se reabilitar. Britney quer ser feliz. Whitney precisa de grana para manter o seu vício. Cazuza falava que a morte estava viva. Raul pregava uma sociedade alternativa. Os sertanejos falam de tudo, de mulheres, pescarias, de paixões desenfreadas (sertanejo também faz parte do universo pop). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos indistintamente servem (alguns sem o saber, é claro) ao demônio do dinheiro. Músicas alienam, de um samba a um rap. Se os morangos do Criolo só são bons com a preta do lado, e se ele sabe que não existe amor em SP, ele descobre isso cantando versos que encantam e imobilizam. É óbvio que não existe amor em lugar nenhum, mas é preciso que sambas digam isso para que a gente fique por dentro, mas imóvel. Os sambas fornecem sua parte de alienação, vendem isso com melodias leves, com cara de frugais, mas mesmo assim prestam-se ao serviço do demônio do deixe estar. Todos os gostos musicais são abarcados para que ninguém escape à divagação. Quem vai numa rave sente o bate-estaca dentro da cabeça, dentro do corpo e começam a se movimentar. É que desde sempre a música faz parte da vida do ser humano. As músicas dos tambores foram as primeiras, depois a sofisticação foi aumentando; orquestras sinfônicas já se prestaram ao serviço de, mostrando um belo complexo, enganar o cérebro humano, fazendo-o se quedar inerte, feliz e inútil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a maioria não sabe é que a música é mais uma arma do sistema - esse ente silencioso e invisível - o verdadeiro Deus de quem todos aguardam a volta num tropel alucinado de cavalos voadores. O sistema quer que todos sintam-se bem. Para isso existem pagodes simplistas, axés desvairados, sertanejos insensatos, sambas cabeças, sambas simples, rocks nervosos, punks generosos, músicas clássicas sensitivas, gospels enlevados: todos querem a mesma coisa, que as pessoas se alienem e se entreguem ao leve e doce abandono do deixar a vida o levar. Ah, a insensatez diária das pessoas, que seguem pra cima e para baixo com seus indefectíveis fones de ouvidos, alheios ao mundo, comprados que estão ao demônio financeiro. Alienem-se todos, a música como mais um dos objetos de consumo de massa está aí fazendo seu serviço para o bem e para o mal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;w.a.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-2706412920253238468?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/2706412920253238468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=2706412920253238468' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2706412920253238468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2706412920253238468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/06/alienados-musicais.html' title='Alienados musicais'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-27Dd2IeFKPU/TgiKfoY6tUI/AAAAAAAAAvk/CoLpLlaYipM/s72-c/zipbuds09.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-8586869064589777734</id><published>2011-05-28T10:26:00.000-07:00</published><updated>2011-05-28T10:26:52.361-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teofobia'/><title type='text'>Teofobia</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Preconceito, diferentes, tolerância. Não parece no mínimo estranho ter que usar tais termos numa sociedade que diz ser regida pela ONU que garante que somos todos iguais ? “Todos são iguais mas alguns são mais iguais que os outros” já diria George Orwel. E são esses os “mais iguais” que têm a voz. Voz que deveria representar os bons anseios daqueles que não a têm. E no entanto, não é o que tem havido. Exemplo disso é a nova patacoada do nosso Brasil de saias que acaba de honrar as calças. E outro imbróglio surge. O homem (não sentido de humano, mas no de gênero masculino mesmo) tem o péssimo costume de criar Deus à sua imagem e semelhança. Pouco importa que o Estado seja laico e as pessoas tenham direito ao livre credo. Os religiosos inexoráveis são milhões. E são milhões de eleitores. Aí se explica o porquê de haver uma bancada evangélica &lt;st1:personname productid="em Bras￭lia. E" w:st="on"&gt;em Brasília. E&lt;/st1:personname&gt; aí fica a questão: essa tal bancada defende os direitos de quem? Da sociedade como um todo ou dos fiéis inveterados? Como podem versículos bíblicos escritos há mais de dois mil anos sabe nem Deus por quem serem mais defendidos que a nossa própria constituição? Pois é, meus caros e minhas caras, é exatamente isso que a nossa Presidenta Dilma fez decretando o veto às cartilhas anti-homofobia que seriam distribuídas às escolas por considerar o conteúdo inadequado. Mas como assim inadequado? Só agora? Esperou ficar pronto pra depois ver e ver que era inadequado? Quem realmente está precisando sair do armário é a nossa presidenta. Que volta e meia faz que vai e não vai. Foi assim com a questão do aborto. Foi assim com o ateísmo. E agora que está sendo assim com a questão da homossexualidade. E eu que cheguei a ficar feliz com toda a polêmica. Estava curioso para analisar o material e finalmente discutir o assunto em sala com o respaldo do Ministério da Educação. Para essa questão, só há comemoração para bolsonaros e homofóbicos. Estranho mesmo é ver festividade até no meio educacional onde a estupefação deveria imperar. As grandes louvas ao ato da presidenta se referem ao fato de que não será gasto dinheiro público com homossexualismo. Tudo bem! Concordo! Acho que realmente não precisaria gastar dinheiro público para se falar de homossexualismo. Não precisaria se não tivéssemos uma mentalidade com mais de dois mil anos de atraso. Os gregos não tinha sequer um nome para especificar a relação entre pessoas do mesmo sexo. Não se tratava de um comportamento condenável, pecaminoso ou pouco usual. Veio o Cristianismo e pimba! Fez-se a burocratização do sexo! Masturbação: pecado! Sexo antes do casamento: pecado! Sexo fora do casameto: pecado! Homosssexualismo: pecado também! E dos graves! Cada um tem o direito de achar o quiser sobre sexo ou qualquer outro assunto. O que não pode é termos leis e políticos que querem simplesmente cercear a vontade alheia. Um veto a um material que fale de homossexualidade não é um veto ao material, trata-se de um veto à homossexualidade. E tal atitude não se refere à política, refere-se à religião. Não se refere a códigos de lei, refere-se a versículos bíblicos. E isso é abominável. E mais abominável é vermos na rua e na internet discursos de pessoas que ratificam a sandice de bispos macedo da vida que simplesmente consideram a homossexualidade uma ameaça à família. Ora essa! Como se o padrão de comercial de margarina de família fosse o que tivesse que ser defendido e não a competência para se educar uma família. Os falsos puritanos vêm com aquela conversinha: “Mas como que uma criança vai ter dois pais e nenhuma mãe ou duas mães e nenhum pai?”. Uma bobajada sem tamanho! Querem conceituar a família na base de nomenclaturas. A criança está lá preocupada que nome dar a quem a cuida contanto que receba educação? A repulsa não está na criança e sim na sociedade que não consegue admitir uma família que seja “diferente do normal”. Uma criança pode ainda que com dificuldade driblar os preconceitos que por ventura venha a sofrer se já for bem orientada desde casa.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O closet da Presidenta Dilma deve estar mesmo cheio de modelitos novos, essa é a única explicação para ela não querer sair do armário. Pois dias antes o Supremo havia aprovado a união estável entre pessoas do mesmo sexo e agora vem essa prezada contra as cartilhas de homofobia. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Mas o mais absurdo de tudo, o verdadeiro âmago da questão é como as pessoas podem simplesmente querer discutir algo que é extremamente íntimo e individual. Não compreendo essa onda de falar que haveria uma propaganda ao homossexualismo, um incentivo. Cuma??? Propaganda??? Incentivo??? Faça-me rir! A bancada evangélica quer simplesmente convencer a todos de que a homossexualidade não é uma decisão intrínseca à opção de cada sujeito. Mas regozijo em ver que nada disso pode dar &lt;st1:personname productid="em nada. Os" w:st="on"&gt;em nada. Os&lt;/st1:personname&gt; gays são os cabras mais machos que eu conheço. As cartilhas forma proibidas. Ok. Mas ninguém vai deixar de ser gay por conta disso. O mesmo não ocorreria se as cartilhas viessem para a escola. E da mesma forma ninguém se tornaria gay por receber ou não o pejorativamente chamado “kit gay”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vejamos o quanto é vão esse bafafá todo. Se o preconceito fosse algo pelo menos coerente, o máximo de repúdio ao material deveria acontecer da seguinte forma: os alunos não receberiam o material. Os professores é quem o receberiam. E considerando que uma boa parte deles simplesmente ignoraria o material, esse simplesmente ficaria jazendo em algum almoxarifado Que o que já acontece com muitas das coisas que vêm para a escola. Os professores ignoram, como o material que já eio para tratar da História da África. Há aqueles professores que simplesmente recusam as novidades. Mas haveria aqueles de mente aberta que estariam dispostos a trabalhar o material. Mas tudo isso aconteceu antes mesmo que os professores tivessem a chance de censurar ou aderir o material. E tudo isso por quê? Só consigo ver uma explicação: bancada evangélica! Ou seja, religião. Pois é! Ela está de novo dizendo o que deve ou não ser ensinado nas escolas. O que as pessoas devem ou não aprender. E os gays nisso tudo? Por que nenhum gay foi gay o suficiente para protestar por isso &lt;st1:personname productid="em p￺blico. Talvez" w:st="on"&gt;em público? Talvez&lt;/st1:personname&gt; não seja realmente preciso. Os gays continuam cada vez mais gays. As boates gays continuam lotadas! Os casais gays continuam se amando! Tudo isso sem cartilha ou com cartilha! É risível a ironia disso tudo! Na verdade, a sociedade finge aceitar o gay! O gay serve de fantoche nos programas humorísticos e shows de calouros, serve de romance às avessas para uma sociedade hipócrita que ansia por um beijo gay na novela das nove, serve de falso heroísmo para os milhões que escolhem um gay como vencedor do BBB, serve de catarse erótica para os senhores muito sérios que não podem assumir a opção sexual e se aliviam com travestis que se prostituem e para os homens que se refestalam vendo casais de lésbicas em sites pornôs. E diante disso, o discurso ímplicito da nossa sociedade é até bem explícito:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;“Tudo bem! O gay pode existir! Desde que não exista na minha frente! Desde que os meus filhos não sejam gays! Desde que neguem ao gay todos os seus direitos de cidadão! Neguem-lhe o direito à união estável! Neguem-lhe o direito de adotar filhos! Neguem-lhe o direito de andar de mãos dadas na rua! Neguem-lhe de se beijar nos pontos de ônibus e nos restaurantes como qualquer casal heterossexual! E por fim, neguem-lhe essa cartilha! Neguem-lhe que se discuta a homofobia nas escolas!" A discussão com homofobia ainda vai acabar gerando uma teofobia! Há momentos em que só Cazuza nos salva!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/bOoE0THSkTY/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bOoE0THSkTY&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/bOoE0THSkTY&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;a.v.intelctual&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-8586869064589777734?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/8586869064589777734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=8586869064589777734' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8586869064589777734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8586869064589777734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/05/teofobia.html' title='Teofobia'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-4873635380522494739</id><published>2011-05-24T10:30:00.000-07:00</published><updated>2011-05-24T10:39:41.637-07:00</updated><title type='text'>Os programa mais interessante não falou como se devia do assunto...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É impressionante que quando o assunto é Lingua Portuguesa todo mundo se acha no direito de meter o bedelho. Agora a polêmica é o livro do MEC. O eficiente CQC acaba de fazer uma &lt;a href="http://cqc.band.com.br/videos.asp?v=2c9f94b43018588d0130227810db057c&amp;amp;pg=1#videos_topo"&gt;reportagem&lt;/a&gt; sobre o tema. E adivinhem! Não entrevistou quem devia entrevistar: um linguista! E muito menos os autores do livro para explicarem o acontecido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Linguista? Exatamente! Para quem não sabe, linguista é o profissional da Linguística. E Linguística por sua vez é a ciência que estuda a língua com todos os seus fenômenos, com todas as variantes. A Linguística faz um trabalho totalmente diferente da norma culta defendida pelas gramáticas normativas que procura julgar as sentenças em simplesmente certo ou errado. Para a norma culta, uma sentença como “nós foi” é simplesmente erro, acabou e pronto. Ao passo que para a Linguística existe todo um contexto por trás de cada sentença: em que ocasião ela foi proferida? Por quem ela foi preferida? Que grau de escolaridade essa pessoa tinha? Qual o meio social em que a pessoa vive? Quais as referências culturais culturais dessa pessoa? Quantos anos tem essa pessoa ? E toda uma série de questionamentos que faz com que o assunto seja bem mais complexo do que não parece ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É imbuído desses conceitos que o livro do MEC ( o qual confesso que ainda não vi) me parece ter sido feito. Surge todo um estardalhaço em torno disso. “É coisa do Lula”, “É a glorificação da ignorância”, “Querem deixar os pobres ainda mais burros!”. Não se trata de nada disso! E duvido muito que os ditadores da norma culta conheçam pelo menos todas as regras de crase. O que acontece com a nossa tão amada Língua Portuguesa? As pessoas passam anos nos bancos de escola. Vão para a faculdade. Vão para o mestrado. Vão para o doutorado. E um dia descobrem : “Meu Deus, eu não sei nada de Gramática!” e correm desesperadas para os cursinhos, para os manuais, para as aulas &lt;st1:personname productid="em v￭deo. E" w:st="on"&gt;em  vídeo. E&lt;/st1:personname&gt; tudo isso porque simplesmente acham que nunca aprenderam gramática na escola. Aí que está o ledo engano. Não é que não aprenderam, aprenderam gramática demais. Uma gramática descontextualizada da realidade do aluno. O aluno é a vida inteira levado a crer que a norma culta é a melhor forma de se falar. Que essa é uma linguagem de prestígio. Que essa linguagem lhe garantirá uma ascensão social. Até hoje só vi a norma culta dar ascensão social para o Pasquale Cipro Neto que faz mil palestras pelo país inteiro falando de uma reforma ortográfica que pode ser entendida com uma única página, para o Sérgio Nogueira que fica no caldeirão do hulck soletrando aquelas estúpidas palavras que nunca ninguém vai usar na vida e para o Cegalla que chegou ao cúmulo de dizer em seu livro que o sotaque do Mato Grosso do Sul não soa bem aos ouvidos. E são nesses seres de sapiência gramatical rentável e inatingível, para nós reles mortais, que a nossa sociedade se mira e outorga à norma culta o status de “correta”. Eu em minhas aulas jamais uso os termos “certo” e “errado”. Para mim, tudo é sempre adequado ou não dentro de um contexto. A norma culta é só uma variante. Uma das formas de falar. Ou alguém abre mão das gírias, do regionalismo, do jargão profissional, do coloquialismo ou mesmo da linguagem chula cada qual dentro do seu contexto? É evidente que não! É só isso que o livro vem propor. Uma maneira de falar para cada ocasião. A diferença entre linguagem escrita e falada. Ou alguém se lembra de regras gramaticais depois do quinto copo no barzinho sexta-feira à noite? Ou teremos mesmo que corrigir um senhorzinho que nunca soube ler e escrever quando ele nos dirigir a palavra? A ausência da visão ampla das variaçõoes linguísticas que faz com que as pessoas sempre tenham a sensação de que nada sabem da gramática. Exemplo: a professora passa uma manhã inteira enfiando na cabeça do aluno que ele deve dizer “vou assistir ao filme” e&amp;nbsp; não “vou assistir o filme”.&amp;nbsp; E no entanto, ele sai às ruas e ouve todo mundo dizer “vou assistir o filme”. Não seria mais fácil dizer para o aluno que a norma culta determina que o verbo assistir significando ver é transitivo indireto e pede a preposião “ao” e no que entanto a regra não vai ser aplicada a contextos informais apenas por uma questão de economia vocabular já que a língua é algo extremamente vivo e que está em constante mutação?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tudo isso é simplesmente desconsiderado quando se defende a norma culta. As pessoas simplesmente esquecem que você já foi vós micê que já foi vossa mercê e agora tem sido só cê. Informalidade é uma coisa. Norma culta é outra. E os alunos precisam saber disso o quanto antes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Se vamos queimar o livro do MEC, joguemos na fogueira Guimarães Rosa, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto e as letras de Adoniran Barbosa, afinal temos que defender a norma culta. Ou simplesmente sigamos os conselhos que o Padre Ezequiel deu ao mesmo Manoel de Barros:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto esquisito.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável, o Padre me disse.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele fez um limpamento em meus receios.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;pode muito que você carregue para o resto da vida um certo gosto por nadas...&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E se riu.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Você não é de bugre? - ele continuou.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que sim, eu respondi.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas -&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Há que apenas saber errar bem o seu idioma.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de&lt;/span&gt;&lt;br style="font-style: italic;" /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;gramática."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Manoel de Barros)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/plOezZ6936Y/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/plOezZ6936Y&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/plOezZ6936Y&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;t.c.s&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-4873635380522494739?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/4873635380522494739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=4873635380522494739' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4873635380522494739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4873635380522494739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/05/os-programa-mais-interessante-nao-falou.html' title='Os programa mais interessante não falou como se devia do assunto...'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-2369811886485946949</id><published>2011-05-13T13:50:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T13:50:56.531-07:00</updated><title type='text'>O processo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;A vida sabe a mistério. Passamos por ela, uns mais que outros. Alguns parecem sempre prontos para deixar sua marca gravada. Ocupam o centro do palco, regozijam-se com os holofotes, que parecem só seus. Para outros, viver é uma dificuldade infinita. Satisfazem-se com pouca coisa. Sorriem por cada dia que conseguem sobreviver. Uma categoria à parte é a dos quase. Poderiam ser o que quisessem, e não conseguem fazer a transição entre o nada e o ser. Travam batalhas insones e miseráveis; até são glorificados por alcançarem alguns momentos sublimes e só. Terminam sendo um alguém sem graça ou um ninguém sem sal. Não fazem falta ao concluírem ou mesmo se abreviam sua jornada. Desaparecem entre uma nuvem de "ohs, como era um brilhante... um brilhante...". É, como era. Como podia ter sido. Comos sem fim. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O fim, eis a grande verdade que não gostamos de enxergar. O fim chega pra todos sem misericórdia. Logo a vida, no fim, é uma corrida em que do nascer ao findar só fazemos é estar na estrada, correndo atrás de tudo aquilo que pensamos nos levar à tão propagada felicidade. Felicidade que nos cega quando alcançada em alguns breves e apoteóticos instantes. Tão intensos e mínimos quanto um orgasmo. Orgasmo de viver que passamos a vida atrás. Queremos os orgasmos que a vida sempre está a nos dever. O que me faz feliz hoje, necessariamente não será o que me fará feliz amanhã - num hipotético futuro. O que garantia minha felicidade ontem, hoje nem sequer é lembrado. Sei o que quero da vida, procuro ordenar minha vida numa rota possível em que eu acabe por cruzar com a alegria de viver. Tudo bem, sou mais melancólico do que esperançoso. Mas sei cultivar sorrisos. Sei o valor que ele tem quando brota límpido e faceiro num rosto de criança. A vida sabe a mistério.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Tentamos de tudo para sobreviver a ela então. Terapias drogas vagabundices acupuntura suicídio yoga danças de salão natação astrologia patins marxismo literaturas candomblé rock n'roll boate gay internet ecologia, mesmo assim sobra só esse nó no peito, e agora faço o quê? O que fazer se na contabilidade da vida, nunca o resto é zero? Sempre o saldo é um nó, que embola os sentidos, que nos traduz, nós os perfeitos imperfeitos. O nó da alegria, o nó da tristeza, o nó da raiva, o nó de um momento que perdemos. Atados a esses nós seguimos. Embolados em cordas imaginárias. Grilhões que nos retém perto do chão. Como anjos caídos, podam nossas asas, nos sonham Ícaros sem desejo de se lançar. A revolta enfim se perde em meio as chances que estão ao alcance de todos. Ser feliz parece apenas uma questão de tentar. Não precisamos mais ouvir o barulho das ruas. Não necessitamos vasculhar as atitudes alheias. Podemos viver num mundo à parte, de ilusão e reflexão. De vazio e distanciamento. O mundo ao nosso redor nem sente a nossa falta. Nós os raivosos, os melancólicos, os arrogantes, os irritantemente metidos a besta, nós que somos uns monstros por não dispararmos daqui pra lá e de lá pra cá "ohs e ahs' de satisfação por pouca coisa. Querem que sejamos ordeiros, quietos, comedidos, beatos, castos, calmos. Nos querem a todos de cangas no pescoço e nenhuma ideia na cabeça, só o leve seguir das ondas corretas que atravessam o dique do mundo perfeito e ilusório que construiram pra nós. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Que se rompa os grilhões da igualdade da fraternidade da liberdade. Quando todos estão para o mesmo lado de um navio, a possibilidade dele afundar é maior. Fujamos para um paraíso imperfeito que iremos construir à força do pensamento. Tragaremos a fumaça da discórdia. Repararemos na dor do desencanto. Chutaremos uns baldes de falsas felicidades. Deixaremos entrever a coxa saborosa da falsidade, que está ali, embaixo do popeline, encobrindo os eczemas e iludindo os novos velhos habitantes do planeta que um dia foi azul. Tudo isso pra que? Façamos de tudo para não nos perdermos em meio às paisagens que nos ofertam de graça, como drogas para um iniciante. Alguém precisa reter nas mãos a chama da revolta, nem que seja pra ter a autonomia de desligar a tv. Ter coragem de fechar as revistas. Afastar os olhos da unanimidade. Não se deixar levar pelos medíocres bandos para um banquete em que são servidos almas frágeis e bebido sangue em copos de massa de tomates. Não nos iludamos com os gritos que nos atravessam, eles não podem nos derrubar. São apenas impropérios sem fundamentos, nem direção. Se nos afetam é que estamos frágeis pra enfrentar de brisas a tornados. Sejamos fortes, dignos e verdadeiros. Só somos nós mesmos quando temos nas mãos o leme a bússola e os mapas todos da rota que pretendemos tomar ou quando vagamos de peito aberto, como um Dom Quixote insone, por mundos de sonhos e reais sem nunca fugir de uma boa briga.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-2369811886485946949?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/2369811886485946949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=2369811886485946949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2369811886485946949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2369811886485946949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/05/o-processo.html' title='O processo'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-3137361074609443863</id><published>2011-05-06T07:38:00.000-07:00</published><updated>2011-05-06T07:38:30.733-07:00</updated><title type='text'>Trilhas: Dois - Legião Urbana</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-GGrklD4oxBg/TcQH0PgiBzI/AAAAAAAAAvU/imLRMHO3Hro/s1600/dois.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-GGrklD4oxBg/TcQH0PgiBzI/AAAAAAAAAvU/imLRMHO3Hro/s1600/dois.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Se teve um disco (aqui é disco mesmo) que eu ouvi milhares de vezes, esse foi o Dois da Legião. Singularmente ele fez parte da minha vida, e ainda, em alguns momentos - como agora, em que estou escrevendo - volto a ele e encontro coisas para me encantar. Hoje em dia conheço pessoas que nunca ouviram ou não se ligam no que Renato Russo fazia. Se estão certos não sei, eu mesmo os escuto pouco agora, mas eu ouvia e isso era tão importante pra mim, que não se pode deixar de falar nisso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Daniel na cova dos leões: uma rádio sendo sintonizado, metalinguagem? o que toca ao fundo é a própria banda. Biblicamente é dado partida na viagem. Dizem, os 'expertos', que a letra fala da homossexualidade latente do vocalista. Que a música é cheia de pistas como a tão citada parte: "teu corpo é o meu espelho e em ti navego" ou "aquele gosto amargo do teu corpo, ficou na minha boca por mais tempo". Nem é caso de discutir o indiscutível, pois Russo era mesmo gay (só assumiu muito tempo depois). Mas o que temos aqui, também, é uma pérola da insegurança adolescente. Nunca sabemos de verdade o que queremos, como faremos as coisas, e se o que pretendemos fazer é o certo ou errado. Ser gay era um princípio em forma de Esfinge para Renato, talvez por isso tanta ambiguidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Quase sem querer: violões, a bateria raquítica de Bonfá, o baixo mudo de Renato Rocha, nada disso atrapalha aqui. Uma das letras mais belas de Renato, e o universo se descortina. Solidão, indecisão, confusão, Renato, se tem a dúvida com a sua sexualidade, agora tem uma banda e ele sempre sonhou com isso. Sua força vem da alegria de ser como seus ídolos, Morrisey, Curtis etc. E ele pode se entregar a criar canções tão encantadoras. O que tem demais nessa música? Quase nada, vejo hoje, mas era melodiosa, fácil de cantarolar - até pra mim sujeito que não acerta uma letra. O rock descomplicado, simples e assobiável: "o infinito é realmente um dos deuses mais lindos"; e lá íamos nós, pra onde? Lugar nenhum, mas pelo menos tínhamos agora uma turma que gostava da mesma coisa, e tíhamas algumas canções para cantarmos perto do fogo, pois de tão indigentes qualquer um aprendia a tocar no violão; melhor que sertaneja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Acrilic on canvas: eu acho essa a melhor do disco (é disco mesmo). Adoro pela excelente letra - quer dizer, eu acho excelente. Mas é um jogo virtual, e não existia nada virtual naqueles tempos. É uma música cubista, um universo se descortina lentamente, como num jogo de armar. Letra, música e a imaginação de cada ouvinte. Quantos quadros não pintei mentalmente, quantas pessoas diferentes não surgiram. Quantas camas não desmontei? E tantos pedaços de cabelos diferentes, lisos, crespos não usei? Tudo era tridimensional, talvez ninguém tenha entendido assim, mas era. Uma poesia em que podíamos ver surgir um quadro com diversas partes montadas, com inúmeros ângulos e possibilidades. A música quebrada, com um baixo passeando, uma guitarra deslizando, a bateria marcando uma cadência simples, o vocal despejando ações, fatos. Podemos ver Renato pintando, trocamos de lugar com ele, e logo estamos todos perdidamentes mesmerizados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Eduardo e Mônica: nunca aprendi essa letra inteira, nunca. Eu acho isso o máximo, é inacreditável, pois minhas filhas não eram nem projetos, nasceram, cresceram e...aprenderam, eu não, quando a canto, até hoje erro. Não gosto dela, tocova demais, todos a amavam, alguns, estúpidos, trocavam os nomes. Seria hoje um bom post, num blog qualquer desses milhares que tem por aí. Mas é um dos mega-hits do disco, e fazer o quê né? Ouvia-se, cantarolava-se, balançava-se o dedinho no ar...etc.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Central do Brasil: gosto dela, instrumental que brota do nada, comprova toda a parquíssima 'catigoria' da banda em termos musicais, mas apresenta a sensibilidade da banda, e isso é tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Tempo perdido: Legião Urbana no Globo de Ouro, era toda sexta feira, e eles passaram ums semanas indo lá. Era tosquíssimo, ridículo, mas mesmo assim ver Russo sacudindo os braços naquela dança esquisita e xamânica, era belíssimo. É, para mim, o grande hit do disco, letra e música dessa vez estão no mesmo nível. No show (yeah, eu fui num show deles) essa música era como chamar todos para um ritual de gritos e danças pessoais amalucadas (bom, na verdade, o público da legião era bem chatinho de tão fiel) e lá ficavam (alguns de olhos fechados até) "temos todo tempo do mundo" (não tínhamos). E, podemos perceber hoje, que sim, tudo foi um tempo perdido, e continuará sendo. Pelo menos naquela época, perdíamos tempo com Legião e não com um espúrio NX-0. Cada geração perde seu tempo com a banda que lhe apetece, ou que consegue entender.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Metrópole: "é sangue mesmo, não é mertiolate", sim, um punkinho para ouvidos desatentos. O que era legal na Legião passava por você não estar levando só uma banda pra casa, tinha todas aquelas entrevistas em que o Renato Russo despejava sobre seus fãs suas manias, seus gostos musicais, literários, cinematográficos. Quantos não gostam de The Cure, The Smiths, Joy Division e outras bandas mais, pois ouviram Renato falar o quanto gostava delas? Metrópole é isso, uma música urbana nº 1.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Plantas debaixo do aquário: todo disco tem que ter aquela música não tão tocável na rádio, nem apresentável em programas de televisão. A desse disco é essa, uma maluquice pós-moderna, de letra absurda e estúpida, até isso é 'legio omnia vincit', em alguns momentos era amar ou odiar. Aqui falava das paranóias da vida moderna, e a possibilidade de guerra atômica era uma delas, como era também a falta de confiança nas pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Música urbana 2: essa tem uma simplicidade total. Cássia Eller e a própria Legião gravaram outras versões melhores que essa, a da Legião está no "Músicas para acampamento", lá é mais bluesy, mais encorpada. A da Cássia está em um dos discos ao vivo dela, e é fodástica, como muitas das versões que ela fazia. Mas essa música vale aqui pra perceber mais uma das influências da banda: blues.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Andrea Doria: um barco italiano que naufragou com 1705 pessoas dentro, intertextualidade pra falar de fim de relacionamento. Renato era mesmo um excelente letrista, nunca criaria estupidez como essa que embala milhões de brasileiros hoje em dia: "Com esperança me sinto vivo/A bola é pra frente, o pensamento é positivo" (pausa para um vômito). El Russo falava de amor assim: "Às vezes parecia/Que era só improvisar/E o mundo então seria/Um livro aberto...", não dá pra comparar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Fábrica: um panfleto do eterno punk Renato Russo. "Quem guarda os portões da fábrica"; "o céu já foi azul demais, agora é cinza, e o que era verde aqui, já não existe mais". Rimbaud e seu poema das cores chegam ao terceiro mundo (hoje só pode falar em países em desenvolvimento). Fala de um tempo em que se sofria muito por aqui; tempos em que “a esperança ainda não havia vencido o medo”; era uma terra inóspita, e sobreviver um 'pega pra capar'. Não mudou muito, troca-se uma peça aqui, outra ali, mas ainda e sempre, serão necessárias pessoas limpando o chão sujo da fábrica. Nunca teremos educação de verdade para todos, excelentes empregos pra todos, alguns sobrarão, naqueles ou nesse governo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Índios: a letra dos nadadores ou atletas. Para acompanhar Renato era necessário fôlego. "Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei a quem...", e segue, num aranzel infinito. Letra feita no estúdio, antes da gravação do disco (assim reza a lenda), jogo rápido. Aqui um pianinho segue a letra, pontuando e animando para não acabar o ânimo. Mais um hit, agora as rádios e programas de televisão começavam a entender que as coisas tinham mudado definitivamente, ninguém iria mais cantar “sonhos de Ìcaros”, ou “whiskies a go-gos”, era o fim para todos. Depois que essa música se tornou a mais pedida, estava aberto o caminho para o triunfo do rock brazuca: “tentei chorar mas não consegui”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Hoje, vivemos num universo completamente diferente. As mídias estão por toda a parte, televisão, rádio, computadores, música sem invólucros, bandas que sobrevivem sem uma grande gravadora; a venda de cds quase no chão; a maior banda de rock'n'roll é formada por emos e agora por adolescentes coloridos que choram ao invés de cantarem. Tudo esboroou-se tiranicamente num muro de idéias rarefeitas. Titãs, Paralamas, Engenheiros sobrevivem e são nossos dinossauros; não foram destronados, apenas aposentados com elegância. Temos o triunfo do axé, Ivete Sangalo é "best of the best"; a música sertaneja continua firme e forte; nenhuma novidade no front musical, apenas Luan Santana, que é apenas uma reciclagem de idéias; um pensamento tipicamente anos 00. Amor, fraternidade, letras que falam de nada, que não reclamam de nada, que não querem nada, apenas chororos de pessoas que querem ser amadas, abraçadas e chega pois estou quase em vias de derramar um generoso vômito. Qual a importância da Legião Urbana nisso tudo? Com eles, nós éramos mais rebeldes. E viva Renato Russo, o nosso Simon Bolívar, o libertador que nos salvou das músicas bregas tocadas nas FMs e Cassinos e abriu a porta de uma nova dimensão, mesmo que hoje gostemos muito de música brega pois elas agora soam tão singulares aos nossos ouvidos. Coisas do tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;s.e.s.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-3137361074609443863?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/3137361074609443863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=3137361074609443863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3137361074609443863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3137361074609443863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/05/trilhas-dois-legiao-urbana.html' title='Trilhas: Dois - Legião Urbana'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-GGrklD4oxBg/TcQH0PgiBzI/AAAAAAAAAvU/imLRMHO3Hro/s72-c/dois.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-8592113937823060701</id><published>2011-05-06T07:26:00.000-07:00</published><updated>2011-05-06T07:41:50.240-07:00</updated><title type='text'>Auto ajuda</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-a9V4mtEKat0/TcQFGgeqGUI/AAAAAAAAAvQ/9RoolObA8yk/s1600/qmms.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320px" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-a9V4mtEKat0/TcQFGgeqGUI/AAAAAAAAAvQ/9RoolObA8yk/s320/qmms.jpg" width="216px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;"Uma boa noite de sono", faz com que você tenha uma "aprendizagem acelerada". Se juntarmos a isso "alimentação yoga e psicanálise" aumenta em muito "o poder fantástico do pensamento"; "a timidez vencida em 3 semanas". Temos muitos "jeitos de ser" e possibilidades de usufruir uma "vida positiva". "Atitude" é um dos meios, e também ajuda que você "se ligue em você" eis outra boa "estratégia para o sucesso". "Otimismo todo dia" é o que fazem os que estão sempre trabalhando "treinando líderes", e, se dá certo com eles, também pode dar com pessoas normais, como você, que está sempre buscando "o caminho da autotransformação", e querendo também, porque não, "alegria e triunfo" e o acesso que faz surgir "a escada do sucesso". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Só quando se descobre "como viver acima da mediocridade", entende-se que "querer é poder" e pode enfim dizer que está "vencendo a própria crise". Pessoas que conhecem "a arte de argumentar" encurtam a distância para o sucesso, usam e abusam do que chamamos de "o processo da criatividade". Então "e se...você começasse a agir?". É simples: "gerencie sua mente não seu tempo" e você disparará como um foguete "da pobreza ao poder". Use "a força do pensamento", faça girar "a roda da vida". Acredite pois "você tem o poder de mudar" "o mecanismo da vida consciente". Todos temos "centelhas de gênios" e podemos alcançar a pura e real "criatividade nos negócios", mas temos que estar sempre "cuidando do corpo, curando a mente", com o incrível e espetaculoso "poder da auto estima", o que também podemos chamar de: "a força mágica da vontade" ou "o caminho secreto". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;É mais que "uma técnica de viver", é aprender, enfim, a usar "a inteligência humana" com "motivação". Utilize-se do: "'poder do dinheiro'; 'o poder da mente'; 'o poder do pensamento'; 'o poder do entusiamo'" e logo "a semente da vitória" fará com que você esteja, "superando o cárcere da emoção" e enxergando mais avidamente "a essência da realidade", que te levará para uma "vida positiva". Acredite, pois "o céu é o limite". Verá que "seus pontos fracos" não serão mais um empecilho pois "você tem a força" e tem "a vida em harmonia" pois "você merece" esse "reencontro com a harmonia" e verá que "só vence quem quer".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Bom, "você já sabe o que fazer", "como descobrir sua genialidade" e como alcançar "o coeficiente de confiança" que é "o que nos faz felizes". De agora em diante "salve-se quem puder", pois você tem nas sua mãos "a mola do sucesso", essa "janela visionária" que o fará descobrir "como atrair dinheiro" através dessa incansável batalha que é "a tempestuosa busca do ser". E, "vencendo a batalha interior", alcançando sua "libertação interior", falará assim: 'vejam como' "o dinheiro é meu amigo". E bastará simplesmente "ser você". "Não leve a vida tão a sério", abuse da sua recém conquistada "auto-estima" e verifique que "algo está acontecendo"; essas "ondas de transformação", que na realidade são uma "profunda simplicidade" que diz ao seu ouvido: "pense como um gênio", abandone essa "aeróbica mental", você tem "a força para vencer" e agora não fica mais "esperando o amor chegar", na verdade você se preparou bem, e "espere o inesperado". Terá agradáveis sensações com "um toc na cuca". Gritará ao mundo: "'querer é poder', eu comando o meu barco e vou atrás da 'arte do possível', 'porque é importante sonhar', dar 'um chute na rotina' e aprender a 'como ter êxito na vida' e uma 'educação pessoal' esmerada".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Senhoras e senhores: "a importância de viver" de conseguir "a revolução dos campeões", é simples: "dê o passo: a ponte estará lá", somos "heróis de verdade", logo, fechemos os livros de auto ajuda, leiamos um clássico, ou então compremos uma passagem de avião para os quintos dos infernos, e voilá, veremos a felicidade ao alcance das nossas mãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;s.e.s.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-8592113937823060701?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/8592113937823060701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=8592113937823060701' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8592113937823060701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8592113937823060701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/05/auto-ajuda.html' title='Auto ajuda'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-a9V4mtEKat0/TcQFGgeqGUI/AAAAAAAAAvQ/9RoolObA8yk/s72-c/qmms.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-8287351534624739570</id><published>2011-04-29T11:34:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T05:19:46.519-07:00</updated><title type='text'>09:32</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-KWqfwiOyhgQ/Tbv9_NXfjhI/AAAAAAAAAvM/0IRtjy3SLh0/s1600/ballkate.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-KWqfwiOyhgQ/Tbv9_NXfjhI/AAAAAAAAAvM/0IRtjy3SLh0/s1600/ballkate.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tanta coisa para se pensar. Tantos problemas por resolver. Outros para criar. Mesmo estando o país numa época iluminada (como dizem os iluminados), tanta gente vagando por aí. Bêbados, mendigos, malabaristas e mágicos de sinal. O mundo à beira de um colapso por falta de mão-de-obra qualificada. O horror! O horror! O horror! As escolas ensinam a resignação. As Igrejas doutrinam a paz e o amor. A família grita: estude para ser alguém na vida. Todos têm uma opinião para melhor fazer as pessoas serem ordeiras, pacíficas, porcos à beira do precipício. Enquanto o mundo gira. Enquanto todos acham que o silêncio é a melhor arma. Enquanto os sindicatos beiram o ridículo em pelegar o governo, a vida segue impávida. Os rebeldes são abortados nas manjedouras. Essa pausterização do todo, apaga as luzes do futuro. Nunca, de maneira nenhuma, conquistou-se algo sem luta, e é isso que prega esse governo atual. Justo eles que clamavam no deserto contra tudo e todos, agora pregam a paz e o amor. Pregam o não à greve. Ao direito mesmo de se pensar em greve como instrumento de luta. Desestabilizaram todas as lutas sociais, cooptando todos os lutadores. Simplesmente paga pelo silêncio, ofertando migalhas de pão velho. É o fantasma da velha inflação que ronda. É a companheirização que grassa a torto e a direito. Mesmo assim, com tantas coisas por fazer e lutar, mesmo que o mundo não esteja girando corretamente no seu eixo. Mesmo que o trem esteja mais pra lá que pra cá, hoje todos pararam pra ver o beijo real - exatamente às 09:32. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;w.a.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-8287351534624739570?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/8287351534624739570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=8287351534624739570' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8287351534624739570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8287351534624739570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/04/0932.html' title='09:32'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-KWqfwiOyhgQ/Tbv9_NXfjhI/AAAAAAAAAvM/0IRtjy3SLh0/s72-c/ballkate.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-2279709784361031041</id><published>2011-04-29T05:11:00.001-07:00</published><updated>2011-04-29T05:11:44.923-07:00</updated><title type='text'>Mortes particulares...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Morro todo dia um pouco. São mortes tão imperceptíveis que tem dias nem eu sinto bem. Sãos os pedaços das unhas que se vão. As cutículas que teimam em se soltar e que eu arranco com a ponta dos dentes. Saem de mim líquidos e excrementos; sai saliva, suores, pele, alguns cabelos desabam, outros, assustados, embranquecem. Mato lentamente a suave estrutura do meu ouvido ouvindo música em volume pouco considerável, isso depois de enfiar um suave cotonete e esfregar até me cansar ou ele sair amarelado. Raspo meu pé com lixa e a delicadeza de uma girafa num quitinete, cai um fino pó, raspas de um morto-vivo. Cuspo. Escarro. Me ralo. Pedaços de mim vão ficando pelo mundo. Do meu nariz endurecidas secreções eu tiro, embolo e atiro longe. A vaidade me faz arrancar rebeldes pêlos brancos do peito, fingindo um tórax adolescente num corpo enruguecido. Aparo os pêlos das axilas, do púbis, dos dedos dos pés, das narinas. Os pêlos da costas, resignadamente, peço que tirem com uma pinça. Morro todo dia um pouco, lentamente. Chego a achar que estou menor, pois com o tempo, os pequenos bocados de mim que ficaram pelo caminho, somados, fazem falta. E no meu interior as mortes enlouqueceram, elas se sucedem e me sucedem. Uma angústia infinita toma conta de mim, os meus espaços interiores parecem ser pequenos para me caber dentro. Tem dias que não estou confortável em mim. É como se minha roupa tivesse ficado um número menor e os ossos tivessem inchado. Não é nada. São minhas mortes particulares. É o minguar dos afetos. É a falta de prumo ou rumo. Eu "me matei uma vez quando o tempo era escasso", não foi uma boa morte. De outra vez a morte melhorou uma dor que sentia no baço, ela desapareceu sem deixar lembrança, ou a morte matou a lembrança do que nem era dor? Não sei. Toda vez que volto de uma morte sofro de esquecimentos. Mas posso dizer de cadeira que a morte "melhora o ritmo do pulso e clareia a alma". De certo eu só tenho comigo que "morrer de vez em quando é a única coisa que me acalma"... por isso sigo morrendo aos poucos, com a mesma vontade que como um doce de abóbora ou escuto uma música recém-descoberta: morro por gulodice e para ouvir a paz. Mantenho a mesma febre de leitura. Terminar um livro é morrer um pouco. Não terminar, também. É tão bom estar morto ás vezes, nem que seja para ouvir: é um bom morto agora, em vida, era ainda melhor... o elogio me recompõe. Um dia calmo também. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;ps: o que segue em aspas é do Paulo Leminski... um grande poema... &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-2279709784361031041?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/2279709784361031041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=2279709784361031041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2279709784361031041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2279709784361031041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/04/mortes-particulares.html' title='Mortes particulares...'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-762801833094613215</id><published>2011-04-19T21:00:00.000-07:00</published><updated>2011-04-20T08:28:59.879-07:00</updated><title type='text'>A arte do chá ou Rapsódia em abril</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-wKyBk6chk0A/Ta77hRb7GkI/AAAAAAAAAvE/ByX_KGUuL9s/s1600/rapsodiafotograma.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="176px" i8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-wKyBk6chk0A/Ta77hRb7GkI/AAAAAAAAAvE/ByX_KGUuL9s/s320/rapsodiafotograma.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;“Ainda ontem convidei um amigo para ficar em silêncio comigo”, ele veio. Durante o tempo em que permanecemos ali o som do nada preencheu nossos instantes. O nosso silêncio foi machucado duas vezes pelo silencioso combate de outros seres; num deles, uma aranha assanhada abandonou sua tessitura e espreitava um inseto próximo. A aranha é tão silenciosa que até sua sombra ela parece deixar em casa na hora do jantar. O inseto inocente palmilhava a parede com saltos milimétricos. A aranha também de maneira milimétrica fazia o cerco. A aranha o inseto e nós, todos num silêncio constrangedor. Não podíamos avisar ao inseto que a morte o rondava. Não tinha como pedir para a aranha uma complacência em nome do nosso compungido silêncio. A fome, que não é silenciosa, gritava na aranha. Não quis ver o desfecho da cena, mirei outro ponto. Nele, um pernilongo. “De que música gostam os pernilongos? De Schubert, de Wagner, de Debussy?” Aquele, especificamente, parecia que tocava na banda da escola, quiçá tocasse pratos. Era desafinado e fora do peso, pois carregava uma pesada bolsa de sangue. Movia sem nenhum carisma e com uma lerdeza engraçada. Como podia ser, que no dia em que tiramos para chá com silêncio, surgisse um pernilongo desengonçado e barulhento para furar com sua sirene a noite? Mas, assim como ficar em silêncio é uma arte, aplacar a fome para uma aranha também o é. Perdido o inseto anterior, ela, aproveitando-se da inércia e o excesso de barulho do pernilongo mudou de vítima e atacou com destreza e sem piedade o obeso invertebrado. O silêncio retornou à sala, fomos testemunhas de um assassinato, até me comprometi mentalmente em depor contra a astuta aranha, que não deu chances para a sua vítima. Lembrei-me que coisas piores acontecem todos os dias fora dali, bem mais perto de nós, silenciosos humanos. Me fechei em mim. O silêncio silencia as culpas que porventura sintamos. Fatos trágicos, não tão trágicos, ou pouco trágicos, acontecem o tempo inteiro e nos quedamos silenciosos. Perdemos o nosso poder de indignação. Perdemos a simplicidade das ações. Não se bebe chás. Não se olha a lua. Não se aprende nada vendo insetos na impetuosa luta do dia a dia. Ponho um pouco mais de açúcar na minha xícara. Bebo o silêncio das minhas faltas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;"inspiração" dois trechos de poemas de Paulo Leminski e Rapsódia em Agosto do Akira Kurosawa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;s.e.s&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-762801833094613215?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/762801833094613215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=762801833094613215' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/762801833094613215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/762801833094613215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/04/arte-do-cha-ou-rapsodia-em-abril.html' title='A arte do chá ou Rapsódia em abril'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-wKyBk6chk0A/Ta77hRb7GkI/AAAAAAAAAvE/ByX_KGUuL9s/s72-c/rapsodiafotograma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-1171917775908287821</id><published>2011-04-18T11:13:00.001-07:00</published><updated>2011-04-18T12:24:16.441-07:00</updated><title type='text'>Pequena tragédia caseira</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-rgD4LQUm_S8/TayPzkF1C6I/AAAAAAAAAu8/iisFqKqadK4/s1600/rodin.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-rgD4LQUm_S8/TayPzkF1C6I/AAAAAAAAAu8/iisFqKqadK4/s320/rodin.jpg" width="251" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Passei uma tarde entre flores comestíveis, sorvi do néctar que me foi oferecido. Refestelei-me, sorri, demonstrei muita virtude em não ter pudor. A sorte me sorriu algumas vezes e eu corrompido pela desmedida acreditei-me infalível. Sorrateiramente, o cansaço chegou só para mim. Evadi-me para um lugar seguro. Até pensei, no silêncio da minha fuga, em voltar e resistir bravamente à onda que tudo carregava. Mas meu erro fatal já havia sido cometido e a punição estava a caminho. Voava ligeiro nas asas da companheira, que furiosa não aceitou a interrupção do bailado da abelha em volta da flor. Taças quebradas, pratos quebrados, sussurros nervosos, uma energia que emergia incontrolável. Uma dor de séculos renascia. A da fêmea desprezada, antes da sua satisfação se completar. Eis o meu destino cego, sempre recomeçar até a certeza de que a catarse se instalou e o êxtase quebrou o inquebrantável (des)equilíbrio dela. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;s.e.s.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-1171917775908287821?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/1171917775908287821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=1171917775908287821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1171917775908287821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1171917775908287821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/04/pequena-tragedia-caseira.html' title='Pequena tragédia caseira'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-rgD4LQUm_S8/TayPzkF1C6I/AAAAAAAAAu8/iisFqKqadK4/s72-c/rodin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-8291191623846969147</id><published>2011-04-18T11:11:00.000-07:00</published><updated>2011-04-18T11:11:13.792-07:00</updated><title type='text'>Trivias políticas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;MacDonald's e maconha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O líder do PT na câmara, Paulo Teixeira (SP), disse que, se comer sanduíches do McDonald’s, “talvez o maior crime”, não é proibido, o governo não poderia impedir também o plantio de maconha. “Cabe ao Estado dizer que faz mal à saúde. Não existe crime de autolesão. Se eu quero, eu posso usar, tenho direitos como usuário. E isso o Estado não pode te negar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelicidade não escolhe a hora para sair da boca de estúpidos. Como pode comparar cannabis com big mac? Não dá, assim não é possível. Mas para todos os efeitos, como ambos são um lixo, o pensamento menos ruim seria esse: se um é proibido o outro deveria ser também, não esse pensamento tortuoso de iluminista em festa funk. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Campanha nacional de desarmamento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novíssimo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, saiu-se com essa: “Não [se] entra na casa das pessoas para ver se tem dengue? Tem que ter uma maneira de entrar na casa das pessoas para desarmar a população”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bondade é algo belo de se perceber nas pessoas. Entrar na casa do cidadão para salvar o cidadão do risco maior que o cidadão pode impingir a si próprio. O cidadão, este ser é ingênuo, necessita de um Estado generoso que por excesso de zelo e bondade entraria porta adentro na casa das pessoas, revirando tudo atrás de armas; belo, perfeito, inimaginável. Cabeça de cocô. Estudou tanto pra isso? E a Constituição? Ah, essa não pode nada contra a bondade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lei seca mineirinha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O senador Aécio Neves (PSDB-MG) deu dois maus exemplos na madrugada de sábado, no Rio: dirigia com a habilitação vencida e se negou a passar pelo teste do bafômetro. Sua Land Rover foi parada numa blitz na avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, às 3h, a poucas quadras de seu apartamento. Foi multado em R$ 957,70 por recusar o bafômetro e em R$ 191,54 pela habilitação vencida". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parar um cara numa Land Rover já é uma ousadia, chega a ser um displante. Parar o Aécio Neves, neto de Tancredo Neves, pegar ele com a carteira de habilitação vencida e ainda meio encachaçado, de tal maneira que ele se recusa a bafometrar, hum... Tem horas que eu acho que esse país tá no caminho certo. Mas só dele estar numa Land Rover, madrugadão, com uma bela mulher do lado, isso merecia não uma multa mas uma salva de palmas, um (em voz alta) vai tranquilo senhor e um (em voz baixa) achava que esse cara era gay: velhão, solteirão, esquisitão, sei não, ufa!. O cara é másculo mesmo, dirige bêbado, não faz o testo do bafômetro, com uma gata do lado e ainda com a carteira vencida, putz, mó punk de terno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FHC e o povão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai chegar uma hora que o FHC vai embora daqui. A capacidade de estupidezes construídas envolvendo seu nome o condena a um ostracismo involuntário. Tudo o que ele fala, não presta, pela ótica de alguns ilustres jornalistas comprados pelo poder. Tudo é passível de ser distorcido até se transformar em outra coisa. Sei não, como as pessoas não debatem ideias mais tudo é pré-texto para denegrir a pessoa. Tratam FHC como um câncer maligno desse país, singular, muito singular. Povo de mente curta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;w.a.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-8291191623846969147?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/8291191623846969147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=8291191623846969147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8291191623846969147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8291191623846969147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/04/trivias-politicas.html' title='Trivias políticas'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7396167555536620030</id><published>2011-04-12T08:33:00.000-07:00</published><updated>2011-04-12T08:33:16.990-07:00</updated><title type='text'>O pesadelo de Machado ou "esta a gloria que fica, eleva, honra e consola"</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-b19HEz0FNl0/TaRwApmRqOI/AAAAAAAAAuw/M3v63vCyDFE/s1600/Machado_de_Assis_%2528c%252C1880%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-b19HEz0FNl0/TaRwApmRqOI/AAAAAAAAAuw/M3v63vCyDFE/s320/Machado_de_Assis_%2528c%252C1880%2529.jpg" width="237" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;ANTES:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discurso de Machado de Assis, proferido na sessão de abertura, em 20 de julho de 1897.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Senhores, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou o mais velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, e aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova, naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige, não só a compreensão publica, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloqüência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam também aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DEPOIS, MUITO DEPOIS... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-9tc9nEWxxtg/TaRwgO-utaI/AAAAAAAAAu0/u__QktsZFN8/s1600/11102137.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="221" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-9tc9nEWxxtg/TaRwgO-utaI/AAAAAAAAAu0/u__QktsZFN8/s320/11102137.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"ABL concede sua honraria máxima para Ronaldinho" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho", declarou Ronaldinho ao ser questionado sobre seu livro predileto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encontrar os "imortais", ele fez uma pequena mudança no visual. Deixou as camisetas estampadas de lado e usou camisa social preta e calça jeans. Além disso, escondeu suas correntes de ouro dentro da camisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pretendo trazer a minha família aqui. É sempre bom ter contato com a cultura. Vou aproveitar a visita para pedir umas dicas de livro para os acadêmicos", afirmou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado deve estar revirando no túmulo!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;w.a.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7396167555536620030?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7396167555536620030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7396167555536620030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7396167555536620030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7396167555536620030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/04/o-pesadelo-de-machado-ou-esta-gloria.html' title='O pesadelo de Machado ou &quot;esta a gloria que fica, eleva, honra e consola&quot;'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-b19HEz0FNl0/TaRwApmRqOI/AAAAAAAAAuw/M3v63vCyDFE/s72-c/Machado_de_Assis_%2528c%252C1880%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-3371327084559850002</id><published>2011-04-11T07:28:00.000-07:00</published><updated>2011-04-11T07:38:28.757-07:00</updated><title type='text'>Os alquimistas estão chegando</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-G56RGyjDly0/TaMP9qrwLTI/AAAAAAAAAuo/VK09yNCEVUc/s1600/pos_moderno2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-G56RGyjDly0/TaMP9qrwLTI/AAAAAAAAAuo/VK09yNCEVUc/s320/pos_moderno2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentro de mim uma algaravia de sons e palavras. Textos e mais textos misturam-se aos meus pensamentos. Trechos de músicas chocam-se com pedaços de palavras. Estalidos de baterias roçam parágrafos aleatórios. Fragmentos de guitarras abraçam-se com pedaços de poemas; o grave sonido do contra-baixo corta frases inteiras. Da minha barriga sons emergem como uma sinfonia. Consigo pressentir as vogais deslizando por sobre a pele. As consoantes, essas não,&amp;nbsp;aparecem dos lugares mais estranhos. Parece que elas se agarram e não querem subir para cumprir suas obrigações de formar palavras. Uma sinfonia de palavras, eis como me sinto. Cada passo que penso em dar corresponde a um som. Cada pensamento surge em meio a um vendaval de palavras embaladas por músicas alheias. Cada som que ouvi, cada palavra que li agora parecem ter se rebelado dentro de mim. Transpiro pontuações. Cuspo notas musicais. Vomito uma sopa de letras. Estou em meio a uma grande alucinação. Desespero-me. Tapo os ouvidos com protetores; vendo meus olhos; intento não pensar em nada. Uma palavra sobrevoa o cérebro. Disparo contra ela a ordem de que se cale, essa ordem ecoa e liga uma nota musical, de repente escuto uma breve e pontual música pop. Pop songs grudam como chicletes, sacudo a cabeça, percebo que algumas letras desabam sobre mim. Retiro a máscara, olho em volta, estou numa poça de letras mortas, restos de sons, interrogações mil. Busco uma calma que não tenho. Volto a ouvir, respiro profundamente e sinto mexer dentro de mim poemas antigos. Trechos de contos, partes de livros. Um piano insurge-se contra minha tentativa de silêncio. Fica martelando um Beach Boys, uma, duas, três vezes. Sinto um leve roçar de Sylvia Plath, meu dedo dói. "Cem anos de solidão" estraçalham minha mente. Sou um dos Buendía mas a trilha sonora é uma música do Teenage Fanclub. Não quero mais brincar. Cansei. Resolvo sair de casa. Visto-me, procuro a chave para sair desse apocalipse; nos bolsos da calça salta um aforismo de Nietzsche que jogo pela janela. No meu corpo há uma proliferação de palavras alheias. Parece que estou com uma doença de pele, olhando de perto percebo, com assombro, que tenho hematomas, as letras têm cores, como previu Rimbaud. O A é negro, o E é branco, o I vermelho, o O é amarelo-ouro , o U de um verde-árvore-nova que me assusta. Algumas consoantes rompem a pele para se mostrarem no seu esplendor, Kas agressivos, pelo pouco uso, ardem-me; repito mentalmente kriptonina, kriptonita, tentando acalmar sua fúria. Os arroxeados da minha pele são de um negro espartilho peludo de moscas em tumultos. Exala de mim um fedor cruel. Não sorrio, meus dentes perderam o branco&amp;nbsp;leitoso e agora surgem como sangue cuspidos. Essa alquimia infernal só cede quando mudo de ideia e me decido por um banho gelado. As palavras e os sons vão me deixando. Olho fixamente para o chão, piso letras e notas. Afasto do meu cérebro os últimos resquícios de pensamentos confusos, vou ficando limpo. Volto a pensar em coisas simples, tenho fome, sinto a pele ardendo, acho que respirei indevidamente uma frase do capítulo sete do "Jogo da Amarelinha" do Cortázar. Cuspo um poema inteiro do Borges, minhas últimas leituras vão em abandonando, textos de Carpentier, Todorov,&amp;nbsp;Lessing,&amp;nbsp;Campos, um horrível da Cevasco, outro do Hall, e ainda um Bordini. Sinto-me como num conto do Poe, explicado pela modernidade de um Rosenfeld. As músicas perdem-se ralo adentro... lá se vão os novíssimos acordes do Midlake. vejo com alegria quando percebo que Bakthin e Cândido saem de mim misturados com letras de música do Luan Santana que eu não ouvi propositadamente. Estou purificado. Abro uma cerveja, como azeitonas, evito músicas e livros, resolvo dar banho no cachorro, retiro dela carrapatos e mais carrapatos, sinto que ela também está impregnada de males, sento-me no chão e vou meticulosamente limpando-a, meu cérebro está apaziguado, por hora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.e.s&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-3371327084559850002?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/3371327084559850002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=3371327084559850002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3371327084559850002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3371327084559850002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/04/os-alquimistas-estao-chegando.html' title='Os alquimistas estão chegando'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-G56RGyjDly0/TaMP9qrwLTI/AAAAAAAAAuo/VK09yNCEVUc/s72-c/pos_moderno2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-2943931213180762144</id><published>2011-04-08T13:09:00.000-07:00</published><updated>2011-04-08T13:14:46.112-07:00</updated><title type='text'>"Poemas concebidos sem pecados"</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-WZjx3IlSNpY/TZ9rQ-AT3gI/AAAAAAAAAuk/NjOZzW1EjS0/s1600/Manoel_de_Barros.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-WZjx3IlSNpY/TZ9rQ-AT3gI/AAAAAAAAAuk/NjOZzW1EjS0/s1600/Manoel_de_Barros.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo concebiam a poesia olhando para fora de sua janela. Admiravam todos aqueles mágicos da palavra que contavam histórias, fabulavam, inventavam e os encantavam. Rosa, Ramos, Drummond, Bandeira, os Andrades, entre tantos outros. Morar na periferia do Brasil era complicado, mesmo assim tentava-se manter as virtudes, fugindo ao sofrimento do dia a dia, lendo. Ler sempre é um bom lenitivo para as doses diárias de complicações que por ventura possa-se ter. Mas nunca eles se encontravam naquela poesia. Essa visão de alteridade produzia neles uma falsa impressão de presença, na verdade não eram. Ainda não haviam conduzido as sensações para o reino de papel. Ficava apenas no quase. Queriam mais e o mais se fez. Foram apresentados ao "Cabeludinho" (primeiro poema do primeiro livro de Manoel de Barros) e um novo mundo se criou. Por mundo leia-se um horizonte olhado de dentro de casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser Manoel de Barros têm raízes pantaneiras, a pessoa Manoel de Barros viajou o mundo, o futuro poeta misturou quereres num tempo repleto de transformações, o poeta Manoel de Barros condensou suas influências e da sua pena brotaram singularidades. Nascido na periferia de um país gigante, foi como um estrangeiro dentro do seu próprio país que ele morou no Rio de Janeiro. Esse estrangeiro só estava em casa no seu chão e o seu habitat natural era puro e virginal. Como um ser mutante se enuncia depois de perceber as dores do mundo e não reconhecer no outro as características mais simples? Ser multicultural antes que ser multicultural se tornasse quase um palavrão ou uma obrigação politicamente correta. Por sermos periféricos todos somos multiculturais na nossa essência mesma. Nossa visão de mundo nunca será a mesma das pessoas que vivem nas grandes metrópoles. Os grandes vazios populacionais, os grandes silêncios dos lugares que vivemos contradizem frontalmente os das pólis que acabamos conhecendo pela televisão, por fotos de revistas. Um caboclo, mesmo sendo da elite dos caboclinhos, Manoel foi transformado pelas suas andanças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo fez o poeta? O poeta fez um mundo para si? Ou mundo e poeta se misturaram numa algaravia incontrolável? Quem poderia explicar? Sabe-se que Manoel bebeu na fonte modernista, sugou do tormento das vanguardas, liquidificou tudo e o que surge sempre é uma palavra renovada que cheira leite morno. Esse passo à frente que Manoel propiciou para a poesia teve um nascedouro e ele chama-se "Poemas concebidos sem pecados", e nele ainda percebe-se um tímido e vacilante eu-lírico quase auto-biográfico. "Poemas" é um livro mínimo quando comparado a tudo o que se produzia no país à época. Mas para esta região abandonada do país é como se um Homero tivesse brotado do chão. Compulsando a vida interiorana, retratando um povo sofrido, que luta, como "Maria-pelego-preto", seu "Zezinho-margens-plácidas", a "Negra Margarida e claro "Cabeludinho"; eis que surge uma quantidade impressionante de pessoas que vivem e sobrevivem às margens da grande sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornar a esse Manoel de Barros, agora com esse olhar de quem pode perceber a diferença é encher os olhos numa vasta fonte de informações culturais. Como fazer para compreender Manoel então? Utilizando-se das armas dos formalistas que diz que a resposta está no texto, nada pode estar fora dele? Fazer como os estudos culturais que dizem: olhem, busquem a diferença, o periférico, a informações extras? Fazer como os acadêmicos com suas monografias que se atracam às suas páginas e tiram de lá eros, tanatos, realismo mágico, pós-modernismo, niilismo, tudo de maneira tão correta quando confusa? Não sei. Não existe uma resposta para isso, ler, se as pessoas somente lessem os livros, isso já seria um grande avanço. E esse livro, que completará 75 anos no ano que vem, ainda é tão abandonado e desmerecido que qualquer que seja a leitura crítica que façam dele, já terá sido um avanço no reino das letras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-2943931213180762144?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/2943931213180762144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=2943931213180762144' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2943931213180762144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2943931213180762144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/04/poemas-concebidos-sem-pecados.html' title='&quot;Poemas concebidos sem pecados&quot;'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-WZjx3IlSNpY/TZ9rQ-AT3gI/AAAAAAAAAuk/NjOZzW1EjS0/s72-c/Manoel_de_Barros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-8278798860643990659</id><published>2011-04-07T12:52:00.000-07:00</published><updated>2011-04-07T17:38:04.943-07:00</updated><title type='text'>"O mundo das palavras encolheu"</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Xa8TaAKyQLc/TZ4V2DhXkuI/AAAAAAAAAug/QeTzN5E1TMs/s1600/palavras.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-Xa8TaAKyQLc/TZ4V2DhXkuI/AAAAAAAAAug/QeTzN5E1TMs/s1600/palavras.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Bitstream Vera Sans;"&gt;&lt;span class="076300119-07042011"&gt;Havia um tempo em que a palavra comandava todas as ações. Vivia-se a palavra com muito mais ênfase do que se vive hoje. Na Bíblia está: "E Deus disse: faça-se a luz e a luz se fez"; desse princípio simbólico para a palavra até os dias atuais essa mesma palavra alcançou os píncaros da glória e hoje definha a olhos e ouvidos vistos. A palavra tinha tanto poder que nenhuma grande proposição daquelas que mudaram o mundo surgiram ser estar ancoradas nela. No tempo em que não existiam telescópios poderosos pretender informar que a Terra girava em torno do Sol só era possível através de textos, muito bem escritos. Darwin só revolucionou o mundo com o seu "Origem das espécies" pois suas palavras fizeram sentidos para a multidão de leitores e detratores dele. Freud criou a psiquiatria porque as suas explicações eram muito convincentes para quem o lia. Deus só existe como construção quase real, pois a sua "palavra" existe, e é palpável, podendo ser lida, relida e interpretada através da Bíblia, do Corão, etc. Shakespeare sozinho é responsável pela criação de mais palavras que algumas pessoas nunca falarão. De lá pra cá fomos desaprendendo, ou quem sabe fomos terceirizando a palavra separando tudo em mínimas partes. Um matemático russo consegue se entender com um matemático islandês somente através das fórmulas matemáticas, eis o silêncio da palavra. Com o passar do tempo, com a fraqueza das escolas, das famílias, dos alunos, é muito mais cômodo e prático reduzir o número de palavras empregadas, chegando assim a quase existir um linguajar de encomenda. Assista-se a televisão e ver-se-á que nos jornais não existe lugar para repórteres rebuscados, com linguajar escorreito e perfeito, pois os mesmos perdem a razão de ser quando se sabe que fala para milhões de ouvintes que esqueceram há tempos o significado de uma quantidade enorme de palavras. Ocorreu uma doutrinação pelo menos, a quantidade de palavras utilizadas beira ao semi-analfabetismo. As palavras, com a comunicação de massa, perderam o poder de conotação. As figuras de linguagem e de pensamento foram abolidas, escanteadas. Na literatura de hoje em dia o escritor precisa dizer muito mais com menos recursos, não pode se debruçar sobre o vasto repertório existente sob pena de ser considerado pedante, arrogante. Os leitores na maioria das vezes não conseguem ir além das proposições mais simples. Hoje quem comanda o mundo é a linguagem da informática, nós, pobres seres humanos, capengamos nesse mar de novidades, teclando cada vez menos palavras, para darmos conta de tanta informação que nos circunda e que nos atravessa. Somos trespassados pelas palavras, mas as palavras já não significam tanto. A palavra de hoje em dia está gasta, como propôs Steiner. A utilizamos até o limite, e compreendemos, enfim, que para sermos atendidos em nossos desejos temos a necessidade mais da potência, brevidade e repetição do grito que da força de uma grande exposição. Em tudo isso se vê a mão obtusa do mercado. Uma propaganda não necessita de grande quantidade de palavras para ser entendida, logo, como se consegue vender produtos com jingles e não mais com músicas, com bordões breves e obtusos até, por extensão vamos desnecessitando de uma grande quantidade de palavras para nos comunicarmos e elas vão sendo abandonadas aos dicionários. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.e.s&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-8278798860643990659?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/8278798860643990659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=8278798860643990659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8278798860643990659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8278798860643990659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/04/o-mundo-das-palavras-encolheu.html' title='&quot;O mundo das palavras encolheu&quot;'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Xa8TaAKyQLc/TZ4V2DhXkuI/AAAAAAAAAug/QeTzN5E1TMs/s72-c/palavras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-6294780568357367831</id><published>2011-03-31T08:49:00.000-07:00</published><updated>2011-03-31T14:55:03.367-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CQC'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Preta Gil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bolsonaro'/><title type='text'>Rainha de copas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-37Fa4nlSoYg/TZShruRiIdI/AAAAAAAAAuc/jo2mftKQ21A/s1600/rainha-de-copas3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-37Fa4nlSoYg/TZShruRiIdI/AAAAAAAAAuc/jo2mftKQ21A/s320/rainha-de-copas3.jpg" width="216" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O deputado Bolsonaro se encrencou de novo. Falastrão, boquirroto, foi ao CQC e num 'se levanta que eu chuto', chutou o pau da barraca. Defendo ele naquele caso, não que ele mereça isso, apenas dá pra perceber que a resposta, horrível e que seria horrível também se fosse a resposta para a qual ele pensava estar dando a resposta, ainda assim dá pra ver que ele trocou as bolas e mandou ver um monte de impropérios em cima da Preta Gil. Não contente depois do primeiro burburinho criado, no outro dia, agora no velório do Zé de Alencar aprontou outra e mandou ver que não liga a mínima para os gays. Até aqui são fatos públicos e notórios, daqui por diante ninguém sabe onde isso vai parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém paga nada por falar de menos, não? Quando você confunde seus credos, suas ideologias, seu modo de perceber o mundo achando-os únicos e acima de qualquer suspeita, você está a meio caminho da desgraça. Bolsonaro faz isso, parece que é um marketing com método. Ele não fala as barbaridades que diz em público sem saber que o faz para "o seu público". Ele é um deputado, necessita de votos para se reeleger e se reelege eleição após eleição, logo ele tem eleitores fiéis. De tempos em tempos jornalistas espertinhos, que precisam de uma manchete, o entrevistam, e ele não se faz de rogado e manda falatório nos assuntos que acredita estar com a verdade. A verdade quase nunca está com ele. Pessoa que parece parado no tempo, estagnado numa concepção de um mundo ilídico, perfeito; um universo ariano permeia a cabeça do deputado, mas quanto a isso ele não está sozinho e muitos adoram seu estilo pois têm também um universo parecido em suas cabeças, apenas sabem que não sãos deputados e nem contam com foro privilegiado para discutir qualquer encrenca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deputado acabou dando de bandeja sua própria cabeça. É que o mundo mudou. Aquele tempo preconceituoso, elitista, (em tese) acabou, ficou para trás. O mundo está sendo reordenado e as minorias agora podem clamar por igualdade e fraternidade do alto das suas trincheiras de batalha, e, como ninguém é bobo e os tempos mudam, o mais certo para que um passado não tão remoto volte a assombrar é ter uma lei para chamar de sua, se não tiver uma lei particular não serve. E eis que o deputado se presta a esse serviço. Seu destempero verbal, permeado de um pensamento fascista serve à causa justamente que mais odeia. Seu ódio, ao meu ver é injustificável, mas ele será imolado vivo, as minorias precisam de um copo de sangue fresco para comprovarem suas teses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse diálogo de surdos em que estar ao lado das minorias parece mais ser uma obrigação moral, tal e qual as bolsas governamentais (quem está contra é contra o povo), o discurso errático do Bolsonaro serviu sob medida e as ditas minorias ficaram com o queijo e a faca nas mãos. Todo mundo precisa ter como se defender de pessoas como Bolsonaro, ainda bem que por terem sido minorias durante tanto tempo agora mostrarão que são pessoas centradas, equilibradas, o perdão pende diante da cabeça do detrator. Os jacobinos só gritarão: "cortem-lhe a cabeça", e todos ficarão satisfeitos por verem cair uma cabeça que não a sua. Só uma pergunta, quem nos defende dos radicais contrários a Bolsonaro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio é a chave, e da arquibancada assistiremos as próximas rodadas. Será isso que Martin Luther King chamava de o silêncio dos bons? Eu sou bom? E o que manda a Constituição? Dane-se a constituição se for para o bem da cidadania? Deixa ver... claro que não!!! Errou que pague, mas que não precisemos tirar as crianças da sala por conta disso, como um grande espetáculo pedagógico do tipo "tá vendo? Não mexe com a gente!". E a moderação morreu de overdose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;w.a.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-6294780568357367831?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/6294780568357367831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=6294780568357367831' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/6294780568357367831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/6294780568357367831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/rainha-de-copas.html' title='Rainha de copas'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-37Fa4nlSoYg/TZShruRiIdI/AAAAAAAAAuc/jo2mftKQ21A/s72-c/rainha-de-copas3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-350711820386973750</id><published>2011-03-31T07:46:00.000-07:00</published><updated>2011-03-31T08:58:18.323-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José de Alencar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='céu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>O céu pode esperar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-aiTDizlpuZM/TZSTsjDUDHI/AAAAAAAAAuY/KIbY3K68Of4/s1600/jose.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-aiTDizlpuZM/TZSTsjDUDHI/AAAAAAAAAuY/KIbY3K68Of4/s1600/jose.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;José de Alencar morreu. Foi um grande homem em vida. Merece todas lágrimas, todos os rostos compungidos. Foi um lutador, sempre. De infância pobre alcançou os píncaros da glória sendo empresário bem sucedido e ainda, glória das glórias terrenas, vice-presidente e por extensão diversas vezes presidente em exercício do Brasil. Agora terminado esse ciclo já vi muitas charges mostrando um Zé Alencar todo vestido de branco, subindo as escadarias do céu. Senhores, tenho uma triste notícia para lhes dar: acabou. José de Alencar que intentou viver mais e mais, num apego maravilhoso pela vida, no íntimo sabia, só se vive uma vez, e Deus, que Nietzsche já matou há tempos, continua morto e enterrado. É chato acabar com uma festa tão bonita, para uma pessoa que valorizou a vida mais que muitos. Para quem não compreende isso, e vive esperando o maná tornar a cair, não cairá. Que vive esperando a arca perdida, a arca era uma metáfora. Agora, enxugado as lágrimas, a nossa vida continua, bola pra frente que atrás vem gente, pois o paraíso e o inferno se realiza todo dia dentro e ao redor da gente e a morte é o sentimento de perda que sente quem fica não quem vai. O céu não passa de mais uma figura/imagem/símbolo, acho que vocês conseguem lidar com isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a.p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-350711820386973750?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/350711820386973750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=350711820386973750' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/350711820386973750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/350711820386973750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/o-ceu-pode-esperar.html' title='O céu pode esperar'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-aiTDizlpuZM/TZSTsjDUDHI/AAAAAAAAAuY/KIbY3K68Of4/s72-c/jose.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-103445690202071296</id><published>2011-03-30T07:41:00.000-07:00</published><updated>2011-03-31T09:00:11.183-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='extraterritorial'/><title type='text'>Borges extraterritorial</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Yqd4JLlfTH8/TZNA9dMO--I/AAAAAAAAAuU/-VO_bNFDDtA/s1600/borges.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-Yqd4JLlfTH8/TZNA9dMO--I/AAAAAAAAAuU/-VO_bNFDDtA/s320/borges.jpg" width="209" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia Jorge Luis Borges, o escritor argentino, é uma sumidade. Nem sempre foi assim. Sua repentina fama data do ano de 1961 quando ganhou juntamente com Samuel Becket o prêmio Formentor. Depois disso o mundo repentinamente sentiu-se atraído por quase tudo que ele escreveu, e passou-se a consumir avidamente suas estranhas iguarias. Ironia das ironias para quem vendeu apenas 37 exemplares do primeiro livro. Hoje em dia Borges é uma marca, sozinho é uma empresa lucrativa que vende muito a cada reedição. Suas monomanias agora tornaram-se a dos leitores: livros, bibliotecas, a cegueira, espelhos, labirintos, tigres, um outro eu, o tempo. Pensar que talvez por não ser tão conhecido Borges pudesse ter abandonado tudo, começado a escrever sobre outros assuntos, mas não, ele sempre permaneceu fiel a si mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borges depois de conhecido mundialmente passou a ser copiado ostensivamente. Suas características podiam ser simuladas por escritores atentos, e foi o que fizeram, criaram do universo borgiano uma alegoria kafkiana, um mundo inundado de alephs, suspenses, intrigas. Mesmo assim, impressiona como um mundo particular ultrapassa o espelho e atinge todas as realidades possíveis. É que por trás das peculiaridades borgianas tinha um gênio de extremo e apurado rigor linguístico. Tudo é linguagem e a linguagem que salta da erudição de Borges é quem mantem de pé, por tanto tempo, o edíficio de suas obras. Suas particularidades escondem-se sobre o manto da universalidade, Borges está em casa em casa falando o inglês, francês, alemão, italiano, português, anglo-saxão e nórdico antigo, e é óbvio o espanhol, sendo que ainda tentou aprender japonês quando era bem velho. Borges é extraterritorial, escarafunchando o mundo que o rodeia, sendo guiado pelo seu "báculo indeciso", penetrando em diversas culturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como explicar sua intrincada trama de alusões bibliográficas, reais ou inventadas; as citações são ás vezes tão eruditas que deixam o leitor perdido; suas referências cabalísticas, filosóficas, fazem, nesse tempo em a sabedoria parece ter fugido da face da terra, perceber que seu conhecimento beira a uma construção surrealista. É surreal o modo como Borges inventa e se reinventa o tempo inteiro sem sair do mesmo lugar. Repete, repete mas nunca se repete. Borges faz um inventário da civilização, salvando pequenos fatos do ostracismo, dando-lhe uma nova concepção, tornando desnecessidades em fatos quase reais e profundos, a golpes de muita imaginação. Toda sua estratégia baseia-se em reagrupar "peças da realidade sob a forma de outros mundo possíveis". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua concisão é o lugar de onde se enuncia. Do formato de contos, que teve por mestres Tchekov, Maupassant, Borges ergue um mundo extremamente fechado. Se hoje podemos dizer que temos uma vasta memória, Borges está na origem dela. Sua brevidade, aliada a sua erudição, somado a uma imaginação prodigiosa ainda assim não conseguem explicar de todo o fenômeno Borges. Ele mesmo explica que sua visão, a princípio fraca, depois nenhuma, o obrigam a compor mentalmente e que assim erguer um romance seria uma prova de força, uma complicação desnecessária, logo, acabou criando no formato de contos obras-primas justamente por conseguir de um só folêgo contar uma história que necessariamente não precisava de um fecho, ou até mesmo podia ficar sem aprofundar muitos fatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borges insere-se nessa categoria dos escritores que partindo do seu idioma pátrio, conseguiram através da apreensão de novos idiomas, uma complexidade no modo de pensar; um, talvez, olhar oblíquo diante de um mundo estranho. Como Becket, Nabokov, Wilde, Pound, Conrad, Borges ultrapassa a barreira da linguagem, expressando-se ou compreendendo outras línguas. Esse acesso a uma infinidade de possibilidades textuais ampliaram seu universo pessoal e ao misturar nesse caldo extraterritorial suas teimosias ou credos, surgiu esse Borges colossal que temos hoje. Uma soma misteriosa de partes localizadas em bibliotecas esquecidas. "O grande escritor é tanto anarquista quanto arquiteto, seus sonhos solapam e reconstroem a remendada e provisória paisagem da realidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: "Tigres no espelho". In: STEINER, George. Extraterritorial - a literatura e a revolução da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-103445690202071296?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/103445690202071296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=103445690202071296' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/103445690202071296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/103445690202071296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/borges-extraterritorial.html' title='Borges extraterritorial'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Yqd4JLlfTH8/TZNA9dMO--I/AAAAAAAAAuU/-VO_bNFDDtA/s72-c/borges.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-406703609379303630</id><published>2011-03-28T18:27:00.000-07:00</published><updated>2011-03-29T04:16:32.778-07:00</updated><title type='text'>Bullying piauiense</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7PX0UWB4z24/TZE1ciMvbDI/AAAAAAAAAuQ/uRKcGHKHjpM/s1600/bandeira.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="221" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-7PX0UWB4z24/TZE1ciMvbDI/AAAAAAAAAuQ/uRKcGHKHjpM/s320/bandeira.gif" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não é de hoje que na grande escola que é o Brasil o Piauí vem sofrendo bullying. Sempre aparece um grandão e dá uma chapoletada na orelha do estado. Parece que é engraçado fazer isso. O Piauí, coitado, sofre; sofre, mas não sofre calado. Quanto mais apanha, quanto mais sofre bullying, mais ele se agiganta. O Piauí está de cabeça quente, chateado mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da outra vez foi o presidente da Philips que disse a singela frase: “se o Piauí deixasse de existir, ninguém ficaria chateado por isso”. Foi transformado em persona non grata no estado. Mesmo pedindo desculpas uma onda de protestos grassou o tortuoso estado. Agora um ator de teatro – Marauê Carneiro, na véspera de apresentar uma peça, disparou sua sentença de morte numa postagem no Facebook: “estamos em Teresina, do Piauí, se o mundo tem cu, o cu é aqui”. Que beleza. Levou outra saraivada de tapas na orelha (metafóricos, é claro). Saiu ameaçado de&amp;nbsp;fazerem omelete na sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem algo de errado com o Piauí que eu não saiba? Todo mundo quer tirar uma onda com o estado? Se fosse pelo tamanho tinha que sacanear Sergipe, o Distrito Federal, Alagoas quem sabe, ou o Acre, esse sim um bom lugar para ser o cu do mundo, não? Longe pacas e ainda lembra uma boca aberta de um desenho animado. Mas não, vira e mexe eis que alguém apronta com eles, os piauienses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo sabe que o bullying é pernicioso para quem o sofre. Pode aquele que passa por isso desenvolver problemas psicológicos, ter sua alto-estima rebaixada pelas sacanagens sofridas. Podemos estar criando um estado que desenvolva tiques nervosos, que passe a demonstrar um ódio excessivo para qualquer pessoa que não seja nativo da região. Por isso proponho que, em retaliação aos sacanas que praticam o bullying contra o estado do Piauí, seja promovido o Dia do Piauí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos terão que prestar sua homenagem ao Piauí, comendo suas comidas típicas, ouvindo suas músicas típicas, e tudo o mais que for típico da região. Nas escolas do Brasil inteiro as aulas serão sobre o Piauí. Em Geografia estudarão, ou melhor, apresentarão trabalhos sobre o relevo do estado, explicação para o estado ser torto parecendo um biscoito caseiro feito por uma criança ou um ectoplasma saído do filme Caça-fantasmas; falarão sobre os rios que cortam o estado. Na aula de História, é óbvio, contar-se-á a formosa história do estado, aproveitando para ver se encontram uma explicação para tanto bullying; será que o estado sofreu bullying quando era criancinha e não aprendeu a enfrentar seus problemas, e agora todo mundo aproveita para tirar uma casquinha? Na aula de Português os alunos aprenderão o piauiês, a variante lingüística do português na região, que como todos sabemos, não está certo nem errado, pois isso não existe mais, o importante é que o falante se comunique. Na aula de Literatura estudaremos Mário Faustino, Assis Brasil, Torquato Neto, Abdias Neves, Alvina Gameiro, Ovídio Saraiva, Licurgo Paiva, Hermínio Castelo Branco, Francisco Gil Castelo Branco, Da Costa e Silva, Abdias Neves, entre outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe depois desse castigo severo, o Brasil não se emende e compreenda de uma vez por todas que bullying é crime. Deixem o Piauí em paz, senão o próximo passo é dar a independência para o estado, que passará a se chamar Oeiras, para poder esquecer seu passado de sofrimento com o bullying,&amp;nbsp;e isso poderá ser o fim do Brasil como o conhecemos, logo depois teremos o país dos Farroupilhas, o país dos Barrigas Verdes, o dos Loiros de Olhos Azuis e em sendo assim, é óbvio que clamarei pela independência da Nhecolândia que foi onde nasci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.e.s&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-406703609379303630?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/406703609379303630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=406703609379303630' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/406703609379303630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/406703609379303630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/bullying-piauiense.html' title='Bullying piauiense'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-7PX0UWB4z24/TZE1ciMvbDI/AAAAAAAAAuQ/uRKcGHKHjpM/s72-c/bandeira.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7500896498530265403</id><published>2011-03-28T14:07:00.000-07:00</published><updated>2011-03-28T14:10:08.283-07:00</updated><title type='text'>Yes, nós temos Bananas!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ZnpQKSPU_1E/TZD4eJM8yrI/AAAAAAAAAuM/6JfTnoszE-A/s1600/miranda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="236" r6="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-ZnpQKSPU_1E/TZD4eJM8yrI/AAAAAAAAAuM/6JfTnoszE-A/s320/miranda.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na Europa a banana é, hoje, o símbolo máximo do racismo. Coitada da fruta. Decadência total. Já foi chapéu e não saía da cabeça da Carmem Miranda; era comida preferida do Guga entre um set e outro, quando ele dominava o circuito mundial, agora é uma forma metafórica de dizer: macaco e por extensão negro ou gringo. Países que produzem bananas deviam se juntar e exigir reparação urgente, estão denegrindo a banana, essa fruta saborosa e cuja antiguidade merecia um respeito maior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banana já foi chamada pelo romano Plínio de "a fruta dos sábios". Dizem até que a fruta que desgraçou Adão e Eva foi a banana e não a maçã, mas por ela ter esse sentido fálico optou-se pela maçã, vermelha, despudorada, para assim criar uma métafora consistente de pecado. Também contribuiu para o erro as traduções erradas para o latim do hebreu, na vulgata de São Jerônimo ele optou pela palavra "malum", que quereria dizer "malicioso", mas "malum" siginificava maçã em latim, assim adeus banana da Bíblia. Outro erro crasso de tradução seria a já famosa roupa do casal depois de expulsos do paraíso, segundo consta eles vestiriam folhas de figueira para cobrirem seus corpos nus, mas todos sabemos que folha de figueira não cobre nada, e isso seria outro erro de tradução, pois banana durante um bom período era chamado de figo. Logo Adão e Eva vestiam isso sim vastas folhas de bananeiras, ou então teriam criado os primeiros biquinis que setem notícia com as minúsculas folhas de parreiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo e a história têm sidos péssimos amigos da banana. Desde Pápua-Nova Guiné, 5000 a.C., passando pela África, Oriente Médio, Europa, até chegar às Américas a banana teve uma vida muito atribulada. O nome banana foi dado pelos negociantes árabes, pois eles a chamavam de banan, que quer dizer dedo em árabe. A fruta uma vez aqui nas Américas sentiu-se em casa e proliferou à vontade. Mas uma vez na América nunca antes uma fruta havia mexido tanto com os poderosos. O homem já havia feito loucuras por ouro, prata, seda, temperos, açúcar, café e então passa a ser a banana a bola da vez. A Unidet Fruit em 1920 é uma megacorporação e manda e desmanda nos países em que tem terras e bananas. É uma época negra em que as empresas com todo o apoio da Casa Branca transformam seus territórios em verdadeiros países e criam o que se chamou de "Repúblicas das Bananas" para nações cujos governantes construíram-se e mantiveram-se orbitando entre as companhias e o governo americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se a banana não teve uma vida muito virtuosa não é por culpa dela. Fruta facilmente cultivável, aqui no Brasil vários quintais tem seus próprios bananais para consumo. Nos mercados uma vastidão de tipos para todos os gostos: nanica, prata, ouro, da terra, d'água. É preciso que se diga ao mundo que nós, brasileiros e porque não latino-americanos em geral não admitimos que uma fruta como a banana tenha seu nome atado a casos de racismo. Precisamos limpar o nome da banana, quem sabe agora os jogadores entrem em campo com cachos de bananas que seriam doados para instituições de caridade depois do jogo. Ou então no lugar das estrelas que indicam quantos títulos mundiais temos, colocarmos singelas bananas, numa edição limitada que tenho certeza venderá muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao racismo não há muito o que fazer, descobrir quem são esses dementes, banir dos estádios isso já basta, pois um racista dificilmente deixará de ser racista por alguma didática qualquer, isso é questão de educação. Jogadores de futebol podem e devem se defender continuando seu trabalho dentro de campo, marcando gols, jogando bonito, já a coitada da banana essa precisa que a defendamos. A banana exige uma reparação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;w.a.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7500896498530265403?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7500896498530265403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7500896498530265403' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7500896498530265403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7500896498530265403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/yes-nos-temos-bananas.html' title='Yes, nós temos Bananas!'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ZnpQKSPU_1E/TZD4eJM8yrI/AAAAAAAAAuM/6JfTnoszE-A/s72-c/miranda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-3701337561999231591</id><published>2011-03-28T06:52:00.001-07:00</published><updated>2011-03-28T10:29:08.588-07:00</updated><title type='text'>Diálogos sobre diálogos</title><content type='html'>Sabe como enfrentar o medo? Tendo medo de ter medo. Montaigne dizia isso: "a coisa que mais tenho medo é de ter medo", concordo. Mesmo que em momentos extremos eu não saiba como evitar que minhas pernas tremam, que minha voz não saia, que meus gestos percam-se na tentativa e no não acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu que tantos fui", Borges começa assim um dos seus inumeráveis poemas. Sempre me pego perguntando se essa monomania borgiana, essa obsessão pela repetição temática não está na raiz do seu sucesso. Repetir, repetir, repetir, até isso se tornar um estilo, foi Manoel de Barros quem escreveu isso ou algo parecido; Borges escrevia diversas vezes o mesmo conto, o mesmo poema, olhando para eles por um ângulo diferente e o resultado é que sempre parecia que estava falando algo novo, mas nada mais era que repetição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunta ingênua: qual a razão das televisões brasileiras nunca passarem na sessão da tarde um filme argentino? Um filme chileno, uruguaio, mexicano, paraguaio (no Paraguai fazem filmes?); pois é, vou dar um chute, filmes latinos trazem uma realidade próxima a da brasileira, pobreza, lugares ermos e feios, corrupção, pessoas que fogem ao estereótipo dos filmecos americanos, logo, não existe o menor interesse de ninguém para que esses filmes sejam vistos. Por uma sessão da tarde menos idiota poderíamos criar uma campanha assim. Será que rolaria? Nunca vi ninguém defender nem o cinema brasileiro, quanto mais os dos hermanos de desgraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil vive um momento de ufanismo total. Ser brasileiro está na moda, estamos surfando na crista da onda. Aqueles que ousam apontar defeitos, qualquer defeito que seja, são apedrejados até a morte da voz, como foi Madalena em alguma realidade alternativa. Mesmo assim, em meio a tanta coisa superlativa acontecendo, não consigo entender a razão da educação continuar um lixo. Sendo tratada com pão-de-ló estragado da publicidade, com professores desanimados e loucos para abandonar o barco antes que a insanidade os alcance, ou que algum aluno aponte para eles dedos de Judas ou pais os ameacem de morte por não passarem o filhinho querido do coração, mesmo que esse filhinho seja o pior aluno da sala, quiçá do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio pudoroso de Dilma vem sendo confundido com talento. Os jornalistas - esses seres emblemáticos - vivem a tecer loas ao "estilo" criado por ela. Toda uma estratégia de marketing pra colar nela a imagem de uma pessoa que fala pouco e faz muito, justamente para ser uma oposição ao estilo Lula que falava demais e segundo a lenda fazia demais também. O importante é que acreditem que ela seja diferente onde tem que ser diferente e igual onde deve ser igual, afinal ambos são grãos de soja colhidos no mesmo campo, o do populismo. Em sendo assim ela só fala de vez em quando, em conversas e discursos escolhidos a dedo, mesmo assim, nesses momentos, transparece aquela mulher de pensamento e fala tortuosos e complicados de se entender; algo de bom nisso, está para ser criado uma profissão do futuro: tradutor e intérprete do dilmês que ela fala. Professores de Letras à postos, vamos mergulhar nesse lodaçal - ops - nesse mar de informações e colocar mãos à obra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;“Aqui, senhor presidente Obama, sucedo a um homem do povo, meu querido companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, com quem tive a honra de trabalhar. Seu legado mais nobre, Presidente, foi trazer à cena política e social milhões de homens e mulheres que viviam à margem dos mais alimentares (sic) direitos de cidadania”. (Dilma discursando na visita do Obamis)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;“Na minha humildade, né, no meu chinelo da minha humildade, eu gostaria muito de ver o Neymar e o Ganso. Porque eu acho que 11 entre 10 brasileiros gostariam. Porque deu alegria ao futebol. Porque, a gente… Eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê. E acho que o Neymar e o Ganso têm essa capacidade. Fazê a gente olhá.. Porque é uma coisa que, né, mexe com a gente. Tem esse lado brincalhão e alegre”. (Dilma batendo uma bolinha com a língua mátria)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-3701337561999231591?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/3701337561999231591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=3701337561999231591' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3701337561999231591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3701337561999231591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/dialogos-sobre-dialogos.html' title='Diálogos sobre diálogos'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-4394689084764348461</id><published>2011-03-28T05:42:00.000-07:00</published><updated>2011-03-28T05:42:59.568-07:00</updated><title type='text'>Manual do crente: a guerra entre-mundos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-fQrU2WJwZbY/TZCCRYNt9HI/AAAAAAAAAuI/EbKvHoysw4s/s1600/Wmetal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-fQrU2WJwZbY/TZCCRYNt9HI/AAAAAAAAAuI/EbKvHoysw4s/s1600/Wmetal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O maior desejo dos crentes é o de se separarem do mundo dos não-crentes. E as estratégias são variadas e metódicas. Há uma obrigação na interação, crentes precisam trabalhar, assim como os não-crentes. Crentes precisam de todas as coisas que os não-crentes. É uma concessão apenas. Conviver no mundano universo dos não-crentes é para eles pesaroso e complicado, para descomplicar eles erguem catedrais babélicas, organizam festas gospel, montam bandas gospel, adoram até o heavy metal dos não-crentes, mas o chamam de white metal. Em suma, como diz Borges criam uma cópia do espelho que chamam mundo e nele se regozijam. Há justiça aí? É óbvio que para todos cabe a possibilidade de escolher entre um dos mundos e nele tentar da melhor maneira se sentir bem. Mas existirá um tempo em que os mercados, os açougues, as padarias, o tio do churros, todos serão crentes e nesse dia espero que pelo menos as lojas de conveniências escapem desse surto, senão compraremos cerveja sem álcool e o troco será cartela de adesivo do smilingüido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande problema é que se contrapor ao mundo não evita que tenham que viver no mundo. Não há concessão possível que evite o mundo. Crentes e não-crentes precisam do maior dos pesadelos do mundo: o dinheiro. Crentes e não-crentes são moídos pela grande máquina do mundo indistintamente. As empresas não perguntam sua religião, pelo contrário, para que os funcionários sintam-se bem dentro da empresa, toleram as grandes reuniões em que não se discute trabalho, os famigerados grupos de oração ecumênicos, enquanto isso acendem, os proprietários, vela para qualquer deus que faça que ao fim do dia, do mês e do ano, com que os cofres da empresa estejam mais abarrotados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada melhor para exemplificar esse embate sangrento entre crentes e não-crentes do que o universo da música religiosa. Padres, pastores, ex-drogados, ex-atrizes, ex-sambista do diabo, ex-cantor de axé do capeta, 'ex-tudos' se misturam nessa algaravia chamada música gospel. Erguem as mãos, dão glória a Deus, fazem o mais refinado pagode do senhor, fazem o mais dramático rock n'roll, fazem até o bonde do senhor ou o 'gospelnejo' universitário. Segregam-se para melhor poderem viver a sua fé, sem que os outros, os não-crentes venham se misturar ao bando, não que não possam, mas para isso é necessário a conversão. Vivem no fim, num mundo de mentira em que imitam todos os conceitos criados pelos não-crentes e ainda acham que são melhores, pois, aparentemente, não bebem, não fumam, não fazem sexo indiscriminadamente, como se no mundo dos não-crentes fosse feito só isso, o tempo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os crentes se subdividem em crentes moderninhos e crentes arcaicos. Os moderninhos estão à frente ou misturado a toda gama de novidades implantadas nas igrejas, templos e outros. Deles emana os padres pop-stars; os bispos que pregam através de curas milagrosas, os exorcismos ao vivo. Esses são minorias dentro do seu próprio universo, essa vontade de ser moderno, atual, faz com que transformem e ampliem o sentido de crença, angariando novos crentes, tão crentes quanto os crentes arcaicos, que são aqueles tradicionais. Por eles missa voltaria a ser em latim, padre seria só padre e em cultos não haveria tantos gritos catárticos. Uma verdadeira babel entre os crentes, que mesmo que não se entendam entre si mesmo, preferem olhar para o outro lado e apontar o dedo para os não-crentes e dizer apontando esse mesmo dedo para o céu que “Ele vai voltar”. Os não-crentes, independente da volta D'ele, seguem sua rotina de beber, fumar, fazer sexo, e pactos com o capeta, que é o que os crentes acham que os não-crentes fazem o tempo inteiro, enquanto o mundo segue moendo os dois, separados, grupos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a.p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-4394689084764348461?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/4394689084764348461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=4394689084764348461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4394689084764348461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4394689084764348461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/manual-do-crente-guerra-entre-mundos.html' title='Manual do crente: a guerra entre-mundos'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-fQrU2WJwZbY/TZCCRYNt9HI/AAAAAAAAAuI/EbKvHoysw4s/s72-c/Wmetal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-2763024459952227183</id><published>2011-03-25T07:27:00.000-07:00</published><updated>2011-03-25T07:27:18.955-07:00</updated><title type='text'>Manual do crente: o nosso mundo e o mundo deles</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-87DXwqqApB8/TYymPPDsqyI/AAAAAAAAAuE/aqknKuKMU0M/s1600/cega.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-87DXwqqApB8/TYymPPDsqyI/AAAAAAAAAuE/aqknKuKMU0M/s1600/cega.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A maior divisão entre pessoas na face da terra é a separação entre os crentes e os não-crentes. Existe uma cratera separando esses mundos e a comunicação entre eles se dá mais por espiões que transitam entre essas duas construções, ou arrependidos de um ou de outro lado que migram para a fronteira inimiga e assim passam a conhecer ambos os mundos. Para os crentes existe um mundo espiritual, que seria a verdadeira realidade da vida. Aqui, passamos por uma fase, a vida mesmo acontece depois; quem não tem fé está fadado ao ostracismo do inferno. Logo, não crer é não ser deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença é que produz a beleza deste mundo. Se todos fossem iguais, viveríamos num “Admirável Mundo Novo” e aquela visão excruciante de um mundo de castas e cores pré-definidas dói só de ser pensada. Mesmo assim o mundo é apolíneo por definição. A religiosidade é vivida num universo impregnado de falsas ideias. Construir uma nova divisão, num mundo que já é completamente dividido em várias outras áreas do viver, é ponderar com o impossível. Para o crente o mundo deles é o melhor dos mundos, e o que subsiste nesse hipotético mundo, são questões sobre como podem os outros não fazerem parte dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os crentes creem habitar um universo diferente dos não-crentes; mesmo inexistindo uma certeza racional para a existência desse mundo encantado, esse reino metafísico que enche a cabeça e esvazia o corpo. Qual seria a localização exata desse mundo? Como encontrá-lo? Quem sabe alguém possa, como Galileu que fez os cálculos exatos da localização do Inferno, indicar esse reino espiritual; se olhamos para o céu vemos nuvens, e não um soberano de barbas brancas sentado nele com uma imensidão de almas boas vagando felizes e prazenteiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande realidade é que se você é daqueles que responde questionários dizendo-se sem religião, você, aos olhos dos crentes, torna-se um pária. Para eles não é possível que você não queira ter essa dupla cidadania: a terra e o reino dos céus. Invariavelmente o tratamento dispensado para você, um não-crente, será o mesmo dispensado para o lixeiro, para o pedinte, você ou se tornará um ser invisível ou será agraciado com toda a atenção do mundo, por se transformará numa obsessão do outro; o crente ou te abandona às traças ou quer ter converter à força se der, pois acham que é só sair repetindo trechos e trechos da Bíblia que você se comoverá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que existem amizades entre crentes e não-crentes, mas será sempre uma amizade receosa. Essa barreira existencial advém da dificuldade de compreensão, mais dos crentes do que dos não-crentes, pois para o crente qualquer brincadeira envolvendo, mesmo que de maneira distante, religião, logo termina em calorosas discussões. Para os crentes se você não crê, logo não pode, em hipótese nenhuma, emitir pareceres sobre o mundo livre de amarras como você quer. Isso pode ser ouvido e futuros crentes podem ser tocados em sua incipiente fé e abandonarem o futuro barco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema maior é como conseguir penetrar no mundo do crente, geralmente isso se dá de uma maneira bem simples, o não-crente abandona o seu mundo e passa a professar alguma fé, de maneira nenhuma são admitidos turistas naquele mundo. Ou se entra inteiro ou fica de fora dessa grande festa possível. Agora se você não quer se converter resta a você visitas extemporâneas. Como para o não-crente tanto faz como tanto fez o modo que o crente leva sua vida, desde que ele não tente de maneira ostensiva furar essa fronteira entre-mundos, com pregações vãs, logo é possível a convivência pacífica. O mesmo não pode ser dito dos crentes que acreditam piamente ser impossível que alguém não creia em céu, Deus, Pai, Filho, Espírito Santo e santos, e andam sempre a apontar o dedo para os problemas terrenos dos não-crentes e dizendo: “viu, fulano morreu de tal doença pois não acreditava em Deus”. Pode? Não pode. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a.p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-2763024459952227183?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/2763024459952227183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=2763024459952227183' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2763024459952227183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2763024459952227183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/manual-do-crente-o-nosso-mundo-e-o.html' title='Manual do crente: o nosso mundo e o mundo deles'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-87DXwqqApB8/TYymPPDsqyI/AAAAAAAAAuE/aqknKuKMU0M/s72-c/cega.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-589215366278485397</id><published>2011-03-24T09:16:00.000-07:00</published><updated>2011-03-24T09:16:06.034-07:00</updated><title type='text'>Serviço de (in)utilidade pública</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-30gOmW94tJ8/TYtuN_QV-yI/AAAAAAAAAuA/7nPMrxkjFGQ/s1600/11082732.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-30gOmW94tJ8/TYtuN_QV-yI/AAAAAAAAAuA/7nPMrxkjFGQ/s320/11082732.jpg" width="197" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;1. A multinacional do comércio de bananas Chiquita Brands está sendo processada pela morte de 931 pessoas numa zona bananeira na Colômbia. Foi só eu ou mais alguém pensou: "a vida imita a arte?", pois quem leu "Cem Anos de Solidão" recorda-se da sequência em que os trabalhadores de uma multinacional em Macondo são mortos e os corpos jogados no mar, para desespero de um dos Buendía que sobrevive, mas acaba passando é por louco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. "Eu sempre digo, e ouço, que não seria estranho se tivesse existido uma civilização em Marte, mas talvez o capitalismo tenha chegado lá, o imperialismo chegou e acabou com o planeta" (Hugo Chávez) (???), pois é, em alguns países, que antes eram chamados de subdesenvolvidos, e agora chamam de em-desenvolvimento, parece que a única coisa que não se desenvolve é o cérebro dos que comandam os países. É uma aptidão para a estupidez que seria engraçada se não fosse trágica...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. No meio da confusão com o blog da Bethânia quem ficou quietinho foi o Nando Reis, ele emplacou lá o seu "Bailão do Ruivão", vai levantar a grana e sair fazendo seus shows; ah tá, então tá. Mas se me perguntassem se eu queria que meu dinheiro fosse usado pelo ruivão, eu diria, "never, never, never", pelo amor de God. Ninguém merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Elizabeth Taylor morreu. Quem? Liz Taylor. Quem? Pois é, como atriz só os cinéfilos lembram-se dela. O resto vai lembrar dela pelos 'enes' casamentos; por ela ser a melhor amiga de Michael, mas alguma coisa? Jóias? Pela tragédia que foi o filme Cleópatra. Aqui no Brasil morre atriz muito melhor todo anos às pencas; morre pessoas muito melhores e ninguém fala nada, mas como durante a nossa vida inteira sempre topamos com o glamour de Hollywood nas nossas vidas, quando morre alguém de lá, algumas pessoas daqui sentem como se tivessem perdido um irmão. Não era, vai ser mais uma que será imortalizada em fotos geniais em preto e branco, nada mais. Pra grande maioria ela era mais um inacreditável nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. O Sarney lançou uma biografia autorizada. Deve se inscrever naquela categoria de livros que compram por obrigação e logo lotam as prateleiras dos sebos desse meu Brasil varonil. É um bom livro pra se fazer tiro ao alvo, sabe com aquelas espingardas de chumbinho, com que se matam passarinhos por aí? O quê? Ficaram horrorizados em saber que se matam passarinhos aos montes por aí com espingarda de chumbinho? Então comprem o livro do Sarney e aí vão ver "o horror, o horror".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. O bullying foi um dos temas da semana. A cena do gordinho levantando o magrinho chato e jogando ele com força no chão foi hilária, e logo ele tinha uma legião de fãs. Os frascos e comprimidos sempre se unem na dor e desgraça alheia. Mas quem nunca sofreu bullying na vida aperta aqui. O bullying tinha que ser institucionalizado isso sim, tirar um dia só para bullingzar o outro, tal qual a ideia de legalizar as drogas para diminuir o consumo, se com droga pode, porque não com o bullying? Seria uma beleza, eu poderia me vingar daqueles que me enchiam o saco todo santo dia, seria o dia da forra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Bruna Surfistinha o filme chegou aos dois milhões de espectadores. Eu tenho umas teorias. a) as pessoas adoram ver como as outras pessoas lidam com o sexo. b) a prostituição de luxo é um fetiche entre homens e mulheres, todo mundo queria fazer sexo e ainda ganhar a vida. c) as pessoas queriam ver a Débora Seco nua. d) foi no cinema quem comprou o livro da Raquel ou leu emprestado por vergonha de comprar. e) todas as respostas anteriores e também que é só olhar para os ridículos filmes americanos que estão passando nos cinemões, só merda, merda por merda, melhor uma merda nacional, ainda mais se rolar sacanagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;w.a.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-589215366278485397?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/589215366278485397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=589215366278485397' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/589215366278485397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/589215366278485397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/servico-de-inutilidade-publica.html' title='Serviço de (in)utilidade pública'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-30gOmW94tJ8/TYtuN_QV-yI/AAAAAAAAAuA/7nPMrxkjFGQ/s72-c/11082732.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7046996283729278941</id><published>2011-03-23T06:22:00.000-07:00</published><updated>2011-03-24T09:44:48.562-07:00</updated><title type='text'>Roleta russa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-hYj4sn9Uw28/TYn0DtUUpiI/AAAAAAAAAt8/u0tgAtHBRsE/s1600/roleta-russa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-hYj4sn9Uw28/TYn0DtUUpiI/AAAAAAAAAt8/u0tgAtHBRsE/s1600/roleta-russa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Respiro. Minha vez. Pego a gélida arma, giro o tambor, encosto na têmpora... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contemplo o espasmo das minhas poucas ideias. O vazio sorri de mim? Não há mais tempo a ganhar. Não há mais chance. Ao menor ruído minha coragem treme-se toda: basta de esperas. Quando descobrimos que existimos, experimentamos a sensação de um louco maravilhado que surpreende sua própria demência e procura no oco do cérebro um nome em meio ao vazio. Só a rotina nos salva da derrocada que é existir, nos habituamos a viver e vivemos sem questionar nada nem ninguém, o garfo, a faca, a caneta, o copo e todos os outros objetos nos salvam do buraco negro (e por que não buraco branco?) dos nossos dias. Os objetos existem para que possamos ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conformado, finjo viver, imito bem a maioria, respeito as regras do jogo, tenho horror a tudo que é original. Resignado como um robô: simulo fervor e dou risada de tudo secretamente; submeto-me às convenções e odeio às escondidas; estou em todos os registros, mas não tenho casa no tempo; salvar o corpo, o único e verdadeiro lado da moeda, quando todos juram que perdê-lo é abrir um caminho para o paraíso. Desprezar tudo é assumir um ar de dignidade perfeita, ser aquele que leva as ovelhas para o precipício e se joga também, cumprindo sua tarefa de falso vivente. Camuflar a ruína fingindo prosperidade? O inferno não tem boas maneiras, o inferno vive-se diariamente, sem elegância, e isso quem disse foi Camus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceito a vida por cortesia, no bolso sempre uma revolta perpétua, sublime fonte de ilusão. As fases da nossa ruína ao sistema: aos vinte anos somos todo revolta; depois isso cansa: "a pose trágica só corresponde à puberdade prolongada e ridícula". Logo descobrimos o falso bem-estar da conquista. Nos preparamos para que no espaço que brilha num átimo de tempo explodirmos num não-ser. Não-somos e achamos que temos todo o mundo. Desse poder às avessas prendemos correntes em nossos tornozelos e precisamos acatar às ordens de cima, pronto, somos agora um arquétipo do infortúnio; felizes desgraçados. Todo o tempo que nos resta depois passamos tentando corrigir nosso pecado original, o de deixarmos de acreditar no poder da diferença. A igualdade nos joga no fosso úmido da ordem. Unidos seguimos para o grande moedor de corpos, crendo piamente que fazendo assim salvamos a alma (a metafísica é o maior vilão do nosso tempo). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tolerar o falso da vida, necessitamos de uma dose gigantesca de mistificação. Somos todos impostores e nos suportamos, estoicamente, uns aos outros. Quem não aceita mentir vê a terra fugir sob seus pés, e por isso mentimos com método; nossa genética obriga a falsidade, pois a verdade se oculta na negação, na graça da veneração pública e da difamação camuflada. Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas verdadeiras opiniões sobre eles, todas as grandes falsidades do mundo seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos silenciosamente sobre nós mesmos, a vergonha tomaria conta de nós. O dissimular arrasta tudo o que vive. Só o respeito das aparências nos separa dos cadáveres. Não há como precisar o real das coisas, o real arde no cérebro, por isso o conforto que traz um nada agradável: nossa constituição só tolera uma certa dose de verdade… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respiro, minha vez outra vez, giro o tambor, tremo, cerro os olhos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;# releitura de: e. m. cioran&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a.p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7046996283729278941?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7046996283729278941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7046996283729278941' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7046996283729278941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7046996283729278941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/roleta-russa.html' title='Roleta russa'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-hYj4sn9Uw28/TYn0DtUUpiI/AAAAAAAAAt8/u0tgAtHBRsE/s72-c/roleta-russa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-5898245497507332894</id><published>2011-03-21T12:58:00.000-07:00</published><updated>2011-03-21T12:58:36.803-07:00</updated><title type='text'>A grande festa multicultural ou o complexo de puxa-saco</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-9RJcnI8zshE/TYetz7Q-41I/AAAAAAAAAt4/FvNNDKN2Bf8/s1600/FOTO_OBAMA_NO_BRASIL.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" r6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-9RJcnI8zshE/TYetz7Q-41I/AAAAAAAAAt4/FvNNDKN2Bf8/s320/FOTO_OBAMA_NO_BRASIL.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Sorrisos e mais sorrisos. Muitas lágrimas. O povo emocionado. Ele estava entre nós. Séculos de história nos contemplaram pelos olhos dele. Em todos os lugares que o homem mais poderoso do mundo passou a comoção caminhou junto. Um frisson generalizado. O primeiro presidente negro da nação mais poderosa da face da terra. No cardápio nossas riquezas e belezas: picanha, capoeira, favela e taís araújo. Ninguém cabia em si. Ao invés de um homem negro, às lágrimas, abraçando o homem mais poderoso do mundo; toda uma nação, emocionada, abraçando o negro mais poderoso do mundo. Os tempos mudaram e, segundo consta, nós não estamos mais no mesmo lugar. Relativismo histórico. Eu queria saber em que lugar se enfiou aquela quantidade impressionante de anti-imperialistas que esse governo abriga. Tá, tudo bem, eu sei. Levaram um pito que os obrigou a ficarem quietos nos seus cantinhos, e ainda ganharam de brinde além de uma diversidade impressionante de sorrisos fáceis do visitante e do vestido verde e amarelo da primeira-dama, a autorização para que se atacasse a Líbia dada daqui mesmo, para tristeza do amigo-irmão do homem de pernambuco. Ver as costas dos quatro visitantes olhando impressionados para o nosso Cristo nos encheu de orgulho, nacionalismo bocó, mas ainda assim nacionalismo. Eis outro grande homem. Estamos nos acostumando a caminhar lado a lado com gigantes, pessoas que fazem a história ao vivo, que alegrarão nossas velhices, pois poderemos falar saudosos: "houve um tempo...". Bunga! Bunga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrir ou aplaudir eis a questão. Na dúvida aplaudia-se com os olhos até, sorriam com as mãos. Nunca se viu capoeira pior, mas ainda assim palmas. Ministros seriam revistados sem piedade se deixassem, mais palmas. Caos e transtorno para o Luciano Huck fazer o beija mão, quem gostou caldeirão pode bater palma. Filho do prefeito tira foto e sai comemorando, vergonha alheia e muito mais palmas. Presidente fala que a mãe dele adorou o filme Orfeu, filme esse que aqui ninguém lembra de ter sequer imaginado que existiu, mais mais palmas. E o Jorge Ben Jor? Palmas. E o Paul Coelo? "Com a força do nosso amor e da nossa vontade, nós podemos mudar o nosso destino e o destino de muita gente". Chega dessa porra de palma que aí já deu também, né? Mas os vencedores (i)morais da visita foram sem dúvida o prefeito e o governador do Rio de Janeiro. O prefeito que elevou a tietagem ao extremo da educação moral e cívica. Não contente em ser subserviente, ainda ensinou ao filho as artes e mumunhas do negócio. Uma pergunta tostines: um puxa-saco nasce puxa-saco ou precisa de bons professores puxa-sacos? E o governador então, esse que sempre foi hors concours em puxa-saquismo do Lula, agora está exportando sua expertise e agora é um puxa-saco internacional. Aí já deu, não? Qual a razão de terem aceitado esse circo todo? Parar o país para vermos o que mesmo? Ah é, a história se fazendo. Ainda mais agora que descobrimos que a arte de puxar o saco é universal. O que foi o discurso do Obama? Uma bem atada e bem organizada versão de afagar o ego (ou saco) alheio. Perfeito em diversos instantes, não esqueceu ninguém, agradou gregos e baianos; pernambucanos e vascaínos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, os EUA continuam e continuarão EUA, com Obama ou não, Não vai ser a fala mansa e 'esperrta' de Obama que irá mudar a história (os jornalistas pretendem que sim, mas uma grande maioria são rematados puxa-sacos). Quem sabe ele consiga ressuscitar o ensino da retórica, que aqui é terra tombada de advogados do diabo e nada mais, pois o Paulo Coelho não precisava daquela mãozinha, já que, sozinho, deseducou pelo menos uns três presidentes americanos, e depois ainda procuram a razão da crise econômica, quem mandou eleger presidentes que leem Paulo Coelho? Nem os nossos leem (FHC não, e Lula não consegue ler nem Chico Buarque). O que é preciso entender dessa visita-show é que nada fará com que o império que está acuado depois da crise, seja menos império. As maiores contribuições de Obama, até agora, se resumem a ser o primeiro negro a se tornar presidente americano; na sua frase de campanha, "sim, nós podemos"; na sua mulher que desfila graça e vestidos lindos; e, o principal, é que ele consegue discursar em qualquer lugar que estiver e agradar a todos falando platitudes em textos bem construídos. Hoje, que venha o melhor da festa, falar mal da visita, voltar aos velhos brios de anti-imperialista, queimar umas bandeiras ianques, que ontem na rua não podia, não devia, não era de bom tom. Goodbye gringo. Era necessário sua visita para comprovarmos que sim, o complexo de vira-latas acabou, agora, somos rematados puxa-sacos, uma grande evolução. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-5898245497507332894?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/5898245497507332894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=5898245497507332894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5898245497507332894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5898245497507332894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/grande-festa-multicultural-ou-o.html' title='A grande festa multicultural ou o complexo de puxa-saco'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-9RJcnI8zshE/TYetz7Q-41I/AAAAAAAAAt4/FvNNDKN2Bf8/s72-c/FOTO_OBAMA_NO_BRASIL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-8943334334085288391</id><published>2011-03-20T06:13:00.000-07:00</published><updated>2011-03-23T15:20:49.543-07:00</updated><title type='text'>O final de Ti-Ti-Ti ou entretidos até a morte</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-nDdu0nU5OnU/TYX9MvYmgdI/AAAAAAAAAt0/LbjNuML33uo/s1600/cabelos-tititi-marcela-isis-valverde.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="https://lh6.googleusercontent.com/-nDdu0nU5OnU/TYX9MvYmgdI/AAAAAAAAAt0/LbjNuML33uo/s1600/cabelos-tititi-marcela-isis-valverde.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo pensei que a vida fosse só complicada, mesmo&amp;nbsp;que&amp;nbsp;ao extremo. Um&amp;nbsp;turbilhão de atos falhos e um mundo&amp;nbsp;para carregar nas costas. O descanso de um homem cansando&amp;nbsp;de correr na direção contrária quase sempre é só um: televisão. Deixar-se entreter&amp;nbsp;pelo&amp;nbsp;fim da novela Ti Ti Ti. Novelas terminam mesmo? Sempre achei que a televisão passasse uma grande e eterna novela, só trocando os integrantes, para que alguns pudessem descansar enquanto outros assumiam seus lugares na grande máquina de cuspir porcarias, alterando um pouco o roteiro de tempos em tempos, coisa tão imperceptível que ninguém se dá conta que o vilão de outrora agora é um bondoso galã, que a mocinha de sorriso branco total radiante que agora pode escolher entre dois formosos moços era aquela que fugiu para a Índia naquela outra vez pra se casar com o Ravi (era Ravi?). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lixo cultural eis o que a televisão nos proporciona hoje. Todos os canais abertos abrem-se ao grande público, ou seria grande povo, e mostram o que ele quer ver, ou não sabia que queria ver. “A verdade de que nada são além de negócios lhes serve de ideologia. Esta deverá legitimar o lixo que produzem de propósito”. Grandes tecnologias desperdiçadas para criar entretenimento massivo e pouco reflexivo, para isso servem as novelas, além de vender, como ninguém, produtos e mais produtos que nem pensávamos em querer. Mas como viver agora sem o chapéu da Camila Pitanga? Como não implorar para o cabeleireiro que faça na minha cabeça uma chapinha urgente para que meu cabelo fique macio e sedoso como a maioria dos mocinhos e mocinhas das novelas? A lógica que triunfou na televisão é a do quanto pior melhor e quem viu o último capítulo de Ti Ti Ti sabe o que foi aquilo. Eu, estoicamente, agüentei até a hora que todos dançaram como numa Bollywood televisa ao Ilariê da Xuxa, nesse momento eu corri para o banheiro e vomitei mentalmente meus anos de profunda ojeriza contra as novelas brasileiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será ainda possível nesse mar de lama encontrar uma saída? Se as novelas, conforme disse a Superinteressante foram responsáveis por manter a unidade do país, por favor, que preço se pagou não? Em qualquer cidade que se esteja emulando uma novela, interior, capital sobra para o grande público o clichê do clichê. Repisado ao extremo e regurgitado nas, agora, telas de LCD, última geração, com som e imagens perfeitos. A perfeição é uma ironia nesse caso. Torna os belos atores, mais belos mais atraentes, mais perfeitamente imitáveis. Todos os canais repisam a mesma fórmula, trocam know-how entre si, pagando altíssimos valores para contar com um ou outro desses canastrões, que se deixam passar em cores, por falsos vilões, boas moças, que tentam nos ludibriar e fazem com que milhões de pessoas sintam-se inseridos numa grande rede quando na verdade são enganados paulatinamente, pois as novelas brasileiras roubam do povo seu maior bem, o tempo. Tempo que talvez fosse mais útil para conversar com os filhos, praticar um esporte, ler um livro, desligar a televisão e se sentar na sala para pensar na vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grandiosa assistência das novelas não percebe que foram abduzidas pela grandiosa consistência dos mecanismos de produção em massa, para alienar as massas. Como podem comer de um veneno feito conscientemente para intoxicar? Tudo é tão caricatural, o vexame temporário da mocinha e do bom-moço, as brigas, a rudeza do vilão, pormenores salpicados aqui e ali de uma falsa alegria, um grande esquema, seguido à risca e regurgitado. Tudo passando uma pretensa ideologia judaico-cristã repisada anos e anos. O bem o mal, o bem triunfa o mal sempre perde. É impressão minha ou o mal nem sempre perde na realidade? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada pelos que querem se subtrair aos processos de trabalho mecanizado, para que estejam de novo em condições de enfrentá‐lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização adquiriu tanto poder sobre o homem em seu tempo de lazer e sobre sua felicidade, determinada integralmente pela fabricação dos produtos de divertimento, que ele apenas pode captar as cópias e as reproduções do próprio processo de trabalho. O pretenso conteúdo é só uma pálida fachada; aquilo que se imprime é a sucessão automática de operações reguladas. Do processo de trabalho na fábrica e no escritório só se pode fugir adequando‐se a ele mesmo no ócio. Disso sofre incuravelmente toda diversão. O prazer congela-se no enfado, pois que, para permanecer prazer, não deve exigir esforço algum, daí que deva caminhar estreitamente no âmbito das associações habituais. O espectador não deve trabalhar com a própria cabeça; o produto prescreve toda e qualquer reação: não pelo seu contexto objetivo — que desaparece tão logo se dirige à faculdade pensante — mas por meio de sinais. Toda conexão lógica que exija alento intelectual é escrupulosamente evitada. Os desenvolvimentos devem irromper em qualquer parte possível da situação precedente, e não da idéia do todo. Não há enredo que resista ao zelo dos colaboradores em retirar de cada cena tudo aquilo que ela pode dar”. (ADORNO &amp;amp; HORKHEIMER)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-8943334334085288391?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/8943334334085288391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=8943334334085288391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8943334334085288391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8943334334085288391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/o-final-de-ti-ti-ti-ou-entretidos-ate.html' title='O final de Ti-Ti-Ti ou entretidos até a morte'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh6.googleusercontent.com/-nDdu0nU5OnU/TYX9MvYmgdI/AAAAAAAAAt0/LbjNuML33uo/s72-c/cabelos-tititi-marcela-isis-valverde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7690335080046126302</id><published>2011-03-18T12:26:00.000-07:00</published><updated>2011-03-18T12:28:16.524-07:00</updated><title type='text'>O mundo precisa de poesia?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-aDE7iQIuyHk/TYOw8hb5FRI/AAAAAAAAAtw/2svRI9s2AEs/s1600/10222540.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-aDE7iQIuyHk/TYOw8hb5FRI/AAAAAAAAAtw/2svRI9s2AEs/s320/10222540.jpg" width="278" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/889650-minc-justifica-aprovacao-de-projeto-de-r-13-milhao-de-bethania.shtml"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;: Minc justifica aprovação de projeto de 1.3 milhão para Maria Bethânia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria poder dizer que o mundo precisa de poesia. Seria tão simples mentir e dizer: o mundo precisa de poesia, e voilá, a poesia se fizesse e salvasse o mundo. Mas pensei em mim primeiro, antes de pensar se o mundo precisa, indaguei-me se eu preciso de poesia, uma vez que faço parte do mundo, ou pelo menos acho que sim. Antes de poesia eu necessito de tantas coisas. Eu, que sou um leitor até razoável para os padrões brasileiros, que é pífio em relação a vários outros países do mundo, até leio muita poesia. Mas a poesia que a Maria Bethânia pretende fazer, declamada, com vídeo bem feito, essa eu nunca tive a menor paciência para ver e ouvir, mesmo sabendo que a poesia, nos seus primórdios, fosse feita exclusivamente para a leitura em voz alta e em púlbico, mas os tempos mudaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria incrível que as pessoas pudessem levar uma vida mais poética. Escapando da sordidez diária, para um universo cheio de alegorias, enfeites, encantamentos. No projeto consta que a idéia é: "abrir possibilidades a acessibilidade irrestrita à cultura a todos que tão pouco acesso têm?", e por isso a pergunta que não pode calar: será que as pessoas que tem tão pouco acesso, quando o tiverem não irão fazer como a maioria e se perder nos orkuts-facebooks da vida? Sim, a periferia (os que não tem acesso) talvez precise de mais poesia. É que nós, seres periféricos acabamos inventando poesia de nossas complicadas relações com o mundo. Ah, esse mundo tão avesso ao bom senso. Tão incompetente para apreender nossas vontades, para nos oferecer belezas diárias. O mundo, esse não precisa de poesia, precisa ser domesticado. O mundo é complicado e temos muito mais a perder do que a ganhar nessas trocas que fazemos diariamente. A poesia como evasão do mundo era algo que os românticos faziam muito bem, mas aquele romantismo que está em tudo e não está em lugar nenhum, está morto e sepultado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ver beleza em gôndolas de supermercado? No motoqueiro esticado na esquina? Nos coletivos cheios? Nas escolas em que diariamente muita criança vai atrás do pão e não do aprendizado? Nas pessoas ainda abduzidas pelas novelas, pelo futebol nosso de cada dia? Como suprir esse mundo indolente com algo tão bom que faça as pessoas esquecerem suas dificuldades diárias? Por que Maria Bethânia seria capaz de fazer-nos esquecer das dores da vida, com pílulas tão amenas que produzisse em nós um sorriso? Sei não. Grandes ideias são às vezes&amp;nbsp;simples que sem querer até nos assustam. Coisas grandiosas, com intenções grandiosas, são, no mais das vezes, megamolanias vazias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o intuito é gravar uma poesia por dia, para tornar nossa vida melhor, qual a razão de não utilizar todas as mídias gratuitas que tantos se utilizam por aí? Quantos vídeos que conhecemos não foram gravados em modestos celulares e de lá ganharam o mundo? Se a ideia é dar pílulas de beleza diárias, que nem as "folhinhas de calendários" antigos (como está no projeto), qual a razão de não fazer disso, no início de maneira artesanal, contando com o apoio de amigos, e depois, conforme forem aparecendo patrocinadores ir inclementando aos poucos o blog até alcançar o objetivo final? Penso que a Maria Bethânia ou alguém da sua futura equipe deva ter em casa um computador potente, uma câmara legal, máquinas digitais, e isso tudo basta para vídeos quase profissionais hoje em dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pode a poesia ser utilizada como um mote, como um subterfúgio. Quem ama a poesia como eu, sabe que ela é tão individual é tão mais valiosa justamente por ser na individualidade de cada leitura que ela chega a fazer sentido. Transformar a poesia num produto, com preço na capa (sim, preço, nós, o povo, pagaremos a empreitada), com invólucro chique, é deixá-la menor e mais elitizada. Quantas pessoas estariam preparadas para assistir uma cantora declamando poesias diariamente, ao seu bel-prazer? Eu, talvez, de vez em quando daria uma olhada, como são as coisas na internet que hoje é um grande hit e de repente perdemos o link, esquecemos até sobre o que falava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta no fim é, "o mundo precisa de poesia?". Pode até ser que sim. Mas eu continuo acreditando que o mundo precise mais de tantas outras coisas e que poesia é algo tão pessoal, tão intransferível, que mesmo que nesse repertório todo ela declame todos os clássicos da poesia antiga, moderna, pós-moderna, ainda assim serão os clássicos dela e sempre ficará de fora um outro tanto, que não pode ser aquinhoada com a benção da nossa declamadora oficial. Se ela quisesse fazer isso sem um centavo de dinheiro público, isso já seria outra coisa, e nem estaríamos perdendo tempo com essa discussão besta. Sim, o mundo precisa de poesia, mas eu não queria gastar nenhum centavo por isso. Por isso eu vou a bibliotecas públicas, baixo livros em pdf, por isso eu só compro o que realmente quero e vá ler, empresto de amigos, por isso eu&amp;nbsp;sou favorável que nenhum centavo de dinheiro público participe deste projeto. Simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7690335080046126302?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7690335080046126302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7690335080046126302' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7690335080046126302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7690335080046126302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/o-mundo-precisa-de-poesia.html' title='O mundo precisa de poesia?'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-aDE7iQIuyHk/TYOw8hb5FRI/AAAAAAAAAtw/2svRI9s2AEs/s72-c/10222540.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7156147219301733479</id><published>2011-03-17T14:04:00.000-07:00</published><updated>2011-03-17T14:04:20.046-07:00</updated><title type='text'>Um silêncio provisório 2</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-gf6CF3ULcao/TYJ3PXFPtRI/AAAAAAAAAts/KDY9F8CHDxs/s1600/beijo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-gf6CF3ULcao/TYJ3PXFPtRI/AAAAAAAAAts/KDY9F8CHDxs/s320/beijo.jpg" width="239" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Invariavelmente eles adotavam o silêncio. Em nenhum momento debatiam se, o silêncio, seria a solução dos seus, não poucos, problemas. Era um acordo de olhares preguiçosos. De backspace apagando frases inteiras. Talvez achassem que para não discutirem o melhor a fazer era pensar em coisas amenas, talvez nem pensar. Melhor o 'tergiversatio'. Acreditar que o desconhecido é um companheiro tão fiel quanto um cão. E eles se esmeravam em imaginar-se longe das crises por eles mesmos inventadas. Até faziam planos. Pensavam o futuro como se o passado não tivesse existido. Como se fosse possível que feridas tão recentes, milagrosamente, desaparecessem. Ah, os milagres, esses feitos gloriosos que sumiram da face da terra. Ninguém mais escapou vivo das covas dos leões, esquecemos o idioma deles e eles o nosso. Eles até conseguiam conviver com o preconceito, tentavam desesperadamente seguir a vida com a indiferença de quem se acha com razão, e sim, eles tinha razão. Andavam sempre juntos, roçavam-se num carinho camuflado. Iam a bares lúgubres, onde nas sombras podiam sucumbir ao desejo que brotava da verdadeira face de ambos. E os dias corriam por vielas até alegres, ás vezes. Passavam por alguns momentos que eles mesmos não acreditavam ser mais possíveis. Em alguns instantes até acreditavam que eles, enfim, os aceitavam como eram. Portas novas se abrindo. E as outras, as portas de antigas dores, será que podiam ser trancadas à sete, extraviadas, chaves? Mas todos sabemos como são essas coisas, quando tudo parece ir bem, quando baixamos a guarda, é que as coisas acontecem. Fica sempre um rancor armado no espírito... facas sendo afiadas... armas de destruição em massa compradas no mercado paralelo... a próxima batalha sempre vinha mais forte e eles não suportavam mais tantos olhares quando andavam abraçados dentro do ônibus. Alguns fingiam não vê-los. Outros disfarçavam o pavor da cena simples. Mas em todos uma mal disfarçada vontade de desfazer o enlace, de estapear as faces jovens, de separar o inseparável. Eles tentavam com todas as forças sobreviver ao tempo, à falta de dinheiro que a tudo perdoa e faz aceitar. Ser gay e pobre ainda é sofrimento dobrado. Aos gays endinheirados, o mundo abre as portas, o mercado tem a oferecer produtos especiais, e o preconceito é mais mental. Aos gays pobres, resta esconder-se em si, negar-se a si, fingir para si. Eles não queriam mais isso e aquele abraço cerrado dentro do coletivo era mais que um vontade de ser, era uma necessidade de que todos vissem e comprovassem que eles assumindo-se como eram, não eram em nada diferentes de todos os outros, casais ditos normais. Quando desciam de mais uma curta viagem dentro de sua própria cidade, saltavam aliviados por sobreviverem, enquanto dentro do ônibus, muitos suspiravam também aliviados pela ausência deles. O preconceito é o pior dos males, por ser o mais fingido e omitido de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7156147219301733479?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7156147219301733479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7156147219301733479' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7156147219301733479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7156147219301733479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/um-silencio-provisorio-2.html' title='Um silêncio provisório 2'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-gf6CF3ULcao/TYJ3PXFPtRI/AAAAAAAAAts/KDY9F8CHDxs/s72-c/beijo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7016950301483896253</id><published>2011-03-17T09:05:00.000-07:00</published><updated>2011-03-17T09:05:01.811-07:00</updated><title type='text'>Dickens - o primeiro astro pop</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-Aaryn_r18Wc/TYIxGi8G0HI/AAAAAAAAAto/YDBRg-oJgig/s1600/charlesdickensitwasthebesto.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="250" r6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-Aaryn_r18Wc/TYIxGi8G0HI/AAAAAAAAAto/YDBRg-oJgig/s320/charlesdickensitwasthebesto.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles John Huffan Dickens nasceu em Portsmouth, Inglaterra, a 7 de fevereiro de 1812, era filho de Mr. John Dickens, modesto empregado da Tesouraria da Frota. Seu pai era a um tempo encantador e temível; encantador porque era alegre, porque contava bem histórias, porque recebia amavelmente aos seus amigos; temível porque gastava sempre mais do que ganhava e submergia com uma curiosa mescla de indiferença, desespero e leviandade, em um oceano de dívidas. A mãe (Elizabeth Barrow) parece que foi um ser medíocre, uma dessas mulheres cujos pensamentos ruidosos e vãos, voam em todas as direções, como zangões aloucados. O filho não tardou a julgá-la severamente. O casal Dickens tinha oito filhos, sua vida não era fácil. Sem embargo, as pequenas impressões do menino Charles foram deliciosas. As histórias contadas por um pai tão divertido, gravaram-se na cera assombrosamente maleável desse espírito. Era uma bela criança de cabelos ondulados, olhos azuis e, além disso, um comediante nato. Possuía um talento extraordinário para cantar e recitar. O pai sabia transformar o menor acontecimento familiar em uma festa, para a qual preparava, assobiando, um ponche admirável à base de casca de limão. Com frequência levava o filho em excursões pelo campo; contava-lhe lendas, as quais entusiasmavam o menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles nasceu em 1812, e tinha nove anos quando o confiaram a um professor, a quem logo encantaram os progressos de seu aluno. Mas os verdadeiros mestres estavam noutra parte. Na água-furtada da casa de John Dickens, havia um montão de livros que ninguém lia. Charles deslizava sobre os telhados e devorava "Robinson Crusoé", Gil Blas, Fielding, "As Mil e uma Noites", coleções inteiras de periódicos e, sobretudo, "Dom Quixote", que lhe agradava de um modo particular. Desgraçadamente, as dívidas do pai iam subindo. Foi preciso deixar Chathan, e transladar-se para Londres. Mas Londres não foi favorável aos Dickens. Faltou o pão. As crianças choravam. Na casa não se viam mais que credores, carregando os últimos móveis. Por fim, Mr. Dickens foi detido e levado, por dívidas, para a prisão de Marshalsea. Charles sente-se a um tempo assustado, comovido e envergonhado, terrivelmente envergonhado. Só em casa, com uma mãe incapaz de ajudá-lo, deve fazer tudo; engraxa os sapatos de toda a família, cuida de seus irmãos e irmãs, faz as compras da casa, trata de vender os poucos objetos que restam e, quando tem um momento livre, vai à prisão ver o pai. Agora é o dono da casa, deve procurar ganhar a vida e, aos onze anos, entra de aprendiz na loja de uns parentes afastados, os Lamert, fabricantes de betume. Seu trabalho consiste em cobrir os postes de betume com papel parafinado, logo com papel azul, atá-los e pregar etiquetas em cada um deles. Trabalha em um sótão, com rapazes ignorantes, vulgares, e ganha seis shillings semanais. Depois de algum tempo, muito hábil no trabalho, seus patrões julgam oportuno exibi-lo aos transeuntes. Põem-no em uma vitrine, e as meninas e os rapazotes do bairro, comendo fatias de pão com geléia, acodem a colar seus narizes contra o vidro, para verem-no trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram estes, tempos de humilhação; as feridas que lhe causaram jamais cicatrizaram. Mas logo faltou com que pagar o senhorio, e então, toda a família – mãe e filhos – foi viver na prisão por dívidas, pois nessa extraordinária prisão podia-se alugar quartos para neles alojar a família. Charles foi o único que não viveu nela, a fim de obter alguns recursos para os seus. Morava num minúsculo quarto, trabalha na fábrica de betume; no domingo, ia passar o dia com sua família na prisão. John Dickens recebe uma pequena herança que lhe permitiu sair da prisão, e o menino Charles explicou para o pai como lhe era penoso passar a infância num trabalho estúpido, com companheiros grosseiros, e o quanto ele gostaria de se instruir. Mr. Dickens mandou o filho à casa de Mr. Jones, diretor da Wellington House Academy. Mas Mr. Jones era, por sua vez, ignorante e bruto; durante todo o dia batia violentamente em seus alunos com uma grande bengala. Aí Dickens conheceu outro aspecto da miséria em que estava submersa a infância inglesa, as horríveis escolas. Ficou pouco tempo na escola, pois o dinheiro faltava de novo em casa e foi necessário tornar a empregar-se. Tinha, agora, uma letra excelente e boa ortografia; fizeram-no entrar de aprendiz na casa de um procurador judicial. Ali viu mil facetas da vida; um desfile contínuo de litigantes, e por ser mensageiro, isso o obrigava a andar por todas as ruas de Londres. Em dois anos, adquiriu dessas ruas, de sua miséria e de sua beleza, um prodigioso conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Dickens, vendo a herança esgotar, encontrou trabalho de repórter na Câmara dos Comuns, o que muito agradou Charles, e por 10 shillings e 6 pennies - todas suas economias – comprou um velho tratado de taquigrafia Como Charles era um rapaz de vontade firme e que julgava que “tudo que merece ser feito merece ser bem feito”, logo chegou a excelente taquígrafo. O periódico The True Sun, o contratou como redator parlamentar, função pela qual, recebia cinco guinéus. Para completar sua formação com a qual estaria apto para escrever faltava apenas um amor, e ele veio na forma de Mary Beadnell, filha de um dos banqueiros de Lombard Street, burgueses mais ricos e, provavelmente, mais distintos que os Dickens. Mary era uma coquete, jamais havia pensado em casamento, assim como sua família, mas permitiu-lhe flertar com ela. Os pais confiavam na filha e sabiam que ela era bastante razoável para suspender o jogo a tempo. Não se enganavam. Dickens sofreu muito quando suas visitas à casa dela já não era mais desejadas, ficou infeliz, humilhou-se, mas não pode evitar a ruptura. Mary casou-se e durante vinte anos desapareceu da vida de Dickens. Agora sua grande ambição era escrever, e é esse Charles Dickens, de olhos de aço, que a vida, aos vinte anos entrega às letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos vinte e dois anos, Dickens escreveu uma breve narrativa, e a depositou na caixa de uma revista. Na semana seguinte, ao comprar o número, teve a satisfação de encontrar nele seu ensaio. Logo publicava uma série em um jornal, o Evening Chronicle, mediante uma retribuição de sete guinéus semanais. São os “sketches”, quadros da vida provinciana e de Londres, que obteve êxito imediato (lançado depois como "Esboços feitos por Boz"). Com o sucesso dos sketches, decidiu escrever livros e abandonar a taquigrafia. Começa a escrever "As aventuras de Mr. Pickwick", em episódios, pois suas novelas publicam-se em capítulos que devem aparecer regularmente cada mês. Nenhum novelista havia trabalhado jamais em tal condição. Quando começou Pickwick, não tinha a menor idéia de como prosseguiria essa obra, e ainda menos, como concluiria. Não havia traçado planos; criava personagens, lançava-os ao mundo e caminhava atrás deles. O primeiro episódio não alcançou grande êxito, o desenhista suicidou-se e, como a venda não fosse muita, pensaram em suspender a publicação. Logo contrataram outro desenhista e decidiram continuá-la. Um reduzido público começou a se dar conta de como eram divertidos Mr. Pickwick e seus amigos, até que no sexto número, Dickens criou um Sancho Pança para Mr. Pickwick, o criado Sam Weller. O êxito foi instantâneo, fulminante. Do primeiro número vendeu-se 400 exemplares; no número 15 e já dele solicitavam 40.000 exemplares. Era um êxito nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um êxito tão rápido, tão extenso, tem, para um escritor, vantagens e inconvenientes. Uma vantagem é que o homem assim formado evita o humor atroz, o artista irritado; outra vantagem é que, adquirindo confiança em si mesmo, escreve com encantadora liberdade, que, talvez, seja um dos segredos de sua beleza. O inconveniente é que a popularidade proporciona gozos tão deliciosos, que logo o escritor não sacrifica sem dificuldades. Agradar a uma massa de leitores exige uma simplificação tanto mais elementar, quanto mais essa massa cresce. O autor excessivamente lido, pode sentir a tentação de escrever para os piores leitores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dickens casou-se durante a publicação de Pickwick. Ele foi convidado para ir na casa de um dos redatores do Morning Chlonicle, Hogarth, que tinha três filhas: a primogênita, Catherine, 20 anos; a segunda, Mary, 16; a terceira, Georgina, era uma menina. Dickens achava-se à vontade nessa família, onde era admirado. Casa-se com Catherine, mas muito se tem dito que Dickens, amava mesmo era Mary, que morre jovem, desgraça ocorrida meses depois do casamento. Morta foi mais perigosa para o lar dos Dickens, do que o fora viva. Dickens serviu-se dela para descrever suas personagens mais comovedoras. Os Dickens reorganizaram a vida, outra irmã de Catherine, Georgina foi viver com eles. Escreve "Oliver Twist" (1836), história de um pequeno órfão, educado primeiramente nessa horrível “work house”, esta Bastilha de indigentes que a nova lei dos pobres havia instituído. As classes populares odiavam as “work house”, e Oliver Twist fez muito para atrair a atenção para os defeitos dessa instituição. Este segundo livro instalou definitivamente Dickens na glória, tinha então 26 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dickens tinha, então, necessidade de estar continuamente em movimento. Sempre perseguido de perto por um impressor que aguardava seu original, trabalhava pela manhã, do café ao almoço. Pela tarde, eram-lhe necessários prolongados passeios, a pé ou a cavalo, para aliviar a fadiga intelectual e para tornar a tomar contato com esta realidade inglesa que era sua substância. Mas acima de tudo Dickens tinha necessidade de seus passeios noturnos pelas ruas de Londres; era um hábito que conservava desde a infância e que parecia necessário para a continuidade de sua inspiração. Pouco importava o tempo que fizesse, perambulava pelos bairros mais estranhos, captando à passagem uma frase, que anotava, escutava à porta de uma loja, lançando seu olhar sobre o estranho mobiliário de outra, seguindo um par de moleques. Fazendo isso à noite, pela manhã, seu trabalho, era fácil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1842, com trinta anos, é um dos homens mais célebres do seu tempo, é lido na América tanto quanto na Inglaterra, mas nessa época não havia nenhum tratado para salvaguarda dos direitos autorais, decide assim tentar resolver essa situação. Sua recepção foi entusiástica, aclamaram-no no cais; recebeu tão grande quantidade de cartas que se viu obrigado a contratar um secretário, e os convites foram tão numerosos que foi forçado a anunciar que não aceitaria nenhum. Os admiradores o perseguiam até no quarto e nem na cama podia livrar-se deles. Acabaram por aborrecê-los. Chocavam-no os costumes americanos. Ali, como na Inglaterra, havia observado abusos; a escravidão o indignara; acreditou ser seu dever protestar; Se na conservadora Inglaterra podia-se falar livremente em reformas, na América, país democrático, a liberdade de opinião não existia. Quanto às negociações para a defesa dos direitos autorais, não iam adiante. Respondiam-lhe que era absolutamente impossível para uma editora americana tratar com um autor inglês, pois se o fizesse, já não poderia adaptar as novelas inglesas ao gosto do público americano. Dois meses depois, Dickens volta para a Inglaterra, e publica "Notas Americanas", livro que os americanos acolheram muito mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue publicando livros, e decide escrever todo ano um conto de Natal. O livro "Martin Chuzzlewit" (1843/44) é um relativo fracasso de vendagem, o que leva Dickens a se mudar da Inglaterra, vai para a Itália e logo depois à França, país de vida barata. Dessa longa permanência no estrangeiro, Dickens trará vários livros, mas livros sobre a Inglaterra. O êxito de "Dombey e Filho" (1847) determinou o regresso de Dickens a Londres. Logo estava comprometido com numerosas ocupações, como sempre lhe atraíra o teatro, começa a fazer representações beneficentes, fazendo tudo, e como obteve grande sucesso, outras sociedades beneficentes solicitaram que ele repetisse a obra em benefício delas. Essa febril agitação quebrantou a sua saúde, sofreu violentas enxaquecas, adoeceu da vista. Mas mesmo assim fundou um jornal o Daily News, que ao fim de três meses abandonou para publicar apenas num suplemento semanal chamado "As Palavras do Lar". Por essa época escreve o primeiro livro em 1ª pessoa, "David Copperfield" (1849), uma clara biografia sua. Esse é o livro mais vendido por Dickens, depois desse livro Dickens é mais que um grande escritor, e ele se entrega às apresentações e a escrever ininterruptamente, "A Casa Soturna" (1852), "A Pequena Dorrit", "Tempos Difíceis". Esse excesso de trabalho malbarata sua força, Dickens agora escreve com menos facilidade, sua impaciência que nunca foi grande, torna-se terrível; não pode estar quieto. Para escrever agora toma notas, faz fichas, coisa que nunca suportou. E o casamento vai de mal a pior, sua mulher não o compreendia, não fora feita para ele; ela por sua vez não era mais feliz que ele. Tiveram dez filhos e viveram 22 anos juntos, e Dickens com belas qualidades e uma grande bondade, era egoísta e nervoso. O artista é um ser o qual é difícil de conviver. Separaram-se em 1858, e enfim, e Dickens sentiu sua vida renascer então e teve um período de paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o espírito da agitação não o abandonou, e recomeçaram os pedidos por leituras públicas, em prol de um hospital aqui, de uma sociedade ali, lia sempre muito bem, o que atraiu empresários de espetáculos que lhe falaram dos lucros e lhe propuseram viagens pela Inglaterra. Seus amigos avisaram-lhe que isso não seria bom para sua saúde, tudo em vão. Preparava suas leituras em períodos de calma, decorava seus textos, e ia acrescentando, corrigindo, tornando-os mais teatrais, a fadiga era tanto maior pois punha nessas leituras todo o seu ser. Mesmo assim escreve nesse período "Conto de Duas Cidades" (1859), "Grandes Esperanças" (1861) e "Nosso Amigo Comum" (1864). Ao concluir esse último, fechou contrato pra mais trinta leituras, não dormia, tomava cada noite um soporífero; submerso pelo abuso de drogas em uma espécie de sonolência, devia, na hora da leitura, tomar um estimulante. A América, esquecida dos seus rancores, exigiu novas leituras, Dickens embarcou para a América. Leu em Boston, Filadélfia, Nova York e Washington. Tamanho esforço o extenuou, no navio de regresso, quando o reconheceram, pediram-lhe uma leitura, Dickens respondeu que se fosse obrigado, agrediria o capitão para ser preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta para a Inglaterra, preparou uma leitura de despedida, uma seleção de episódios de Oliver Twist, depois começou a escrever o Mistério de Edwin Drood (livro que fica sem concluir), morre aos 58 anos, indiscutivelmente, por excesso de trabalho e desmedida atividade. Imagem perfeita de sua época, Dickens deixou-se dominar pelo mecanismo da vida, como a humanidade inteira, no século XIX. Assim, sem cessar deixado para trás por seus anseios, vive e morre sufocado pelo trabalho, sempre encantado de suas imaginações e contrariado por suas obras; mas é uma vida bela e uma bela morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAUROIS, André. Dickens. Tradução: Rubens Mário Jobim. São Paulo: Dominus, 1963. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON, Edmund. Raízes da Crítica Literária. Tradução de Edílson Alkmim Cunha. Rio de Janeiro: Lidador, 1965.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7016950301483896253?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7016950301483896253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7016950301483896253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7016950301483896253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7016950301483896253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/dickens-o-primeiro-astro-pop.html' title='Dickens - o primeiro astro pop'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-Aaryn_r18Wc/TYIxGi8G0HI/AAAAAAAAAto/YDBRg-oJgig/s72-c/charlesdickensitwasthebesto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-4460566615015144693</id><published>2011-03-16T14:43:00.000-07:00</published><updated>2011-03-16T14:43:48.166-07:00</updated><title type='text'>Apontamentos para uma leitura do filme Cheiro do Ralo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-XruDCWLz32w/TYEu0PgOfFI/AAAAAAAAAtg/SOOboYkB28A/s1600/ocheirodoralo2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="177" r6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-XruDCWLz32w/TYEu0PgOfFI/AAAAAAAAAtg/SOOboYkB28A/s320/ocheirodoralo2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Vivemos numa época repleta de novidades. O mundo se recicla de maneira tão ágil que quando nos apercebemos das mudanças já estamos no olho de um novo furacão. Estamos sentindo na pele a tempestade da pós-modernidade. Que se apresenta como uma catarse de dados compilados lançados por uma hélice gigante, e isso nada mais é que o aprofundamento e, claro, agravamento dos ideais capitalistas. O capital triunfou sobre o social, e convivemos diariamente numa confusa sociedade de consumo, agressiva, totalitária, que se impregna em todos os níveis de nossas vidas, modificando o nosso relacionamento até com as coisas mais simples. Com a sensação de que estamos emparedados por um agressivo sistema de trocas, tentamos salvar o mínimo de dignidade, mantendo-nos numa linha tênue entre o certo e o errado, mas o correto de hoje pode não ser a realidade de amanhã, uma vez que não era a de ontem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modo como percebemos o mundo hoje se modificou para acompanhar a agilidade dos tempos. Vivemos em permanentes “estados de liquidez”, como diz Bauman, os relacionamentos escoam por entre os dedos, os medos apoderam-se de nós de maneira integral, o amor é volátil; pode-se afirmar que tudo se reduziu ao básico, mas um básico que vem embrulhado dentro de um coquetel molotov. Estamos numa verdadeira “Idade Média Pós-Moderna”. Obedecemos ao senhor maior do mundo: o sistema. Ente onipresente, reticente, assaz competitivo e mordaz, que orienta o rumo que vamos tomar, quase sempre nos tomando como um grande e tosco rebanho. Tudo se resume a um singular estado de possibilidades. Eis que a procura de um caminho para explicar um filme como “O cheiro do ralo”, de Heitor Dhália, tem, basicamente, que recorrer a um arsenal teórico que parte de Marx, atravessa o modernismo e chega aos dias atuais, pois o ser humano aprofundou em muito o sofrimento abandonando a própria sorte em mãos pouco consideráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme trata, de uma maneira geral, sobre relacionamentos. E é através do discurso percebido sob a ótica das grandes trocas humanas, vista, ademais, sob um viés pós-moderno, que a película se mantém. A personagem Lourenço, não consegue ter um relacionamento normal com nenhuma pessoa. Seu jeito de perceber o mundo é sempre o de uma pessoa que está numa posição superior ao outro. Comprador de objetos, valiosos ou não, essas negociações ocorrem de uma maneira que não é tradicional, com o cliente oferecendo algo e ele - o comprador - tendo interesse e fazendo sua oferta pelo produto. No modus operandi de Lourenço há toda uma negociação individualizada em que as vendas se transformam numa grande sessão de aniquilamento do sujeito que está vendendo algo. A pessoa que leva um objeto é humilhada. Seja quando Lourenço paga muito por algo sem valor, o que só desvaloriza ainda mais a pessoa; seja quando Lourenço nega-se a comprar algo, mesmo de valor baixo, pelo simples prazer de aviltar o vendedor; ou quando regateia o preço, rebaixando-o às vezes, por desdém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida particular seus relacionamentos também não engatam, seja com a noiva, a empregada, a secretária, a moça (da bunda) da lanchonete, etc. Mas o que temos que analisar mesmo é que Lourenço é um sujeito pós-moderno, vivendo num mundo pós-moderno e logo, o modo como percebe esse mundo é o de uma pessoa permanentemente em crise: seja consigo próprio, seja com seus semelhantes, seja com os objetos desse mundo. Mas essa crise não é de identidade e sim a de sujeito deslocado mais por entender a ordem natural das coisas, que por contrariá-la. Para um sujeito pós-moderno o universo que o rodeia é percebido como que entre-névoas. Há um esgarçamento das relações, pela falta de diálogo, pela fragmentação do ser, diante do que Jameson chamou da lógica de um “sistema econômico do capitalismo tardio”. O ritmo frenético ditado pelas máquinas, as divisões sociais, o apagamento do sujeito, o excesso de informações, a vivência numa época superficial, uma nova emocionalidade sentida com mais intensidade, características da era pós-moderna, que a personagem sabe viver, mas os outros não. O filme pode ser visto também como um grande pastiche, como o enformou Jameson. E também a nostalgia de um tempo perdido&amp;nbsp;com o grande apego ao que é velho, que são os objetos ofertados, comprados ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme retrata algumas fixações de Lourenço, e por extensão, do ser humano em geral, que se agarra em algo como que para ter um porto seguro na grande areia movediça que é a vida. Em Lourenço essa fixação pode ser a do exercício do poder; a fixação por objetos; pela bunda; pelo cheiro que exala do ralo. O ralo é para Lourenço uma válvula de escape, uma maneira de se punir por sua conduta sempre egoísta. O prazer que sente ao cheirar o ralo fétido é o mesmo que sentiria se fosse colocado de castigo pelo pai. Na verdade essa ausência de familiares é o grande X da questão. Lourenço é desapegado de valores morais e apegado a objetos, coisas que não podem falhar para com ele. Assim Lourenço não consegue edificar relações, pois elas sempre estarão na base de uma possível perda. Os objetos são fiéis. Assim exerce seu poder comprando tudo, ou acha que pode comprar, pois exagera beirando o ditatorial. Distribui benesses quando quer, rebaixa o preço de um Stradivarus, compra caro um objeto sem valor, mas sempre foge do relacionamento duradouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olho, comprado caro, representa para Lourenço a duplicação do olhar. É o seu lado voyer no limite máximo. Se suas relações nunca avançam, se estão quase sempre na base do valor intrínseco do que possa ser comprado, Lourenço compra uma companhia, uma amizade sincera para compactuar com seus interesses, suas fixações. O olho só vê o que Lourenço lhe mostra, e ele só mostra aquilo que lhe interessa. Como o mundo de Lourenço é algo para o qual ele não nutre sentimentos, ele recria esse mundo através dos objetos, logo o olho passa a ser do seu pai, que morreu na guerra e assim sucessivamente. Lourenço se comporta através dos seus objetos como uma criança mimada. Verdadeiramente não sente falta de ninguém, nem consegue gostar de ninguém, é um egocêntrico homem pós-moderno, vivendo sua vida vazia, sem valores, sem ética, de uma maneira repetitiva e monótona, mas consciente do que faz. Mesmo quando inventa sobre o pai, é mais estado de espírito que realmente sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a maior fixação de Lourenço que é a bunda da garçonete, é uma ponte entre mundos. A bunda é vazia de significados. Oca de sensações. Mas a bunda é uma verdade que o oprime, pelo tanto de realidade que ela aparenta. Lourenço não quer conquistar uma pessoa, quer sempre mais um objeto para agradar seu fetiche por coisas e a bunda é “o objeto”. A bunda aos olhos das pessoas normais continua a ser uma grande obsessão, um grande paraíso ao lado do que também é o ralo do corpo; a bunda, aos olhos pós-modernos de Lourenço, reveste-se de uma materialidade não-carnal e tem a mesma valoração que a cabeça de um animal empalhada – fetiches modernos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse lado fetichista, aliado ao lado voyer dão a tônica dos seus relacionamentos, e a bunda é o elo entre o seu universo pós-moderno e o universo em que vive a maioria. Pensar em ter é uma obsessão. Ver é outra, e elas se complementam no não-ter. A tentativa de apreensão do outro sempre terá dinheiro envolvido, pois Lourenço é um típico representante do capitalismo tardio, em que impera a desvalorização das relações, um sujeito em crise, mas plenamente dentro do sistema, do qual nunca reclama, a não ser quando diz que “a vida é dura”, mais para fazer com que o outro se resigne e entenda que não há saídas desse sistema pós-moderno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há uma conquista real, pois não quer ou por que nunca consegue alcançar o lado autêntico do objeto desejado. A bunda retrata uma obsessão pelo nada, que é o tudo, que pode até ser entendida também como a de um ser pornográfico, vivendo num mundo pornográfico com um excesso de sensações e de informações, excesso-oco, sempre vazio de significados. A verdadeira pornografia que vemos é a vida odiosa que a grande maioria vive, em que nem os objetos mais próximos têm uma exata medida, ao contrário, se volatizam em contato com a realidade do mundo de Lourenço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tudo é o nada, se se vive numa época enevoada, em que os relacionamentos estão sempre interditados, a única pessoa real que convive com Lourenço é a drogada. Ela sabe que o mundo fede mais que o ralo do escritório, mais que uma penitência. Ela já viu de tudo e ainda assim se submete aos caprichos de Lourenço, não por amor ao dinheiro, mas por amor à fuga de sua vida oca. Quando transborda nela, seus caprichos de criança, seu fetichismo, seu voyerismo, Lourenço encontra sua perdição. Ela que tudo já perdeu, carrega no corpo vazio de significados o nada impresso, a vingança nada mais é que o desespero de um confronto de pessoas que sabem a grande verdade: a vida é um lixo, e fede, como um grande ralo; não há escapatória para ninguém. E a voluptuosa bunda nada mais é que uma perfeição vazia, uma miragem, que se esfuma no contraditório que é a esquálida bunda da drogada. O “mundo é muito perigoso” já dizia Guimarães, mas a verdade de um mundo pós-moderno é mais. &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;s.e.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-4460566615015144693?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/4460566615015144693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=4460566615015144693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4460566615015144693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4460566615015144693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2011/03/apontamentos-para-uma-leitura-do-filme.html' title='Apontamentos para uma leitura do filme Cheiro do Ralo'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-XruDCWLz32w/TYEu0PgOfFI/AAAAAAAAAtg/SOOboYkB28A/s72-c/ocheirodoralo2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-178633564446874130</id><published>2010-02-12T11:41:00.000-08:00</published><updated>2010-02-12T11:41:41.578-08:00</updated><title type='text'>Memórias Inventadas de Manoel de Barros</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/S3WulzwSTwI/AAAAAAAAAl4/tbh6goxCzII/s1600-h/manoel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ct="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/S3WulzwSTwI/AAAAAAAAAl4/tbh6goxCzII/s320/manoel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;1. MANOEL EM DETALHES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manoel de Barros nasceu em Cuiabá - mas precisamente no Beco da Marinha - em 19 de dezembro de 1916. Quando tinha 2 meses de vida, seu pai foi convidado por um irmão, para vir povoar o Pantanal. O convite partiu do Barão de Vila Maria - Nheco Gomes da Silva -, e que segundo consta, é dele que vem o nome da região Nhecolândia, uma homenagem a quem primeiro veio fazer o povoamento da região. Esse tio de Manoel de Barros veio para trabalhar com esse Barão, medindo suas terras, uma vasta extensão, e o pagamento que ele recebeu foi em terras. Como não entendia nada de fazendas, chamou o pai de Manoel para abrir, cercar e formar a fazenda. Dessa maneira Manoel de Barros vem para Corumbá, e passa a morar no Pantanal mato-grossense. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendeu a ler com seis anos pelo método da soletração e a contar e decorar a taboada cantando com uma tia. Os pais o mandam para Campo Grande para o colégio interno - o Colégio Municipal de Campo Grande, a primeira professora de Manoel de Barros foi Oliva Enciso. É mandado para o Rio de Janeiro para o Colégio Lafayette. Reprovou no terceiro ano colegial e mudou-se de escola por isso. Em 1934 presta vestibular para Direito, uma vez formado, viaja pela América do Sul: Bolívia, Peru, volta e trabalha com negócios de incorporação de apartamentos, ganha um dinheiro e viaja novamente: interior da Bolívia, do Peru, Equador; viaja até Miami, Nova Iorque, depois disso vai para a Europa: Portugal, Espanha, França e Itália. Quando o pai morre, herda a fazenda, pensa em vendê-la, mas acaba indo morar nela - fazenda Santa Cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu primeiro livro é de 1937 - &lt;strong&gt;Poemas Concebidos sem Pecados&lt;/strong&gt;, impresso artesanalmente na gráfica de um amigo. &lt;strong&gt;Face Imóvel&lt;/strong&gt;, pela Editora Século XX, é de 1942 e &lt;strong&gt;Poesias&lt;/strong&gt; de 1956, é da editora Pongetti, mas sua obra só passa a ser reconhecida pela crítica em 1960 quando ganha o prêmio Orlando Dantas. E de lá pra cá, publicou inúmeros livros, e teve toda sua obra re-editada diversas vezes, e continua produzindo ainda hoje: &lt;strong&gt;Memórias Inventadas: a terceira infância&lt;/strong&gt; é de 2008. Manoel de Barros é considerado um poeta modernista, influenciado pelas várias estéticas que dominaram as artes no começo do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Minha poesia é uma reflexão permanente. A palavra me atinge de tal modo, que a língua passa a inventar coisas. Nunca escrevi uma palavra que não tenha roçado no meu corpo. Minha poesia é marcada por um constante morrer e renascer. Essa permanente metamorfose está presente em toda a minha obra. Acho que é importante para o poeta reviçar as coisas"&lt;/em&gt; (In: SÁ, 1992, p. 59)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. ESCRITA AUTOBIOGRÁFICA e PROSA POÉTICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Memória Inventadas&lt;/strong&gt;, o livro, trabalha elementos preponderantes na poética barreana, os a escrita autobiográfica e a prosa poética, que são uma tentativa de providenciar uma mudança formal entre as escritas que relatem o percurso de uma vida contada pelo protagonista dos fatos, sem contudo, confiná-las ao gueto da sub-literatura. Seria uma narrativa retrospectiva em prosa que uma pessoa real faz de sua própria existência, quando atribui importância a sua vida individual, em particular sobre a história de sua personalidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Memórias Inventadas&lt;/strong&gt; é prosa poética, pois assim “confirma a inclinação de Barros para a poesia, como se, através da obliquidade desta, fosse possível alargar as possibilidades do que é narrado, em detrimento da mera linearidade da prosa. Assim, da união das duas formas surge a expressividade máxima: a união do lírico com o narrativo, abrindo uma via mais larga para a expressividade se desenvolver” (LINHARES, 2006, p. 20). Para que ocorra é necessário um pacto autobiográfico, que se estabelece através do texto e do para-texto que o circunda. Percebe-se a confirmação da identidade real do autor, e o seu desdobramento em narrador e protagonista da narração:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;AUTOR - NARRADOR - PERSONAGEM&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Neste livro o pacto está à princípio no nome &lt;strong&gt;“Memórias Inventadas”&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memória é a faculdade individual que, na sua essência, não pode ser compartilhada com mais ninguém. São contadas sob o único foco possível, o daquele que lembra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na rememoração re-encontramos a nós mesmos e a nossa identidade, não obstante os muitos anos transcorridos, os mil fatos vividos. Encontramos os anos que se perderam no tempo, as brincadeiras de rapaz, os vultos, as vozes, os gestos dos companheiros de escola, os lugares, sobretudo aqueles da infância, os mais distantes no tempo e, no entanto, os mais nítidos na memória&lt;/em&gt; (BOBBIO, 1997, p. 31).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torna-se impossível ao autobiógrafo a fiel reconstituição dos fatos, pois um discurso calcado na memória, na lembrança, reveste-se de valores que presidem a vida do sujeito no momento da escritura, não necessariamente correspondendo aos que o guiavam no momento do fato lembrado são lembranças pertencentes ao tempo em que se conta, sendo, por isso, passíveis de constantes atualizações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reside nesse ponto a grande dubiedade da memória, pois ao mesmo tempo em que é contaminada pelo momento atual do sujeito, ela surge também como um mecanismo repetitivo que possibilita ao autobiógrafo recompor quadros que lhes são significativos, expurgando acontecimentos que lhe possam relembrar maus momentos, fatos constrangedores, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse expurgo é propiciado pela perspectiva temporal, pois a passagem do tempo e o distanciamento narrativo convertem o 'eu' que conta em outro diferente do que é contado. Se há a identidade entre as instâncias, selada pelo já mencionado pacto, há também um desdobramento que permite ao autobiógrafo se ver como um outro que não ele mesmo, refazendo o percurso de forma indolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. LINGUAGEM INFANTIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reconstrução via discurso do universo infantil é então uma tarefa que não pode excluir o imaginário, e, em se tratando de um discurso que reverbera poeticidade, tal mescla não pode ser entendida como fuga ao conceito de autobiografia, pois a poética também se alimenta com a essência do imaginário. As lembranças continuam sendo o mote inicial para o desenvolvimento da escrita, contudo, para trazer à tona aquele 'eu' que se encontra apenas no passado, é necessário que se evoque também o poder do devaneio, pois através dele se pode abrir o núcleo de infância que habita em cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaston Bachelard afirma que &lt;em&gt;“quando esse devaneio da lembrança se torna o germe de uma obra poética, o complexo de memória e imaginação se adensa, há ações múltiplas e recíprocas que enganam a sinceridade do poeta. Mais exatamente, as lembranças da infância feliz são ditas com uma sinceridade de poeta. Ininterruptamente a imaginação reanima a memória, ilustra a memória”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso ocorre pelo fato de o poeta-escritor não submeter os conceitos de imaginação e memória aos critérios da percepção, pois a lembrança só pode revelar imagens, e essas imagens revelam muito além dos fatos, elas desvelam valores. Nesse forjar de valores, são ressaltadas as imagens que se deseja ver, ficando opacas as demais por sua pouca importância para aquele que conta. Enquanto foco da narrativa, a infância possui múltiplas interpretações e significados que interpelam o imaginário, tanto de quem conta como de quem lê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como escrita autobiográfica que é, em &lt;strong&gt;Memórias Inventadas&lt;/strong&gt;, é clara essa cisão de um 'eu' que, ao se contar, converte-se em outro, como se ao mesmo tempo em que a narrativa aproximasse o 'eu-presente' do 'eu-passado', também descortinasse a impossibilidade desse 'eu' continuar sendo o mesmo do início; essa divisão está explicitada, inclusive, pelo distanciamento dado pelo uso – em alguns textos - da terceira pessoa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja-se o que ocorre no texto “Desobjeto”, nele, o narrador se converte num outro, designado genericamente apenas como o menino que descreve as etapas necessárias para a metamorfose de um pente em um desobjeto. O prefixo de negação acrescentado ao radical retira do pente sua função objetiva, reincorporando-o à natureza, numa apologia indireta à liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino que era esquerdo viu no quintal um pente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tem organismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que o pente estava sem costelas. Não se poderia mais dizer se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feito o pente deram lugar a um esverdeado musgo. Acho que os bichos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do lugar mijavam muito naquele desobjeto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heráclito parece gritar aqui sua teoria do movimento contínuo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que o pente perdera a sua personalidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava encostado às raízes de uma árvore e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não servia mais nem para pentear macaco. O menino que era esquerdo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tinha um cacoete pra poeta, justamente ele enxergava o pente, naquele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estado terminal. E o menino deu para imaginar que o pente, naquele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Desobjeto, III)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse entrecho, é somente no final que o narrador auto-representado entra em cena, fundindo-se com o antes representado, numa consubstanciação que reforça a tese de que o 'eu' que conta se reconhece naquele do passado, mas, ao refazer seu próprio percurso, não é aquele primeiro – o contado - que tem a voz, mas sim o 'eu-atual'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança surge como voz apenas fabulada, na medida em que a narração é construída do presente do adulto, ela continua um “sem voz” que tem sua vocalização possibilitada por um adulto que a conta, no desejo de revivê-la. Ainda que o desejo desse 'eu-atual' seja voltar àquele momento passado distante, ele só pode fazê-lo através da fabulação do que já foi, mas não é mais, pois como escreve Barros no posfácio de Memórias Inventadas, “se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele busca fazer a comunhão entre a criança que foi com o adulto que é, mas sem conseguir desvencilhar-se da visão que nesse um conjugam-se dois. Essa simbiose, de um 'eu eventual' e um 'eu-do-passado' como um diverso que se deseja mesmo, irmana-se com a que foi sofrida pelo pente e a natureza, na qual há a fusão de elementos dispersos, mas não totalmente heterogêneos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. REARRANJO SEMÂNTICO – ILOGISMO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na poesia de Manoel de Barros, o enfoque não está na palavra, ou melhor dizendo, na significação. Existe maior preocupação com a construção, o visual obtido com o arranjo inusitado de palavras. A preciosidade de seus poemas reside na improvisação de formas ou combinações de uma maneira insólita, pela qual se descobrem mundos desconhecidos ou se exploram zonas ignoradas no conhecido. Ao enveredarmos na literatura barreana temos a impressão de que, por um instante, o mundo tal como o percebemos deixa de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre na sua poética uma quebra do paralelismo sintático e semântico causando a agramaticalidade da frase. O esfacelamento da gramática apaga as marcações e referencialidades que asseguravam uma leitura objetiva e inteligível. Esse tipo de construção ensaia o descompasso entre as palavras e fluxo do pensamento, devolvendo ao pensamento a liberdade vertiginosa com que nos surpreende. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento de sua obra simula uma escrita labiríntica: não há como seguir reto por ausência da linearidade; há uma sucessão de fragmentos que se inter-cortam e improvisam diferentes aberturas, por onde se inicia o movimento paradoxal de perder-se para melhor conhecer, sair do curso e experienciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler deixou de ser visto como simples tarefa de passar os olhos para reconhecer alguns símbolos gráficos. Ultrapassando essa primeira etapa a qual poderíamos chamar de mecânica ou superficial, o exercício da leitura constitui uma seleção e reunião de impressões que nos inquietaram, a fim de serem conjugadas com os conhecimentos previamente adquiridos. Logo as construções não se regulam pelas normas gramaticais, uma vez que sobressai o trabalho do poeta para encontrar outras maneiras de combinar de palavras, diferente do convencional. Cabe ao poeta explorar as possibilidades dispostas no código linguístico; perceber todas as possibilidades que a língua oferece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que para muitos é visto como absurdo e despropósito, no modo “torto” pelo qual o poeta pantaneiro concebe as coisas, aparece como exercício de linguagem, para explorar a língua nos níveis fônico, sintático e semântico. Dessa experimentação, surgem imagens como: “carregar água na peneira”, “guardador de águas”, “catar espinhos n’água”, entre outras. Classificar de absurdo tais composições assinala os limites do mundo delineado pela razão. Por que a poesia não pode ser alegre, provocar o riso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos habituamos a olhar imagens prontas e, consequentemente, perdemos a desenvoltura do olhar curioso que percorre as superfícies para descobrir novidades. Temos constantemente o olho desviado para letreiros luminosos, símbolos chamativos, cartazes de cores-vivas, todos esses artifícios empregados ao mesmo tempo numa confecção para persuadir o espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. METAPOESIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta que a poesia faz sobre si mesma, revelando as suas formas, caracteriza-a como metapoesia, marca específica de um dos impulsos da literatura da modernidade. Toda poesia sobre poesia é uma tentativa de conhecimento do ser que ela é. Há um redimensionamento da arte na realização de tal processo, porque a concepção metalinguística de construção e consciência existe para marcar oposição à concepção de arte como sentimento e expressão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A função metalinguística na arte literária indica a dessacralização do mito da criação, ao expor o processo de criação artística ao leitor que, hoje, não mais a contempla como “algo inatingível”, algo insondável e inspirado pelo poeta, porta-voz de um objeto de privilegiados. Nesse sentido a poesia torna-se crítica da linguagem e, no nível da recepção, condiciona o leitor ao engajamento dando-lhe a condição de co-autor. A poesia não é mais um produto final; é articulação de um processo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra essencial marca da poética de Manoel de Barros é a defesa da necessidade de abandonar a inteligência para o entendimento através do ser as coisas a fim de torná-las matéria de poesia. Assim é a poesia para o eu-lírico: ela tem a capacidade de atrair e encantar os homens, de fazê-los maravilharem-se com o mundo e com o que nele há, de instigar a imaginação e a criatividade, de lhes ensinar a procurar o lado não visto das coisas, de nunca se contentar com o pronto e acabado. O poema trabalha com todas as coisas de formas infinitas, nunca esgotando a capacidade de inovação da linguagem. Como no poema “Uso as palavras para compor os meus silêncios”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto das palavras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansadas de informar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou mais respeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as que vivem de barriga para o chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tipo água pedra sapo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo bem o sotaque das águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou respeito às coisas desimportantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prezo insetos mais do que aviões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prezo a velocidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;das tartarugas mais do que dos mísseis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho em mim um atraso de nascença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui aparelhado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para gostar de passarinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho abundância de ser feliz por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu quintal é maior que o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um apanhador de desperdícios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo os restos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como as boas moscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque eu não sou da informática:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou da invencionática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só uso as palavras para compor meus silêncios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O apanhador de desperdícios, IX)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. CONCLUSÃO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memórias Inventadas: a infância é um belo livro embalado para presente. Com sua fita azul, folhas soltas, uma infinidade de detalhes que absorvem o leitor. Tudo pensado para criar um pacto com o leitor. Propiciar uma atmosfera lúdica em que seu impacto vá se ampliando, crescendo, como uma boa lembrança sempre causa. Manoel de Barros usa e abusa de uma fórmula por ele mesmo consagrada, uma mistura de metalinguagem, retorno ao passado, linguagem infantil, ilogismo, buscando uma desconstrução e posterior recriação do universo que o circunda. Refundação aparentemente necessária para quem percebe o mundo que o cerca de maneira tão lúdica. Essa fuga do mundo presente, essa recriação dele em novas bases é como uma ponte que tenta salvar a si mesmo e a quem se propõe a pactuar desse novo universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E ÁS VEZES CRTL C+CRTL VEZADA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARROS, Manoel. Memórias Inventadas: A infância. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LINHARES, Andrea Regina Fernandes. Memórias Inventadas: Figurações do Sujeito na Escrita Autobiográfica de Manoel de Barros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SÁ, Maria da Glória, et alli. Memória da Arte em Mato Grosso do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;so&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-178633564446874130?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/178633564446874130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=178633564446874130' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/178633564446874130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/178633564446874130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2010/02/memorias-inventadas-de-manoel-de-barros.html' title='Memórias Inventadas de Manoel de Barros'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/S3WulzwSTwI/AAAAAAAAAl4/tbh6goxCzII/s72-c/manoel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-8735317999038214358</id><published>2009-12-19T09:45:00.000-08:00</published><updated>2009-12-19T09:45:32.078-08:00</updated><title type='text'>Utopia de um homem que está cansado</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sy0RLWK3OdI/AAAAAAAAAlA/2zYcNyEbOf8/s1600-h/feijao.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sy0RLWK3OdI/AAAAAAAAAlA/2zYcNyEbOf8/s320/feijao.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivemos o tempo dos fenômenos anabolizados pela Internet, uma era torpedeada via Google. Novos Michaels estão sendo gestados em fábricas de fundo de quintal. Só não serão melhores, que o péssimo original, pois estrelas precisam de lendas e mitos pessoais para os engrandecer e isso demanda tempo. Tempo é o que não temos hoje. Vivemos para ser bombardeado pela próxima grande atração que durará o suficiente até que outra a supere. E assim ocorre uma substituição sem fim, numa redundância sufocante. Como músicas que baixamos aos montes e nem nos damos ao trabalho de prestar atenção de verdade, pois sempre tem uma novidade novinha em folha clamando por atenção. A voracidade e o péssimo gosto dos fregueses de novidades impressiona. Se é para ficar linkado em algo, que seja sempre aquele que se expõe mais e se joga sem medo: uma princesa Diana entre ferros retorcidos; um Bush desviando de sapatos. Nosso desejo pelo volátil é imenso. Adoramos vozes belas em invólucros esquisitos, é contra tudo o que crescemos vendo, e é o novo da estação que nós sempre queremos. Sendo estação o sucesso do dia, quiçá, da semana. Balões prateados flutuando ao encontro dos nossos desejos (ou os desejos da mídia e dos seus vampiros). &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas sempre existirá os rebeldes. Sorrio para esses minúsculos agrupamentos de plantão. Nossos neo-hippies-passadistas. Sempre teremos em meio a toda unanimidade, focos de resistência inermes. Niilistas de fachada, fingindo ser contra tudo e todos. Nada mais fake que grupelhos que usam cabelos mau penteados propositadamente; tatuagens; a roupa que não está na moda; a camiseta do Che. Novos bandos para substituir os de antes: punks, góticos, hippies, nerds, indies, metaleiros. São a resistência ao irreversível. São os anti-tudo da nova era. Abandonados no seu córner, sem adversário para lutar: quem liga pra eles?. "Não, eu não tenho orkut, nem facebook, e odeio msn", significa dizer como em um ontem não tão longínquo: "eu odeio a sociedade, por isso moramos aqui, nessa comunidade, integrados com a natureza, livres da opressão do sistema". Bela inutilidade. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mundo dá mais voltas que conseguimos acompanhar. Celular sem bateria; um dia sem msn; uns minutos sem trocar e-mails ou torpedos; impossibilidade de baixar mp3s; melhor o Inferno de Dante, diriam não só os jovens, mas também as crianças, os de meia-idade; os idosos. Como imaginar a vida sem internet? Minha mãe esperando na janela meu pai chegar, enquanto cuidava das roupas, dos filhos pequenos, matava uma galinha, arrancava uma cenoura do chão. Minha mãe não conheceu a internet, feliz dela? Creio que não. Imagino ela hoje, ainda esperando meu pai chegar, conversando com seus filhos e netos em São Paulo, com seus filhos e netos em Cuiabá, com seus filhos, netos, bisnetos, irmãs em Campo Grande, ela, com certeza, se sentiria bem mais completa se tivesse tido a oportunidade de algo tão futurista. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma vida bucólica como era da minha mãe, será, num futuro próximo, um grande hit. Fazendas ecológicas, em que o contato com a natureza, liberdade, vagarosidade, será o tradicional em voga. Serão as sacristias da modernidade galopante. Templos em que se oficiará as novas missas. Computadores ultra-high-techs, laptops mega-powers, celulares-câmeras 24 horas online, mp20, tudo desligado. Rede, só as que dormirão sonos reparadores os visitantes ilustres, ou melhor, os viciados da modernidade, ou seja, quase todo mundo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra tradição de um futuro próximo será o se doar. Ser ou estar em ONGs fará toda a diferença. Dos bagres mandis do rio Paraguai aos moradores do mangue da Polinésia. Das Genis dos becos ou as de luxo às pessoas que nunca passaram num concurso público. Dos gnomos e fadas aos políticos anônimos. Todo mundo terá alguém pra chamar de seu. Algo como um bolsa-família monumental. Doar R$ 7,00 para o Criança Esperança que nada. Um mundo mais glorioso será quando todos, tradicionalmente, além da sua jornada de trabalho, partilharem de leituras de livros para cegos analfabetos. Oh, o mundo estará melhor assim? É claro, mas quem não gostará muito serão os totalitários de esquerda que perderão um nicho do seu mercado, no vale-tudo pelo social. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Carnaval vai sobreviver. Ele, que não é mais o tradicional que conhecemos, mas vai viver e mostrar mulatas ainda rebolando quase sem roupas; celebridades com a pele pintada; comunidades em transe. O carnaval ainda vai ser algo que chamará a atenção do mundo, pois, nós somos o país do futuro, do samba, do futebol, da banana, do pré-sal e de todos os clichês possíveis, não seria justo a maior festa pagã que temos sucumbir assim assim. Que acabe o futebol, essa farra de obtusos desmilinguidos, correndo atrás de uma bola em arenas de concreto e gramados verdes como um pasto, tá, melhor não também, precisamos de toda distração possível para o povo (esse ente infeliz que sofre e sorri ao mesmo tempo que tem seus sentimentos usados pelo bando da hora).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Manteremos outras tradições. Aqui não aprenderemos a tomar o chá das cinco londrino, mas salvaremos as que mais nos representam. Pão com mortadela. Casamento na Igreja. Sentar num bar para jogar conversa fora. Festa de debutantes. Café com pão de queijo. Churrasco no fim de semana. Show caipira em festa agro. Pudim de padaria. Trote aos calouros. Banda de escola. Assistir novelas. Postar o novíssimo e revolucionário texto, que não vai ser lido por quase ninguém. Manteremos muitas das nossas tradições: da cidade, do estado, do país, pois somos saudosistas de plantão e nada como uma festa junina pra alegrar um espírito. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já dizia um ilustre escritor: "modernos são móveis velhos e neuroses novas", e clássico o que é? Hoje é tudo que tenha um mix de velho com um élan irrepreensível de novidade. Livros velhos, fotos velhas, fatos velhos, filmes velhos. Mortos famosos. Mortes antigas. Gênios reais e do marketing pessoal. Coisas não tão vistas mas que se materializam e assombram a todos; isso é o clássico de hoje. Mas clássico mesmo num futuro próximo será tudo aquilo que conseguir burlar o tempo atual - eis o grande senhor do mundo: o Tempo, será ele o Deus tão procurado? Aquele que sobreviver à ditadura do já será o clássico do futuro. Quem sobreviverá? Twitter? Kaká? Fast food? Kuat Eco? Obama? U2? Susan Boyle? Faustão? Naruto? Paulo Coelho? Fotografia digital? Clássico, será sempre aquilo que surge e muda tudo ao redor; quebra barreiras, é imitado, e o simples fato de sabermos que existe ou existiu, nos transforma ou transformará. Como um filme do Carlitos. Como Homero e Shakespeare. Como ver Mané Garrincha colocando pra sambar um bando de joões. Hitchcock. Beatles e Ramones. All Star. Arroz feijão bife batata frita e salada. Coco Chanel. Jeans. Como Machado, Kafka e Borges, que aliás empresta o nome de um conto seu para o texto todo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;* Texto publicado no http://picidaribeiro.blog.terra.com.br/ - na verdade feito de encomenda para ela, que queria saber o que eu achava&amp;nbsp;que no futuro seria&amp;nbsp;clássico ou tradicional. Quase uma armadilha, pois eu, boca aberta, podia ter sido conciso e dito tudo de maneira mais simples, mas não, e tome texto enorme, para o desgosto dos fregueses.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-8735317999038214358?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/8735317999038214358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=8735317999038214358' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8735317999038214358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8735317999038214358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/12/utopia-de-um-homem-que-esta-cansado.html' title='Utopia de um homem que está cansado'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sy0RLWK3OdI/AAAAAAAAAlA/2zYcNyEbOf8/s72-c/feijao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-1468211960176748405</id><published>2009-11-16T12:07:00.000-08:00</published><updated>2009-11-16T18:44:27.069-08:00</updated><title type='text'>Faz-me rir!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Domingo à noite, um dia mórbido. Ao sairmos de casa ou embarcarmos num ônibus, o que vemos é um cenário desolador. Os mais puritanos se revestem com a engomada roupa social, fazem o melhor ar de moço bom e carregam como um tesouro a bíblia debaixo dos braços. Mães desavisadas e pais embriagados equilibram sacolas e a coleção de filhos pequenos. Nesses rostos, o que se vê é a exaustão, a catarse de quem leva uma semana árdua de trabalho e tem como único lazer o fugaz fim de semana para levar os filhos para ver a avó, a qual talvez não os receba sempre com a mesma receptividade. Os bebês nos colos manifestam seu cansaço em lágrimas torrenciais e um berro incessante. Os emos púberes acham que a vida pode realmente ser mais colorida se encherem-se de piercings e trajarem o preto cotidianamente. Os bares, lotados de homens vazios, como lembraria Vinicius, todos diante de telões gigantes que exibem um futebol que inspira palavrões e o sarcasmo com o amigo que torce pelo time que está perdendo. Os que não assistem, praticam. As ruas esburacadas transformam-se em palco para a pelada dos amadores. Senhoras desperdiçam conversas nas calçadas. Outros e outras são mais acomodados ainda e se refestelam diante de domingos que eram ão e agora caminham para inho. É difícil acreditar que possa haver vida inteligente diante de tanto marasmo, tanta insalubridade. É quase impossível crer numa salvação. Mas ela existe. E existiu no último domingo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O santo milagroso chama-se &lt;a href="http://www.fulanodital.com.br/blog/"&gt;Fulano di tal&lt;/a&gt;. E o milagre produzido chama-se Faz-me rir. É claro que nem todos têm a chance de ser agraciado quando eventos assim acontecem. A peça aconteceu no Palácio Popular da Cultura. Que de popular só tem mesmo o nome. O pomposo teatro fica no meio do nada, ou melhor, no meio do Parque dos Poderes. Piada de mau gosto e herança maldita de Pedro Pedrossian; todos os órgãos públicos perto um do outro. Tudo perto. Mas longe do resto da população. Pra lá os ônibus rastejam levando uma multidão de funcionários públicos e cidadãos vitimados pela burocracia. Porém, só podemos desfrutar de tal infortúnio durante a semana. Nos finais de semana, só os bem-aventurados que dispõem de carros próprios ou de meios para custear os temperamentais taxímetros é que podem lá chegar. A “gente humilde” de Chico fica fadada ao nada da televisão. Na verdade, a “gente humilde”, muita das ocasiões, passa a ser também a ser gente invisível. Que importa saber se a maioria das pessoas não podem chegar lá, uma vez que elas também não vão ter como comprar os ingressos? O Palácio é palco das grandes produções, das estrelas globais e de vez vem em quando também frívolas. E o único meio é cobrar caro para bancar os gastos. No entanto, no último domingo não foi assim com Faz-me rir. A peça de produção local teve preços populares, mas o empecilho de se chegar lá persistiu. Os que conseguiram vencê-lo amanheceram em segundas-feiras encantadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A peça começa com um casal fazendo uma espécie de publicidade do grupo. Contando de como ele surgiu e as piadas e confusões que sempre surgem com o curioso nome de Fulano di tal. Nessa conversa a três com público, tomamos conhecimento de forma divertida de como é a dura realidade do artista que precisa buscar patrocínio. É verdade que essa introdução nem sempre traz piadas felizes e pode por vezes desanimar o público. Mas o espetáculo vai sempre ganhando vida num ritmo crescente a cada troca de personagem, o espetáculo é feito em esquetes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira é de um casal que se conhece pela internet e marca um encontro inusitado num restaurante. O computador é o cupido ideal para juntar personalidades que se atraem e se repelem. A menina é toda colorida, toda fashion como ela mesma diz, e ele parecer ter fugido da violada mais próxima; bota, calça apertada, camisa e boné. Não faltam tipos por aí assim. Sendo assim também não faltaram doces alfinetadas à música sertaneja que impera por aqui. Isso é o mais incrível da peça: humor local. Estamos carentes disso por aqui em todas as áreas. Na música, dança, teatro, poesia, sempre que queremos falar de nós lembramos de tuiuiús, jacarés, onças e afins como se fôssemos todos descendentes de Robson Crusoé. A segunda vem falar de política criando também tipos curiosos; o laranja, a secretária atraente e ambiciosa, o assessor corruptível e no centro de tudo, o deputado que não saber lidar com as próprias tramoias e alusões à política local também são meras coincidências. Risos também com as amigas que no meio da balada começam a pensar em casamento, em escolhas, em como lidar com os homens, se compensa mais ser uma princesinha ou uma amélia. O gaúcho de profissão não-revelada no início que começa a contar de seu cotidiano de trabalho criando uma série de trocadilhos de conotação sexual. A hilaridade única da noiva embriagada que foge do noivo e trava um diálogo ébrio com o público. Os nossos olhos também saem a dançar para acompanhar os movimentos do ator que percorre uns vinte de anos de dança para mostrar o quanto evoluímos nesse quesito. Música que já tínhamos esquecido, músicas que ouvimos sem querer, outras que já ouvimos e até sabemos a coreografia apenas por odiá-las. Mas engraçado mesmo é entramos no universo infantil e assistirmos com leveza temas como a pedofilia, a sexualidade em si e todas as noias e preocupações sérias e válidas dos adultos que afligem o pequeno mundinho de nossas crianças. Enfim, é impossível não sair extasiado depois de vivermos uma noite assim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morra! Mas não morra antes de ver essa peça. Talvez a única ressalva se faça é quanto ao uso de microfones que talvez pudessem ser dispensados dando mais liberdade aos atores e acabando com o problema de chiados ocasionais, embora quase imperceptíveis ao público. Com pouco cenário e não muito figurino fez-se um belo espetáculo. Vale a pena gastar dinheiro com táxi para vermos algo realmente fantástico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SwGwpj2yEeI/AAAAAAAAAk4/c0urgW5Kux0/s1600/fulano+di+tal.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SwGwpj2yEeI/AAAAAAAAAk4/c0urgW5Kux0/s400/fulano+di+tal.jpg" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;t.c.s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-1468211960176748405?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/1468211960176748405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=1468211960176748405' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1468211960176748405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1468211960176748405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/11/faz-me-rir.html' title='Faz-me rir!'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SwGwpj2yEeI/AAAAAAAAAk4/c0urgW5Kux0/s72-c/fulano+di+tal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-3446222425627480035</id><published>2009-10-24T11:49:00.000-07:00</published><updated>2009-10-24T11:49:27.020-07:00</updated><title type='text'>Um silêncio provisório</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SuNMJS58ceI/AAAAAAAAAkw/TUq-DK1mTT0/s1600-h/snoopy.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SuNMJS58ceI/AAAAAAAAAkw/TUq-DK1mTT0/s320/snoopy.jpg" vr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Misteriosamente eles adotaram o silêncio. Em nenhum momento debateram que, o silêncio, seria a solução dos, não poucos, problemas. Era um acordo de olhares preguiçosos. De backspace apagando frases inteiras. Talvez achassem que no pós-discussão o melhor a fazer era pensar em coisas amenas, talvez nem pensar. Melhor o 'tergiversatio'. Acreditar que o desconhecido é um companheiro tão fiel quanto um cão. E eles se esmeravam em imaginar-se longe das crises por eles mesmos inventadas. Até faziam planos. Pensavam o futuro como se o passado não tivesse existido. Como se fosse possível que feridas tão recentes, milagrosamente, desaparecessem. Ah, os milagres, esses feitos gloriosos que sumiram da face da terra. Ninguém mais escapou vivo das covas dos leões, esquecemos o idioma deles e eles o nosso. E os dias correram por vielas até alegres. Passaram por alguns momentos que eles mesmos não acreditavam ser mais possíveis. Em alguns instantes até acreditaram que eles estavam certos. Portas novas se abrindo. E as outras, as portas de antigas dores, trancadas à sete, extraviadas, chaves. Mas todos sabemos como são essas coisas. Fica sempre um rancor armado no espírito... facas sendo afiadas... armas de destruição em massa compradas no mercado paralelo... a próxima batalha, se houver, será mais dramática ainda... mas, enquanto ela não chega, recuperam-se da última, um nos braços do outro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-3446222425627480035?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/3446222425627480035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=3446222425627480035' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3446222425627480035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3446222425627480035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/10/um-silencio-provisorio.html' title='Um silêncio provisório'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SuNMJS58ceI/AAAAAAAAAkw/TUq-DK1mTT0/s72-c/snoopy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-5896411285321469857</id><published>2009-09-22T14:39:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T14:40:23.849-07:00</updated><title type='text'>Jorge</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho ao volante do Voyage, vendo surgir e desaparecer curvas, mal conseguindo acreditar na quantidade de buracos da rodovia, indefinidos e surpreendentes, que teimavam em brotar, como armadilhas engenhosamente calculadas, Jorge pensava em sua vida como quem visita um parente distante no cemitério: levemente compungido e bastante incomodado. Seria sempre assim, ele achava, desde pequeno fazia a si a mesma pergunta: “por que tudo era tão difícil pra ele?”. Sentado em bancos de igrejas, apenas ficava mais confuso, jogavam-no de versículo em versículo, de parábola em parábola, mas nunca lhe diziam claramente: “é por isso!”. A escola completou seu quadro de desespero, pois os professores estavam ocupados demais mandando que decorassem isto ou aquilo, e a resposta não estava em nove vezes nove, mesmo ele sabendo que era oitenta e um à custa de muitos cascudos de sua mãe analfabeta e cintadas do pai bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, quando o exército o abraçou, para honrar a pátria, ele quase foi feliz. Os novos companheiros, que dividiam tudo, de um copo de cachaça com molho de pimenta, aos gigantescos cigarros proibidos, dividiam igualmente socos e pontapés quando alguém decepcionava a maioria, mas eram a melhor família que já conhecera. Ele podia sentir tremores consistentes na boca do estômago quando montava e desmontava seu FAL em menos de um minuto ou quando conseguia fazer mais de 300 abdominais. Mesmo quando sentia horror nas madrugadas insones em que cumpria seu quarto de hora no mesmo dia em que estava de serviço o tenente Arantes, um maluco que chegara da escola de para-quedistas e aplicava os maiores castigos se pegasse um soldado dormindo ou desatento que fosse, “ah, sua malditas senhas e contra-senhas”. Tudo era tão real e sincero que até gostava. E os acampamentos eram o mais próximo da sensação de perigo real que já sentira, com seus exercícios estranhos, seus rigores descompensados, como se estivessem realmente se preparando para uma grande guerra que nunca chegou. Caminhar pelas trilhas à noite é bem parecido com o cortar o breu da estrada de carro, lá a luz vinha dos camaradas, aqui dos faróis – pena que fosse uma luz muda. Mesmo com todas as dificuldades vividas ali, no 17º Batalhão de Caçadores, ele foi feliz, e, longe dos camaradas sempre prontos para tudo da sua 2ª Companhia o medo lhe corroía a alma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, como que agarrado às suas memórias, um náufrago tentando encontrar pegadas na praia da sua vida, um Sexta-Feira qualquer que fosse, para assim não pensar no que estava fazendo. Essa viagem maldita, com sua carga maldita, com o maldito dinheiro que já havia recebido metade, e tudo por que seu olho esquerdo agora só via nuvens brancas entremeadas de cores inusitadas e mentirosas. Foi isso que ocorrera naquele dia. Só quando sentiu a pancada é que se lembrou que não enxergava quase nada e que o retrovisor esquerdo, para ele, era uma peça inútil; mas percebeu isso tarde o suficiente para toda sua vida mudar naquele fatídico momento. A empresa não se recusou a pagar os reparos, nem mesmo quando o proprietário do Honda Civic levou-o para a autorizada da rua Bahia – cujos proprietários eram notórios rábulas do conserto. Jorge nem teve tempo de descobrir a razão disso, foi demitido dois dias depois, sem justa causa, mas com todos os motivos aparentes: o estrago era grande o suficiente pra que ele ficasse sem salários por quase um ano; a empresa descobriu enfim aquela cegueira parcial; fora a terceira vez que ele se envolvia em algum tipo de acidente, terceira e última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma certa idade o desemprego é como uma doença contagiosa, todos o olhavam com desconfiança, ainda mais quando percebiam que a única coisa que ele havia feito a vida inteira fora dirigir veículos grandes: Expresso Mira; Viação Mota; Viação Cidade Morena e tantas outras empresas. Mesmo assim ele tentou. Enquanto tinha o seguro-desemprego ia fazendo uns bicos, pedreiro, descarregador de caminhões, segurança. Mas, quando a última parcela foi retirada na boca do caixa, e o Detran só lhe concedeu a carteira B, um frio esquisito passou pela sua nuca: como iria fazer agora? E quando tudo ia faltando perigosamente, inclusive os parentes, que esses são como gatos que pressentem a morte de algum morador da casa, Jorge resolveu viajar pra Corumbá e tentar por lá uma sorte que nunca teve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Seu Jorge” - disse um senhor atarracado, que estava próximo o suficiente pra que sentisse o cheiro de peixe e cerveja que ele exalava – “nós confiamos no senhor”. “Aqui está o endereço onde você tem que levar o carro, entra, deixa as chaves e os documentos e me liga”. “Lembre-se, se a polícia te parar que não sabia o que estava carregando e nunca me viu nem mais gordo nem mais magro...a sua família agradece”; falava e voltava-se para seu prato de costelas de pacu fritas, arroz e mandioca branca. Jorge sorriu amarelo com seu garfo a poucos centímetros da boca e só conseguiu balbuciar: “Sim Senhor, pode ficar tranquilo”. “Eu só fico tranquilo na hora que o carro estiver lá em Dourados, isso sim”. “Mas, por hora, pega essa grana aqui, e manda pra sua família; a outra parte o senhor recebe lá” e atacava o pacu despedaçando-o, retirando as espinhas e colocando-as em cima da mesa. A quantia era a mesma de três meses de trabalho duro como motorista de ônibus, aguentando aposentados que insistiam em tomar o coletivo na hora de pico; pessoas fedidas; mal-educadas; mal-encaradas; infelizes; estudantes estúpidos; ou aquelas pessoas que faça chuva ou sol, sempre dão um bom dia gorduroso; aqueles tagarelas que nunca se tocam. E ainda teria mais na hora que chegasse. Correu para o banco e na hora que pegou o comprovante sentiu que havia vendido sua alma definitivamente e teve vontade de fugir. “Olha, paga todas as dívidas mais velhas, e faz uma compra bem grande pra casa, entendeu?”; “Pai, onde o senhor tá? Tô morrendo de saudades, você vai ‘voltá’ logo? O Fábio quebrou minha boneca”... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorriso de seu filho, as pequenas mãos da sua filha não lhe saiam da lembrança. Foi por eles, só por eles que havia se metido nesta enrascada, insistia para ele mesmo acreditar. Não poderia suportar vê-los passando necessidades, sem ter o que vestir, sem terem o que comer. A deficiência do menino já era um fardo por demais grande, e ele nunca havia reclamado nenhuma só vez disso. Nunca cobrou do hospital onde ele havia nascido perfeito e sido derrubado, por uma enfermeira desastrada, logo no seu primeiro banho. Não tinha dado um pio quando a sua pequena menina teve, pela primeira vez, que fazer uma cirurgia gigantesca na perna para retirar um tumor; nem reclamou na segunda, pois a primeira não foi bem sucedida. Apenas queria saber a razão de tanto sofrimento. Esses terrores voltavam agora, a cada posto da Polícia Rodoviária; toda vez que percebia que os carros estavam andando mais devagar à sua frente, que aleatoriamente eles estavam sendo escolhidos, como numa roleta russa com duas balas no tambor. Sabia o que significava ser uma mula, mas temia que fosse mesmo é boi-de-piranha, que seria entregue por quem o agenciara, para que um carregamento maior passasse em outro lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucos quilômetros de Dourados, livre das barreiras odiosas, conseguiu sentir fome, e, em Itaporã, num restaurante inusitado do lado de um fogão à lenha, se serviu da melhor comida caseira que já tinha visto, comeu de verdade pela primeira vez, desde que se sentara no banco daquele malfadado carro. Foram generosos pedaços de carne, quiabo, feijão, costela, frango; sorria por ter conseguido chegar e já não evitava pensar em Vânia, a mãe dos seus filhos. Sorria quando pensava como a havia conhecido, nos encontros na sala ou no portão da casa, quando tinha que comprar a ausência dos irmãos dela com doces. A gravidez inesperada, a fuga alucinada, aproveitando-se de uma viagem do pai dela. Os casebres em que moraram, um quadrado de madeira, ás vezes com chão de terra batida, mas sempre com uma cama, e era lá que eles foram mais felizes. Trepavam o dia inteiro, até que a barriga começou a incomodar. Depois do primeiro filho tudo havia mudado, pouco, mas ainda assim o suficiente para não ser mais aquilo que ele queria. Mesmo assim, logo depois veio a menina e, com a família, a responsabilidade de ser o homem da casa, como cobrava a vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa garagem, o local indicado, entregou o carro, e pegou o dinheiro - a segunda parte do trato. Comprou uma passagem pra Campo Grande que sairia às 20 horas, depositou quase tudo, e sentou-se num bar em pleno centro de Dourados, e ficou ali vendo passar as pessoas, enrolando o tempo com umas poucas cervejas. Sentia-se disperso, nem feliz, nem infeliz, apenas cansado. Trabalhadores cruzavam ruas, carteiros voltavam com bolsas vazias; pedreiros sujos de mais um dia de trabalho passavam à sua frente; empresários em seus carrões; mecânicos de mãos imundas, mas com a alma limpa, roçavam sua agonia. Queria chorar, rir, gritar, mas nada desatava o nó da sua garganta. Tinha acabado de entregar um carregamento inteiro de droga? Talvez cocaína? Quem sabe maconha? Ou então era só o carro mesmo? Não sabia, não queria saber, queria só ir embora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, cansado do terror da viagem, o ônibus em que estava encostou-se à plataforma. Jorge chorava lágrimas desesperadas, havia chegado ao fundo do poço da desilusão. Havia acreditado em todos os deuses possíveis e impossíveis até chegar ali. Agora, enfim em casa, vendo sua família ali, esperando por ele, compreendeu que não havia ido levar uma mercadoria qualquer; descobriu o que já sabia e havia esquecido, sua família estava acima das dúvidas celestiais. O que ele entregou em Dourados fosse o que fosse, não era mais nada, ele não ficou sabendo nunca o que tinha entregue, então mentiu, pra si e para todos, que se tratava de peças para recuperar umas máquinas que estavam asfaltando a via de acesso à fazenda de um político importante da região, cujo nome ele não podia falar – mas todos sabiam - jurara por sua mãe, Dona Alaíde, mortinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-5896411285321469857?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/5896411285321469857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=5896411285321469857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5896411285321469857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5896411285321469857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/09/jorge.html' title='Jorge'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-3814451396904429237</id><published>2009-09-12T11:50:00.000-07:00</published><updated>2009-09-12T12:20:42.545-07:00</updated><title type='text'>Violada</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SqvuTjh9cbI/AAAAAAAAAkY/j8tGYt-kDsU/s1600-h/viola.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SqvuTjh9cbI/AAAAAAAAAkY/j8tGYt-kDsU/s320/viola.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedaços de comida cairam no chão ao primeiro espasmo que ela sentiu. Torceu o corpo violentamente e, às duras penas, golfadas iam voando&amp;nbsp;aleatoriamente. Impossível evitar respingos nos sapatos. Aqui e ali, uma mistura esbranquiçada e fétida lavaram o piso. Um perito criminal diria com certeza o que ela havia comido e bebido. Sherlok Holmes diria até a razão para que os fatos ocorressem desse ou daquele jeito. O certo é que depois do terceiro vômito, serenado os ânimos, recuperado um pouco da cor, que havia fugido junto com os líquidos e sólidos, ela reparou que estava num banheiro minúsculo e que tinha conseguido emporcalhá-lo um bocado a mais. Fora, batiam insistentemente na porta. Amigos? Desconhecidos? Que se danassem. Ela só precisava de mais um pouco de tempo pra que o seu pequeno mundo parasse de girar, pra que conseguisse lavar o rosto, a boca, a garganta. Pra que seu cérebro pudesse se lembrar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A roupa que vestia ela reconheceu. Não era dela. Mas ela já havia visto numa amiga, menor que ela, o que já antevia que algo ruim já havia acontecido. Será que ela havia vomitado na sua roupa? Que banheiro era esse? Vencendo seu asco, olhou para os restos do que havia colocado pra fora. Em que lugar ela tinha comido macarrão? Perguntas, perguntas. Sua cabeça que girava, seu estômago enjoado. Um desespero de dúvidas, dúvidas. Lavou-se. Com papel higiênico secou seu rosto, limpou seus tênis. Achou que algumas daquelas marcas não sairiam mais. "Que se foda", pensou. Aprontou-se o melhor possível e, enfim, abriu a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rostos desconhecidos surgiram. A primeira que entrou no banheiro, recuou enojada: "puta que pariu, que merda, tá imundo essa bosta". Ela livrou-se do pequeno tumultuo e descobriu que estava em uma espécie de baile. Devia ser uma dessas coisas atrozes em que duplas sertanejas tocam e um turbilhão de pessoas dançam e bebem. Um cartaz numa parede explicou o que ela já temia: "Violada da Patroa". Que diabo seria isso? Como, ela que odiava música sertaneja, estava ali naquele lugar? Nenhum rosto conhecido lhe aparecia, ela procurava a saída daquele inferno. Uma mão a tocou no braço, ela virou-se e viu, Gustavo, o cara mais lindo do mundo. Sua obsessão naqueles meses todos. Havia corrido atrás dele com uma disposição de maratonista. Ele a abraçou. "E aí, tá gostando benzinho?". Um novo engulho subiu-lhe até à garganta. Lembrou-se então de tudo. "Caralho", pensou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembrou que tinha chegado cedo na casa da amiga. Que tinham começado bebendo cerveja, dois latões cada uma, que tinham jogado conversa fora enquanto faziam mãos e pés. Elas haviam dado banho de creme nos cabelos. Colocado sacolinhas plásticas na cabeça e&amp;nbsp;tinham secado e, depois, esticado os cabelos com uma prancha. A amiga dizia animada: "meu, você vai sair com o Gu, nem acredito, tem que me contar tudo depois". Quando estavam quase prontas, outras amigas chegaram, trazendo vodkas, muitas vodkas. E enquanto iam experimentando roupas bebiam e riam. A casa em polvorosa. No banheiro uma ainda raspava os pelos com uma lâmina e muito sabonete Lux. Outra, atacava os cabelos com a chapinha. Batons, perfumes, pós. Troca de colares, pulseiras, blusas. Tudo ia ficando revirado, e ela, levemente bebada e ansiosa, achava ainda que iria para algum lugar tranquilo com o Gustavo, que iriam se conhecer enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de sairem dividiram&amp;nbsp;preguiçosos nissins e beberam mais cervejas. A vontade de sair com o Gustavo ia sumindo numa bruma de álcool e barriga cheia. Maria que era quem conhecia o Gustavo e tinha conseguido aquele encontro dizia: "o Gu vai esperar a gente lá na Cantina Mato Grosso". Foi a deixa que ela perdeu. As bebidas talvez. Qualquer pessoa sabe que na Cantina só vai quem gosta de música ruim, como ela não prestou atenção nisso? Uma vez no bar, quando o Gustavo dos seus sonhos enfim surgiu, aos olhos dela, já não estava mais tão atraente. Usava calças justas, camisa xadrez, uma bota com biqueira, e um cinto com uma fivela tão grande que ela morreu de vergonha alheia. Sentado ao lado dela ele exalava um cheiro esquisito que ela descobriu ser fumo, que ele havia mascado antes de chegar. A simples imagem de uma pessoa mordendo e cuspindo algo preto e podre fez seu estômago embrulhar. E ele falava diretamente no seu ouvido e o cheiro de fumo entrava pelo seu nariz e caia como uma pedra no seu ânimo. Pra evitá-lo, voltou a beber. Cerveja e copinhos de tequila, com limão que era espremido dentro da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele a beijou ali mesmo na mesa. Ela, que pensava em realizar um sonho, viu tudo se tornar um pesadelo. Era o primeiro beijo deles, mas ele tanto forçou sua boca com a língua e seu bafo horroroso, que ela achou que ia desmaiar. Não de prazer. Pediu licença. Foi ao banheiro e vomitou uma primeira vez. Sujou suas roupas. Uma operação de guerra foi montada pra que ela fosse na casa da amiga trocar de roupas e voltasse, afinal, não era todo dia que se saia com o Gu. Daí por diante ela só recordou espaçadamente de tudo. Foi, trocou, voltou, a camionete do Gustavo, alta, veloz, a mão dele que errava a marcha e tocava-lhe as pernas, era as pernas? A fila na entrada da violada. A violada. Eles dançando chamamé, dando voltas, voltas, voltas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Amorzinho, você vai aonde agora?". "Eu? Pra lugar nenhum, você é quem vai pra puta que lhe pariu, seu filho da puta, sertanojo de merda". Ao que ele respondeu: "Vai você sua biscate de merda, vagabunda, some, desinfeta". Ela sorriu, saiu empurrando todos pelo caminho e quando encontrou a porta respirou aliviada e imaginou-se fazendo pra todos um gesto obsceno. Não fez, nem quis saber qual rumo haviam tomado as amigas, com certeza estavam todas empoleiradas em alguns daqueles carros, em algum quarto de motel. Que fossem todas à merda também, não passavam de umas caipiretes de quinta, que só estavam interessadas em se arranjarem na vida. No fundo da sua bolsa tirou seu MP4 e saiu cantarolando madrugada a dentro: "hey ho, lets go!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-3814451396904429237?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/3814451396904429237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=3814451396904429237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3814451396904429237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3814451396904429237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/09/violada.html' title='Violada'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SqvuTjh9cbI/AAAAAAAAAkY/j8tGYt-kDsU/s72-c/viola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-2656615940906773320</id><published>2009-09-08T05:07:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T05:09:45.455-07:00</updated><title type='text'>Sensações olímpicas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SqZI89EJxBI/AAAAAAAAAkA/oQijbrScQ48/s1600-h/salto.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SqZI89EJxBI/AAAAAAAAAkA/oQijbrScQ48/s320/salto.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A vida só é vida se cumpre sua cota de surpresas maquiavélicas. Quando menos esperamos estamos sentados confortavelmente em nosso melhor sofá, deixando esvair a alegria de estar. Já não faltamos mais a nenhum compromisso, não molhamos os pés, majestosamente, em poças de chuva. Nos fechamos em nós e só abrimos pequenas frestas. Como isso tudo ocorre e nem percebemos? Qual o instante que nos trancamos em nossa carapaça e perdemos o apetite do olhar? Quando o beijo doce no rosto não arrepia mais? A alegria de viver, perdida em meios aos embrulhos da trapaça. Virtudes desperdiçadas quitando contas que já nem sabemos a razão de tê-las feito. Sacrifícios pueris pra não desagradar ninguém, pois, de resto, só devotamos nossa parca felicidade aos nossos eleitos de sempre. A eles tudo. Como é ardiloso o cálice da ilusão: somos enganados pelo tempo que se esvai; pelos companheiros que não aparecem pra dizer olá, pelo simples prazer de dizer olá; pelas possibilidades que não se cumprem. Desejos indesejáveis. Compromissos inadiáveis. Nos importamos demais. A seriedade é roupa que compramos em brechó, que não cabe bem nas vezes que tentamos vesti-la. Deixar tudo de lado um pouco, nos abandonar à suave beatitude de não nos levarmos tão a sério sempre. Não somos relógios, por isso não precisamos ser tão amargos. Desejo de tocar as estrelas, de sorrir para o idoso, atravessar a rua enfrentando carros mau-humorados, cumprimentar o invisível gari, chegar atrasado ao trabalho pelo simples prazer de ver o dia acontecer numa hora diferente. Estamos cegos, perdidos em meio a uma corrida de obstáculos em que no final, mesmo conseguindo chegar, não ganharemos nada senão o cansaço característico de toda maratona. Mas sempre há de ser tempo, &lt;em&gt;("Está na hora de saber! Está na hora da pedra começar a florescer, de um coração golpear a inquietude. Está na hora de ser hora. Está na hora” - Paul Celan)&lt;/em&gt;, pra abandonarmos nossas impenetráveis construções, pelo menos um pouco, e nos vestirmos com as cores da infância, e assim nos abandonarmos às delícias do mundo, pois sim, elas existem, nós é que já não as conseguimos divisar mais em meio ao nevoeiro do dia-a-dia infernal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;ps: viva &lt;a href="http://www.avepalavra.kit.net/poesia2/poesianet195.htm"&gt;Alberto da Cunha Melo&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;s.o.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-2656615940906773320?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/2656615940906773320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=2656615940906773320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2656615940906773320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2656615940906773320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/09/sensacoes-olimpicas.html' title='Sensações olímpicas'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SqZI89EJxBI/AAAAAAAAAkA/oQijbrScQ48/s72-c/salto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-883920785421698744</id><published>2009-09-01T09:15:00.000-07:00</published><updated>2009-09-01T09:19:06.411-07:00</updated><title type='text'>Distopia ou Sonho de uma noite de inverno</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sp1IZIzvIKI/AAAAAAAAAj4/3O_t8Tqkox0/s1600-h/chuva.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sp1IZIzvIKI/AAAAAAAAAj4/3O_t8Tqkox0/s320/chuva.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às portas do Neon Concursos, uma fila gigantesca se empurrava num vai-e-vem incessante atrás do último edital pra mais um concurso que oferecia diminutas vagas com salários astronômicos. Vivia-se uma época em que a única maneira de arrumar um emprego de verdade era estar inscrito numa escola preparatória pra concursos. As escolas tradicionais eram apenas um passo antes do paraíso, muitas disciplinas foram substituídas ou simplesmente abandonadas. Biologia, Química, Literatura, Geografia, História, foram trocadas pelo estudo minucioso da Constituição Federal e das leis dos estados e municípios, de um arrombar gramáticas, destrinchar qual atalho é usado no computador pra 'salvar como' um documento. Nas bibliotecas milhares de livros jaziam abandonados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O apocalipse se abateu numa dessas tantas tardes ocas. Eram tempos estranhos e quando desabou do céu uma chuva de livros, muitos se apavoraram e procuraram abrigos. Ilíadas, Odisséias, Dons Quixotes formavam rios surreais. O vento forte lançava os livros contra janelas que se estilhaçavam, apartamentos recebiam suas cotas de Kafkas e Rosas. Foi passageiro, tão rápido como veio a chuva dissipou-se, as cidades é que nunca mais seriam as mesmas. Pessoas apressadas corriam segurando suas leis em PDF, dirigindo-se para suas salas de aulas, fugindo do encontro com tantos livros. Capas coloridas brilhavam. Nas ruas, motoristas aturdidos, não sabiam se iam ou ficavam, em alguns para-brisas livros caíram abertos e os passageiros podiam ler poemas de Emily Dickinson, galhofas de Osvald de Andrade. Nos ônibus alguns livros acertaram em cheio alunos distraídos, alguns bem-aventurados receberam diretamente nas mãos um Vargas Llosa um Mia Couto. Pessoas vindas dos metrôs paravam assustadas e tropeçavam em Dostoievskis e Camões. Beckets absurdos boiavam em rios. Rios metafísicos de Cortázar não corriam definitivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O governo, ignorante, decretou estado de calamidade pública, perdendo a oportunidade de provar tão belos manás. Para limpar as ruas uma brigada especial foi criada. Tal como no filme de Truffaut, os bombeiros agora queimavam livros, pra poderem tornar as cidades novamente habitáveis. Os lixões nunca tiveram tão formoso espetáculo: Machados, Woolfs, Camus, Eças, Drummonds, Gogols, Twains, Hemingways, Dantes, todos misturados numa visão escruciante. Tropeçava-se em livros. Ao alcance das mãos Macbeths abobalhados, Macunaímas abandonados. Nem Borges na sua infinita cegueira pensou em algo tão fantástico. Muitos aproveitaram-se dessa benigna dádiva, folhearam pequenas obras-primas, redescobriram o prazer do belo. Muitos se lembraram que um dia existiu Rimbaud. Declamaram Baudelaire. Choraram novamente com Romeu e Julieta. Ouviram o clamor da espada de Aquiles no escudo de Heitor. Um mundo virado do avesso pela força dos livros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia seguinte alguns gaiatos já tentavam vender livros cobrando a quantidade de páginas, mas a oferta era grande demais. Na primeira semana em alguns canteiros de obras podia-se ver cenas como mestres de obras tentando ler “Meridiano Sangrento” do Cormac Macarthy ou um “Guerra e Paz”. Alguns acidentes foram causados por motoristas, que distraídos, liam ao volante “As Metamorfoses” de Ovídio ou um conto de Tchekov. O governo continuou sua labuta de recolher esses novos cavalos de Tróia. Trocava livros por comida, livros por dinheiro. Um Orwell valia um pacote de trigo; Graciliano Ramos, a obra completa, rendia cinco quilos de arroz. No fim do mês os livros estavam devidamente recolhidos e queimados, ou escondidos por hábeis comerciantes do mercado negro. O ministro da Educação recitava um discurso em rede de tvs e rádios, afirmou, citando Conrad, que “o horror!, o horror!” já havia passado. Que novos concursos públicos estavam sendo providenciados, que todos podiam voltar às suas escolas preparatórias. Afirmou também que os culpados por tão insólita chuva só podia ser pessoas da elite, tentando desestabilizar o governo. Contra essa afirmativa membros da elite afirmaram ser isso impossível, pois eles estavam tranquilamente contando dinheiro e lendo, como sempre, best-sellers aguados, inclusive esse que foi entrevistado segurava candidamente um Chico Buarque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passado um tempo, sanado os problemas, um policial, doutorado à distância por uma universidade federal, circulava numa praça esperando seu dia de trabalho acabar, quando percebeu um velho com um bocado de livros ao lado. Ele folheava “Eneida” e chorava, “Medéia” e soluçava; o “Grandes Esperanças” do Dickens e ficava com um olhar vago. O velho foi recolhido a um manicômio, pois segundo o graduado policial, os livros estavam lhe fazendo muito mal. Perto, um gari, formado em Letras num curso presencial de três anos, varria displicentemente enquanto na mão esquerda portava um Shakespeare pocket e baixinho recitava: “Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-883920785421698744?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/883920785421698744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=883920785421698744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/883920785421698744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/883920785421698744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/09/distopia-ou-sonho-de-uma-noite-de.html' title='Distopia ou Sonho de uma noite de inverno'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sp1IZIzvIKI/AAAAAAAAAj4/3O_t8Tqkox0/s72-c/chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-4263217902708905558</id><published>2009-08-15T10:11:00.000-07:00</published><updated>2009-08-15T10:19:02.824-07:00</updated><title type='text'>Biografia de um dia só</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sobs1S13sRI/AAAAAAAAAjI/M8zD1iusc8Y/s1600-h/VELHICE.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370240006020903186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 206px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sobs1S13sRI/AAAAAAAAAjI/M8zD1iusc8Y/s320/VELHICE.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao acordar e perceber que o sol já estava alto uma pequena tristeza o invadiu, rápida e atroz, mas ele a dispensou educadamente, bom cavalheiro que era. Vestiu-se lentamente e, mesmo sem entender, tudo o que fez naquele dia foi assim numa lentidão calculada. À mesa, café, que sorveu encantado. O pão, ele rasgou caprichosamente. Na sua face estampava-se um rosto elegante, descomedido. Livre das amarras criptográficas que teimavam em surgir vida afora na sua testa. Hoje ele estava decidido a aproveitar o dia, simples assim. Sem entender a razão saiu à rua com seu melhor terno, sua gravata dourada, chapéu de palha e sua bengala de cabo de marfim. Suas elegância e falta de pressa destoaram do mundo, que o acolheu mesmo assim. O dia o adotou com um céu de brigadeiro. No bar da esquina, lugar em que passou muitos do seu tempo, cumprimentou a todos, que o receberam entre aturdidos e felizes. Abraços, apertos de mão, conversas sem rumo. Uma iluminação em cada rosto, uma felicidade legítima de todos. Logo um tabuleiro surgiu, logo estava ele gargalhando diante de desesperados peões que fugiam de duas ariscas damas, numa deliciosa caçada de gato e rato. Após o almoço servido na calçada - arroz, feijão preto, bife e batatas fritas - ele avisou que iria seguir sua via-sacra. No ônibus, dispensou os lugares ofertados, jogou conversa fora com o cobrador e saltou no centro da cidade decidido a rever outros amigos. Por onde passou espalhou alegria, comeu, bebeu, até dançou, mas não se cansou. Todos que o viam partir ligeiramente embriagado de vida, não podiam disfarçar uma ponta de satisfação por ele. Companheiro fiel a vida toda: trabalhador sistemático, pai cuidadoso, marido zeloso, amante dedicado, avô brincalhão, com todos os vícios na medida correta da balança de Epicteto e uns bons dons de Epicuro que ninguém é de ferro. Aquele ser maravilhado com o mundo, o mesmo mundo que viu ruir numa só tarde em que teve sua casa invadida por ladrões, que buscavam o que não haviam perdido ali. De um infortúnio brotaram todos os outros. Era dia dos pais, a família reunida foi mantida refém durante o domingo inteiro e diante da impossibilidade de negociar, a polícia invadiu a casa. Matou bandidos e também reféns. Um desastre sólido o suficiente para que ele - sobrevivente - não mais tivesse prazer pela vida até esse azulado dia. Sua peregrinação terminou na escadaria da Igreja da cidade. Ali quedou-se, quieto e melancólico. Se deixou estar durante alguns bons instantes. Para alguns ele rezava, outros disseram que ele chorava. Se chorava ou rezava, o certo é que se consumia em dor e ausência; saudade e impaciência. Todos, em algum momento da vida choram suas lágrimas de sangue, em que temor e dor se misturam a uma vontade férrea de que tudo seja diferente. São as lágrimas da resignação. Secas as suas, a alma mais leve, o corpo fatigado, rumou para sua casa. Despediu-se ainda de alguns extraviados, acalentou uns seres noturnos. Distribuiu algumas notas que lhe restavam. Em casa, banhou-se, colocou o pijama cinzento, suas chinelas, sentou-se à mesa, ergueu um brinde à vida e bebeu seu borgonha em goles milimétricos. Sorveu sua sopa de legumes. Fumou um Porto Faria. Deitou-se, não sem antes apagar as luzes da casa. À luz do seu abajur releu "Camponeses" do Tchekov, deixando escorrer grossas lágrimas pelo destino de Sacha e Olga. Beijou um porta-retratos, bebeu um gole d'água, ajeitou-se na cama, cobrindo-se até a altura do peito. Cruzou as mãos em volta do diafragma. Não sonhou. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-4263217902708905558?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/4263217902708905558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=4263217902708905558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4263217902708905558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4263217902708905558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/08/biografia-de-um-so-dia.html' title='Biografia de um dia só'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sobs1S13sRI/AAAAAAAAAjI/M8zD1iusc8Y/s72-c/VELHICE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-4926360659361707158</id><published>2009-07-15T09:57:00.001-07:00</published><updated>2009-07-15T10:01:51.227-07:00</updated><title type='text'>Jean Charles</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sl4LWMY9NjI/AAAAAAAAAjA/JJ_IeGpmWFs/s1600-h/cartaz_jean.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 222px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358733082528396850" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sl4LWMY9NjI/AAAAAAAAAjA/JJ_IeGpmWFs/s320/cartaz_jean.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando vi Selton Mello em A Mulher Invisível, quase não o reconheci. Selton se gaba por não fazer novelas, não quer ser um “burocrata da televisão”, como ele mesmo diz. E no entanto, fez um filme que é composto majoritariamente por estrelas globais. Já cri desde o princípio que o longa não seria de todo bom. Porém, fui vê-lo confiante no potencial cômico de Selton. Ledo engano. Selton se esmera mais uma vez na sua interpretação. Mas o roteiro é sofrível. Para preencher lacunas, Selton se vale de trejeitos que soam artificiais, exagerados, incapazes de provocar o riso em que consiga usar de mais dois neurônios pra pensar. Outra interpretação que vem funcionar como tapa-buraco é a de Luana Piovani. Que surge sempre sensualíssima para ocultar eventuais falhas. A grande virtude do filme é Fernanda Torres, quase sempre impecável mesmo num papel de pouco destaque. O filme arrastou milhões ao cinema que certamente saíram de casa com dois intentos: rir e/ou ver Luana Piovani pelada. Não conseguiram nem uma coisa nem outra. Somando-se tudo, a impressão que fica é que Selton fez esse filme por dois motivos: ganhar dinheiro e dar carona ao público para ver seu outro filme, Jean Charles.&lt;br /&gt;Agora Selton Mello, em Jean Charles, são outros quinhentos. Resumidamente todo mundo conhece a historia: “o brasileiro que morreu no metrô de Londres”. Isso é o básico de tudo, o que foi falado por um bom tempo nos jornais. Mas o filme é mais que isso, como Selton tem ressaltado em suas entrevistas. Dessa vez, pode-se ver realmente o que acontece com os brasileiros que vivem fora do país, sem aquele romanceado com uma novela da globo tentou contar o mesmo fato tempos atrás. Fora do pais, ninguém é totalmente honesto ou totalmente desonesto. Ninguém age desinteressadamente. A ideia de fraternidade só surge quando pode haver reciprocidade, troca de favores. Jean Charles é assim, pois já começa a trama engabelando as autoridades para que a prima, de quem é apenas amigo o tempo inteiro, possa ficar na cidade. Em Londres, há brasileiros por toda parte, todos se conhecem. Todos se ajudam quando sabem que podem ser ajudados futuramente. Oportunistas? Não! São apenas pessoas que não desperdiçam bondade porque sabem que precisam sobreviver. Jean Charles é um filme de lágrimas e risos. Nesse quesito, Luís Miranda que o diga!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;t.c.s.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-4926360659361707158?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/4926360659361707158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=4926360659361707158' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4926360659361707158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4926360659361707158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/07/jean-charles.html' title='Jean Charles'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Sl4LWMY9NjI/AAAAAAAAAjA/JJ_IeGpmWFs/s72-c/cartaz_jean.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-3472421163020369087</id><published>2009-03-23T08:47:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T15:26:25.351-07:00</updated><title type='text'>Restrições culturais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Outro dia, alguém me disse que ivete sangalo é MPB. Não pude deixar de concordar com essa pessoa. ivete realmente é mpb: música pobre baiana. O primeiro equívoco já começa por aí. Na verdade, MPB simplesmente não existe. Mantê-la, hoje em dia, é uma necessidade comercial. As lojas precisam manter a seçãozinha MPB, que por sinal nem sempre se encontra ali o que realmente se entende por MPB. Mas a tal MPB, antigamente, surgiu de uma necessidade da imprensa esquerdista, demolidora e idiota, nos auges dos anos 60, quando existia no ringue: Música Brasileira versus Ditadura Militar. Nessa época, surgia o Tropicalismo liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Era também o tempo das antológicas composições de Chico Buarque. Paralelamente a toda essa efervescência, surgiam Roberto Carlos e Erasmo Carlos com a Jovem Guarda, inspirada no rock’n roll dos Beatles e Elvis Presley. O que consistia séria ameaça à soberania nacional que já &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Scev77RFPMI/AAAAAAAAAh8/mN3_7uEEzQY/s1600-h/avestruz.jpg"&gt;&lt;/a&gt;não existia naquele período. Outra crítica ferrenha e mentecapta feita a Roberto Carlos é de que ele simplesmente teria sido omisso ao que os militarem estavam fazendo. Que obrigação tinha ele de fazer músicas que falassem disso? Roberto Carlos nunca foi um alienado, um insensível, um conivente e muito menos covarde. Apenas não tinha interesses em músicas políticas, esse é o único motivo por nunca ter feito canções de protesto. Porém, em meio a tanta contundência no dito meio intelectual, Maria Bethânia teve a lucidez de assistir a um programa da Jovem Guarda e dizer que era ali que estava a “vitalidade”. Foi isso que também abriu os olhos de Caetano e fechou para sempre os da mentira Geraldo Vandré. E aí surge a MPB para distinguir a “americanizada” música de Roberto Carlos da dos demais. Pura Bobagem! Naquele tempo, Caetano já tinha entendido que não havia “americanização” nenhuma. Mas o que viria a ser MPB? Certamente, uma mistura de todos aqueles ritmos que pudessem ser considerados brasileiros: o samba, o baião, o frevo, e.... O que mais é realmente é brasileiro? Está vendo só? Se fossemos levar ao pé da letra tal conceito, não teríamos nem a bossa nova. Afinal, seus principais criadores: Tom Jobim e Vinicius de Moraes eram totalmente antropófagos. Tom já tinha influência da música clássica. E Vinicius já era um conhecedor de boa parte da cultura mundial. Quando se juntaram para fazer música, tudo isso veio à tona. A música clássica, o samba, o jazz americano e todo o mais pudesse existir de influência se transformou na receita da bossa nova. Lembrando que &lt;em&gt;Chega De Saudade&lt;/em&gt;, canção símbolo da bossa nova, já havia sido gravada por Elizeth Cardoso em 1958 e depois em 1959, por João Gilberto. Portanto, nos anos 60, já não havia mais sentido falar em MPB, uma música genuinamente brasileira, se Tom e Vinicius já estavam fazendo músicas com tudo o que pudesse existir de boas influências de dentro e fora do país. Hoje, Caetano, Chico e Roberto são justamente os primeiros a recusar o rótulo de MPB, o mesmo vale para os bons artistas que estão iniciando, como é o caso da belíssima Roberta Sá. Quem se reveste da pele MPB, certamente quer aparentar ser o que não é. Não digo que ivete o faça, pelo menos nunca vi. Mas seu público e mídia abitolados insistem em colocá-la num patamar que ela não é capaz de alcançar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, cheguei a uma conclusão- que cri sábia- de como a nossa sociedade é capaz de criar ícones estúpidos. São ivetes, calypsos, vitors e leos, enfim... inimigos da hp e da música. Tais pseudo-artistas não fazem sucesso pelo talento que possam vir a ter, e sim, por uma terrível restrição musical. Uns ficam. Outros aparecem e somem, graças a deus. Alguém ainda se lembra de é o tchan? p.o box? Há jovens e outros nem tão jovens assim, hoje em dia, que simplesmente não sabem quem é Chico Buarque, quem é João Gilberto, quem foi Elis Regina, quem foi Nara Leão, quem foram Secos &amp;amp; Molhados. E essas mesmas pessoas são bombardeadas por uma enxurrada de lixo tóxico que escorre das rádios que tocam mais comerciais do que as ditas músicas. Essas são sempre repetidas numa sequência quase hipnótica que as pessoas ouvem atentamente ou aleatoriamente e gostam. Como não conhecem o que de resto foi produzido pelo país sentem-se maravilhadas. Alguém que conheça 10% da música produzida no Brasil entre 50 e 70 não dá nem as horas para ivetes e afins. Mas o que acontece muitas vezes é que as pessoas que conhecem esses 10% sentem-se atraídas por uma medonha euforia coletiva e para não ficar de fora, embarcam junto, numa espécie de estranha inclusão social artística. O mesmo vale para outros cenários. Dos 3 milhões de expectadores de &lt;em&gt;Se Eu Fosse Você 5&lt;/em&gt;, quantos já viram um filme de Glauber Rocha? Dos bilhões que compram livros de paulo coeho, quantos já leram algum de Guimarães Rosa? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E para piorar esse quadro, surgem intelctualoides que vem falar em diversidade cultural. Colocam tudo no mesmo bolo (fecal). Tudo é arte. O funk é arte. O pagode é arte. O axé é arte. O sertanejo é arte. E até o bbb é arte. Até aí tudo bem. Mas quem vai a um baile funk com o seguinte pensamento: “testarei todos os limites do meu corpo inspirados por uma envolvente dança, ao retornar a casa, ainda que exaurido de forças físicas, terei disposição mental, então sentarei para ler compulsivamente um volume de Dostoievski!”? Não sejamos tolos! A diversidade só leva a uma coisa: a restrição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Scewc6N7qcI/AAAAAAAAAiE/355Or3yNrDQ/s1600-h/avestruz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316411895844678082" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Scewc6N7qcI/AAAAAAAAAiE/355Or3yNrDQ/s400/avestruz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;t.c.s. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-3472421163020369087?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/3472421163020369087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=3472421163020369087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3472421163020369087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3472421163020369087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/03/restricoes-culturais.html' title='Restrições culturais'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/Scewc6N7qcI/AAAAAAAAAiE/355Or3yNrDQ/s72-c/avestruz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-1970417569538501993</id><published>2009-03-07T09:57:00.000-08:00</published><updated>2009-03-25T15:31:38.393-07:00</updated><title type='text'>Idade Média Moderna</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É com pesar que recebi certas informações essa semana. Fui alardeado por um burburinho de uma tal menina pernambucana de 9 anos que foi estuprada e engravidou de gêmeos. Nem procurei obter informações mais precisas. Infelizmente já tinha ouvido falar de casos parecidos. Pensei que essa era só mais uma noticiazinha de algum desses jornais sensacionalistas e que o caso logo ia ser esquecido, como tudo que acontece neste país. Porém, qual não foi a minha surpresa quando soube que a menina já havia feito o aborto e que estupefatamente descobri que o arcebispo de Olinda e Recife, o dom José Cardoso Sobrinho simplesmente resolveu excomungar a mãe da vítima e os médicos que resolveram tomar tal decisão. Como é que é? Excomungar? Como é que se excomunga um médico? Pensei que isso só acontecesse com padres pedófilos. Aliás, pensei que a palavra “excomunhão” nem existisse mais. Achei que isso fosse coisa dos tempos arcaicos e medonhos da Igreja. Detalhe: o arcebispo não excomungou o suspeito do crime e teve o descaramento de dizer que o aborto é um crime pior do que um estupro. Então, arcebispo, que tal legalizar o estupro em vez do aborto? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu particularmente sou contra legalização do aborto. Não por motivos religiosos. Apenas não acho que o Brasil esteja preparado para medidas tão heterodoxas, como a regulamentação da prostituição e a liberação das drogas. Mas especificamente no caso do aborto, eu me preocupo é com a saúde física e mental das mulheres. Será que uma mulher que comete um aborto conseguirá futuramente administrar psicologicamente isso? Qual será a reação quando vir crianças alegres a brincar no parque? O que pensará quando resolver ter novos filhos e vir-los crescendo contentemente? Será que não achará que está faltando alguém ali? E não é só isso. Como será que se comportarão as clínicas mercantilistas que surgirão? Será que tratarão as mulheres com todos os devidos cuidados para que não corram nenhum risco? E será que já se pensou no comércio que isso irá se tornar? Já vejo faixa pelas ruas: “Abortos com 50% de desconto. Faça já o seu! Em caso de gêmeos, aborte dois, pague 1!” E por aí vai.... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas é necessário sensatez! Algo que infelizmente não houve desta vez. A comissão dos bispos teve o despautério de dizer que a Igreja sempre defendeu a vida. Será que eles já ouviram falar em inquisição? Será que o arcebispo se ofereceu para adotar os gêmeos da menina e dar-lhes saúde, educação, moradia, lazer, conforto, carinho, família. Coisas que o poder público não garante completamente. Será que o arcebispo sabe que meninas de 9 anos não estão preparadas para ser mães? E ainda mais de gêmeos? E por que excomungar médicos e a mãe da menina? Se a Igreja considera aborto pecado, como expulsa do seio dela àqueles que são os possíveis pecadores? Ao que me parece, Jesus fazia exatamente o contrário. Já pensou se Maria Madalena tivesse sido excomungada? E quem é o senhor arcebispo para dizer publicamente o que é pecado ou não? E ainda vir falar em “arrependimento”, “conversão”? Caramba! Era a vida de uma menina de 9 anos que estava em jogo. Católicos, me desculpem, mas quem merecia mesmo ser excomungado é o senhor arcebispo! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;t.c.s.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-1970417569538501993?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/1970417569538501993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=1970417569538501993' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1970417569538501993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1970417569538501993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/03/idade-media-moderna.html' title='Idade Média Moderna'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7736656253824844653</id><published>2009-02-28T11:11:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T11:16:15.989-08:00</updated><title type='text'>O eclético</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SamNaB8PCdI/AAAAAAAAAhs/SGFjxP_Loh8/s1600-h/neu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307929114170034642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SamNaB8PCdI/AAAAAAAAAhs/SGFjxP_Loh8/s400/neu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao surgir a pergunta: "de que tipo de música você gosta?"; a resposta devastadora que humilha meu parco intelecto: "ah, eu gosto de tudo". Essa frase merecia uma tese sociológica para ser explicada. Quem sabe um daqueles textos de Nietzsche, curtos e tão contudentes que destrói convicções mais arraigadas. Como é possível alguém gostar de tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro o 'ah', essa interjeição provisória, o on/off do cérebro da pessoa. Uma pausa, a mensagem viaja milhares de quilômetros pelos cerca de 86 bilhões de neurônios estimados (em novíssima recontagem) no sistema nervoso humano. Sabe lá o que é isso? Um corpo celular, em que os dendritos recebem sinais elétricos de outros neurônios e dos axônios, esses sinais chamados de sinapses são transpostadas por várias substâncias químicas chamadas neurotransmissores; esse bombardeio gera ondas de corrente elétrica, excitantes ou inibitórias, logo os neurônios caracterizam-se pelos processos que conduzem impulsos nervosos para o corpo e do corpo para a célula nervosa. Senhoras e senhores, tanto trabalho, para depois do "ah', sair um pífio 'eu gosto de tudo'. Como é possível esse espetáculo humano com nome de cérebro, capaz de decodificar milhões de informações por micro-segundos, se reduzir, na grande maioria, num patético e simplório 'tudo'. Como assim gosta de tudo, o que significa esse tudo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A explicação vem fácil, como notícia ruim, eu gosto de um pouco de cada coisa. De axé, de sertanejo, de pagode, da morte da bezerra, de comida estragada. "Aquela música que toca na novela, como chama mesmo?". O complemento piora o soneto - se é que existe um soneto, algo tão delicado, nessa maçaroca que é 'o tudo, ou um pouco de tudo'. Talvez no cérebro dessas pessoas falte alguma peça, os hemisférios cerebrais, por exemplo, que são os responsáveis pela inteligência e pelo raciocínio, quiçá só um sentido ou uma vontade schopenhauriana mais apurada de definição. É como ter um telescópio em casa e olhar todas as estrelas sem reparar em nenhuma especificamente. Quem sabe o 'tudo' a que se referem seja só uma chamariz, uma ponte que aguarda do outro lado da conversa uma confirmação ou uma negação contra a hipotética resposta. Dependendo do receptor da mensagem, o assunto pode partir para caminhos mais amenos, como uma troca de listinha de as mil mais favoritas, ou uma ouvida do mp4 do novo companheiro de indefinição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sendo a resposta um cenho franzido, como que dizendo: "quê?"; o indefinido é obrigado a se definir, afinar sua resposta. "Bom, eu gosto mesmo é de ouvir sertanejo de raiz (aqui o 'raiz' é mais um disfarce para tentar enrolar o perguntador chato); ou, eu gosto é da Ivete (como que afirmando isso, a discussão estará encerrada, por ela ser uma pessoa que um em cada dois gostam). Não encerra, não se enrola, não pode existir ambigüidade numa questão tão simples. Que tipo de música você gosta?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que merda é essa gosta de um pouco de tudo? Seu...seu...eclético? (aqui a conversa acaba, chamar uma pessoa de eclético é o pior dos xingamentos).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.o. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7736656253824844653?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7736656253824844653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7736656253824844653' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7736656253824844653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7736656253824844653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/02/o-ecletico.html' title='O eclético'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SamNaB8PCdI/AAAAAAAAAhs/SGFjxP_Loh8/s72-c/neu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-3236568018963891765</id><published>2009-02-26T18:40:00.000-08:00</published><updated>2009-03-25T15:32:04.249-07:00</updated><title type='text'>Texto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É preciso aprender a chamar o texto apenas de texto. O chamativo mais nobre que se pode dar a um texto é justamente chamá-lo de texto. Nada de definições. Pegue a lista telefônica. Pegue o jornal. Pegue o panfleto. Pegue a lista de compra. Pegue as palavras cruzadas. Nada disso! São todos textos! Chamá-los-emos apenas de textos! Definir o texto, chamando-o pelo seu gênero textual é esquecer sua real desimportância. É procurar nele utilidade prática. Quando na verdade, não há utilidade prática em texto algum. Por que lemos então? Pra que lemos então? Para nada! Por que vivemos então? Pra que vivemos? Para nada também. Dessa forma, é em busca do nada que devemos ir. E não vamos chegar a nada algum enquanto continuarmos a não chamar os textos de textos. Já não basta exigirmos que as pessoas se definam? se classifiquem? se nomeiem? Quando o bom mesmo é não ter nome algum, classificação alguma. Só assim somos realmente célebres. Esqueçamos o tecnicismo dos linguistas com seus mais de cinco mil gêneros textuais. O bom mesmo é ter só um gênero textual. O gênero textual texto. A tipologia texto. Sem função. Sem origem. Sem forma. Sem conteúdo. O conteúdo é justamente não querer encontrar conteúdo. Já temos conteúdo demais. Conteúdos que não queremos ter. Informações que não queremos ter. Já sabemos demais sobre pessoas que não nos interessa nenhum pouco. Não vamos fazer com que o texto nos informe justamente o que ele não quer nos informar. Não faremos de nossos textos celebridades. Dá-los-emos o direito de anonimato eterno.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;t.c.s. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-3236568018963891765?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/3236568018963891765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=3236568018963891765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3236568018963891765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3236568018963891765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/02/texto.html' title='Texto'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7349471424149226310</id><published>2009-02-21T11:02:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T11:09:15.286-08:00</updated><title type='text'>Fingindo um conto: Mais um pierrô</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SaBQdmTaWVI/AAAAAAAAAhk/jNVX1Dza_s8/s1600-h/Pierrot.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305328830470838610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 317px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SaBQdmTaWVI/AAAAAAAAAhk/jNVX1Dza_s8/s400/Pierrot.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O café da manhã já não tinha sido, como também não o seria o almoço, se até a hora em que as panelas de feijões são abertas e o cheiro de alho vai dominando a paisagem, ele não cuidasse do problema com seriedade. Mas era um dia diferente, sábado de carnaval, a alegria tantos dias enrodilhada como serpente, vai se abrindo em todos os rostos. Para quê pensar em problemas, perder-se em lembranças vagas e desinteressantes se para todo lugar em que olhava era só aquela irresistível energia no ar? Parecia que lhe ordenavam: "vá, se perder por aí", contrariando mutantes de honrosa glória. Conquistou (depois de flanelar uma manhã inteira) o direito de engolir, com uma felicidade inabalável, um sanduíche recheado com mortadela Sadilar (de horrível aspecto), bebericou um achocolatado e por tudo não gastou nem R$ 3,00. Andava assim a ermo, verificando que aqui não era a Bahia e muito menos o Rio de Janeiro, onde o carnaval parece fluir de cada olhar. As pessoas que não viajaram, seguem sua rotina de vendedores de Casas Bahia, de atendentes de Americanas, uniformizados e infelizes. Mas para ele, a televisão não mentia, viu, num ponto de mototaxistas, imagens do desfile das escolas de samba de São Paulo e achou muito lindo a desfile da X-9, mas ele torce mesmo é pela Gaviões da Fiel; nem sabe a razão de estender à escola de samba a paixão que sente pelo time, mas todo mundo faz assim, com ele não seria diferente. O que ele aguardava era a noite chegar, quando a festa enfim se estenderia pra todos, no gigantesco e gratuito baile popular. Ele gostava daquilo, o aperto, o empurra-empurra, a cachaça, as mulheres - tantas quanto ele pudesse ganhar. Deitou para descansar num prédio abandonado, sua casa era longe demais e não valia a pernada, nem o passe que ele ainda não ganhara. Antes do sono, fumou, lutando bravamente pra não pensar em nada. Quando despertou a noite já o havia abraçado, e no relógio da Calógeras viu que já era hora de cobrar a sua cota de felicidade. Se misturou ao povo, era um deles, na mão um copo de caipirinha amargosa e aguada, mas para ele forte o bastante pra deixá-lo levemente embriagado e ainda mais feliz. Evitando pular demais por conta da falta de comida, ficava rodeando grupos de mulheres, cobiçando aqui e ali. Quanto mais se perdia em meio à multidão, mais transpirava uma alegria intangível, mais bebia, mais se soltava e suas mãos eram abandonadas ao encontro dos corpos; não evitava mais as trombadas com os homens; e, enquanto aqui colhia uma passada de mão numa bunda de aparência duvidosa, ali olhava feio para um outro folião que lhe pisou no pé. A cachaça acabara e ele procurava em latas no chão um gole final de cerveja. A fome, a falsa alegria, o álcool turvaram seus olhos de vez, o cérebro como que se desligou, as luzes tremiam, o chão faltava ou sobrava, a multidão o espremia, o ar ficou rarefeito, flashs agrediam suas retinas, a força se esvaía. Caiu, levantou...tropeçou e ali mesmo ficou...a alegria o cercava por todos os lados...pensou na mãe...pensou que pensava; sonhou que ria, dançava e que era feliz...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"Um corpo foi encontrado no meio de um matagal no bairro Tijuca 2. Levou um tiro no rosto, estava sem documentos, a vítima aguarda no necrotério para uma possível identificação. Aparenta ter entre 30 e 35 anos, está vestido de bermuda preta, camiseta do Corinthians e descalço." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;* Imagem: Pierrot - Toru Iwaya/1976&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7349471424149226310?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7349471424149226310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7349471424149226310' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7349471424149226310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7349471424149226310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/02/fingindo-um-conto-mais-um-pierro.html' title='Fingindo um conto: Mais um pierrô'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SaBQdmTaWVI/AAAAAAAAAhk/jNVX1Dza_s8/s72-c/Pierrot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-220224012308056674</id><published>2009-02-16T03:43:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T03:46:33.311-08:00</updated><title type='text'>Santa Joana</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SZlRwirv08I/AAAAAAAAAhc/BtncqU1Djj0/s1600-h/bernard.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303359930591335362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 299px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SZlRwirv08I/AAAAAAAAAhc/BtncqU1Djj0/s400/bernard.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Nobel de Literatura de 1925 quase não foi entregue a Bernard Shaw, ele estava tentado a não aceitar a honraria. A solução para que o fizesse veio depois de muitos acordos, que culminaram com o eleito recusando-se a aceitar a generosa quantia que cada ganhador tem direito – hoje algo um pouco maior que um milhão de dólares. Resolveram criar uma Fundação que se dedicaria a traduzir livros de autores suecos para o inglês, o que agradou a ambos os lados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De obra extensa, e que, possivelmente, nunca leremos tudo, mas que vale cada minuto empregado nesta empreitada. A literatura atual, de maneira geral e global, perde seu status de um novo Gênesis, e vai-se abrindo a meras obras passíveis de uma venda fácil, uma possível adaptação cinematográfica – movimentando uma lucrativa indústria de venda dos direitos autorais. Não temos mais os clássicos, da maneira que definia Borges: “Clássico é aquele livro que uma nação, ou um grupo de nações, ou o longo tempo decidiram ler como se em suas páginas tudo fosse deliberado, fatal, profundo como o cosmos e passível de interpretações sem fim”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os livros pulam das páginas para a tela, e ficamos desorientados com tamanha falta de pudor. Quando vi o “Animal Agonizante” do Philip Roth transformado em “Fatal”, com generosos closes dos seios de Penélope Cruz; e com os precisos músculos do Ben Kingsley, me tornei o próprio ser que agoniza. Para Mallarmé “o mundo existe para chegar a um livro”; existia, hoje se não se transformar em um bom roteiro, ocorrerá com ele um abandono cruel. Não existem mais autores e sim roteiristas travestidos de escritores. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltemos ao Sir Bernard – lá, não como cá, ocorre uma preservação das grandes personalidades, Machado que o diga, que até hoje tem sua obra devassada por críticos marxistas e defensores dos direitos raciais. Se em “A Profissão da Senhora Warren”, temos um embate de gerações, quase impensável hoje, com uma mãe, dona de prostíbulos pela Europa, patrocinando os estudos e a boa vida da filha, até que a verdade fosse posta na mesa, e a guerra declarada. Em “Pigmalião” temos uma comédia generosa sobre costumes e... fonética. O livro que me encantou mesmo foi “Santa Joana”, com seu prefácio caudaloso, e a impensável defesa de um inglês da santa francesa. Ler este prefácio nos conduz à peça, ler a peça faz com que pensemos no prefácio, e um não sobreviveria sem o outro - e ambos o conduziram ao Nobel.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“A verdade” dizia Shaw “está atravessada em nossas gargantas por causa do molho com que é servida; jamais descerá enquanto não a tomarmos sem molho algum”; qual é essa verdade? A de que é possível escrever grandes livros, uma peça gigantesca com três horas de duração, carregada de verdades profundamente verificadas, pois para ele a época estava cheia de pessoas que só iam assistir a peças para ter algo como uma diversão frugal, sem contudo as mesmas poderem tratar de assuntos de relevância, algo parecido ocorre com o cinema de Ingmar Bergman e Woody Allen que se contrapunham à frugalidade de Hollywood e foram taxados de elitistas e chatos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nota-se isso até com o filme sobre Joana D’Arc do francês Luc Bresson, trazido à vida por uma modelo de olhos azuis. O ufanismo não teve a contundência da Santa de Bernard Shaw – o que por si só é uma glória sem fim, para um socialista de língua ferina como ele. No prefácio sobram umas ríspidas palavras até pra alguém do quilate de Shakespeare – que para Bernard não criaria pessoas e sim simulacros impossíveis de serem reais. Assim temos uma santa de feições rudes, mas ou menos como os cientistas informam que seria Jesus (com cara de pastor e barba de um palestino comum). A história tem a mania de atribuir a atos bondosos, feições bondosas, como se uma pessoa feia de rosto tivesse que ser necessariamente horrenda de atitudes – um Corcunda de Notre Dame sem Victor Hugo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas se Shaw defende a santa, também defende quem a julgou, se as visões de Joana eram heresias a de Lutero, que atirou um tinteiro no diabo, também seria. E nessa gangorra ele ainda ensina os procedimentos de uma boa pesquisa, mergulhar na época em questão, buscando imparcialidade pra que o texto seja o mais verídico possível. Esse era Bernard Shaw, alguém para quem: “Milagres são belos e grandes coisas. Há porém uma dificuldade. Nos tempos atuais eles não acontecem”. Assim como bons livros, grandes autores e nenhuma pretensão além da criação literária. “A obra de Shaw, ao contrário, deixa um sabor de libertação. O sabor das doutrinas do Pórtico e o sabor das sagas”, assim o disse Borges. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-220224012308056674?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/220224012308056674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=220224012308056674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/220224012308056674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/220224012308056674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/02/santa-joana.html' title='Santa Joana'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SZlRwirv08I/AAAAAAAAAhc/BtncqU1Djj0/s72-c/bernard.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-5058077985717143301</id><published>2009-02-13T07:27:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T07:30:40.481-08:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a cegueira</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SZWRzxwvIiI/AAAAAAAAAhU/Jfd4toETxYA/s1600-h/sara.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302304455015735842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 372px; CURSOR: hand; HEIGHT: 370px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SZWRzxwvIiI/AAAAAAAAAhU/Jfd4toETxYA/s400/sara.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A humanidade, tal qual a conhecemos, é uma eterna caixa de Pandora, um labirinto eternamente retornando a lugar nenhum, provocando sustos, terror, piedade, agonia. O ser humano – imagem e semelhança de seu Criador – de posse do seu livre-arbítrio – seja lá o que isso for -, segue sendo um mero caçador e coletor, só que um pouco mais refinado, séculos de filosofia ou de um darwinismo mal empregado depois. Rodando junto com as engrenagens do sistema, finge encontrar felicidade em latas de conserva; em carros velozes; em caixas residenciais. Perdeu-se a beleza simples de viver, morre-se por bem pouca coisa; vive-se em busca de conquistas efêmeras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ensaio sobre a cegueira” do português José Saramago, brota dessas pequenas (in)certezas. Ateu de carteirinha, quiçá o último comunista a assim se autodenominar, foca seu radar no ser humano, percebe que ele está rodeado pelas facilidades da modernidade. Despe esse ser, tirando-lhe a visão e joga-o de volta à arena que é seu próprio mundo, numa crítica contundente a valores tão caros ao capitalismo. O Nobel de Literatura de 1998, quer mostrar o quão servil é o ser humano; que “o medo cega”; ele questiona a grande humanidade escrava de suas próprias maquinações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto vale a dignidade? O que estamos dispostos a fazer quando nos falta o mínimo? Saramago roça no homus modernus suas cascas dormentes; retira-lhes a liberdade; não derruba nenhum prédio, apenas insinuando as inutilidades das conquistas tão dispendiosas e prodigiosas da humanidade e por extensão do capital. Faz com que as pessoas percorram o caminho inverso que nos trouxe até aqui, desumaniza o ser pra provar que todos “estão cheios de medo e obedecem ordens”. E não conseguem perceber um palmo além das próprias narinas e maus sentimentos, pois vivem iludidos e presos a convicções alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamado, ironicamente, de parábola, “Ensaio” é uma alegoria catastrófica – o que parece ser uma obsessão do autor. Para Saramago a humanidade só se dá conta da verdadeira realidade quando vive um momento extremo. Passa por uma série de experiências únicas, e assim o indivíduo pode se rever, se reabilitar, perceber o mundo que o cerca, sem máscaras ou “avaliações-de-fachada” como dizia Nietzsche. O novo ser humano, em Saramago, só pode ter o direito a viver novamente se busca o saber das origens, o retorno ao útero materno, uma descida na caverna da alma. Uma alma socialista, se isso é possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provado a total inutilidade de sistemas, que somos todos “cegos de olhos e sentimentos”; que “os animais são como as pessoas, acabam por habituar-se a tudo”; que “dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”; resta enfim uma pergunta: a obra de José Saramago era ou é tão boa assim a ponto de merecer um Nobel? Abandonando o ufanismo da língua mátria, acho que não. Palmilho seus livros (sem muita convicção),venço conceitos arcaicos, ultrapasso pensamentos mofados caídos na lata do lixo da história, e não consigo entender tamanha honraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As trágicas fantasias elaboradas pelo português agradam, talvez, por serem “aliciadores de espírito”, causarem mal estar entre seus leitores – o que pode ser confundido com um momento realmente sublime – mas se nos aprofundamos em seus escritos, eventualmente, toparemos com idéias mórbidas e fossilizadas a respeito de tudo, de tudo o que não é socialista-marxista, divisível. Mas será que milhões de vidas desperdiçadas em ambos os lados da trincheira: a do capital, triunfalmente selvagem; e o do socialismo, notoriamente anti-democrático, já não bastaram? Ainda são realmente necessários livros como “Ensaio sobre a cegueira” pra sabermos que o mundo é vil, que o ser humano é pérfido e que estamos fadados, ou a um fracasso total ou um fim mentiroso? Creio que não, para mim cheira a falsa devoção ou só hipocrisia. Voltemos a Machado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;so&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-5058077985717143301?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/5058077985717143301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=5058077985717143301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5058077985717143301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5058077985717143301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2009/02/ensaio-sobre-cegueira.html' title='Ensaio sobre a cegueira'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SZWRzxwvIiI/AAAAAAAAAhU/Jfd4toETxYA/s72-c/sara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-2614216743112796083</id><published>2008-12-28T19:36:00.000-08:00</published><updated>2008-12-28T19:53:32.419-08:00</updated><title type='text'>Ensaio Sobre A Cegueira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SVhGTWiKmjI/AAAAAAAAAg0/17b19Ctvv90/s1600-h/ensaio.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285051460999617074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SVhGTWiKmjI/AAAAAAAAAg0/17b19Ctvv90/s400/ensaio.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Uma palavra vale mais que mil imagens. Não restam dúvidas. Contudo, leitores compulsivos quando começam a ser tornam cinéfilos passam a conviver com um eterno drama. Os olhos estão sujeitos a uma divisão cruel. E é impossível escolher. Como homem que realmente é capaz de amar na mesma intensidade a amante e a esposa.&lt;br /&gt;Olhos que se encantam com bibliotecas, livros, capas, páginas, capítulos, parágrafos, frases, palavras, letras querem igualmente se encantar com cinemas, filmes, cartazes, cenas, imagens, diálogos. Mas sabemos que é impossível um encaixe de côncavo e convexo entre cinema e literatura. Porém, Fernando Meireles quase o faz com êxito. Eu disse quase.&lt;br /&gt;Somos levados ao cinema quase que por um patriotismo idiota. Uma espécie de solidariedade com o diretor brasileiro que já nos surpreendeu com Cidade De Deus. Chegamos quase a delirar com a possibilidade de um Oscar inexistente. Os mais insensatos chegam até mesmo a esquecer que se trata de uma adaptação. E que José Saramago não é nenhum Dan Brown ou tampouco uma J.K. Rowling, cujos livros já são quase que roteiros prontos. A escrita do autor português é por vezes permeada por uma complexidade quase que impenetrável. Transpor tudo isso para a tela não é tarefa muito fácil. Porém, Fernando Meireles quase o faz com êxito. Eu disse quase.&lt;br /&gt;Já na primeira cena, uma decepção recôndita. “Os atores não falam português? Mas como?”. No entanto, logo a inconsciência verde-amarela nos diz: “Mas você não quer nada hein? Além de adaptarem para o cinema americano a obra de um autor de língua portuguesa, você ainda queria que mantivessem o idioma original?”. Tratamos de esconder nosso orgulho e seguimos atentos.&lt;br /&gt;Na medida do possível, o filme vai tentando ser fiel ao livro. Todavia, não demora muito para mais uma decepção. Não vamos cortar o dedo junto com o primeiro cego. E quase não vamos nos chocar com esposa insensível e leiga da enfermidade do marido que o fez bagunçar a casa toda. E o que se dirá do orgasmo da “rapariga de óculos escuros” (que assim não é mais chamada), tão fugaz quanto o masculino? Os personagens de Cegueira (o livro) não possuem nome, possuem rótulos. O “médico”, “a mulher do médico”, “o rapazinho estrábico”, “o velho da venda preta”, “o ladrão de carro”, “ a recepcionista do hotel”, “o motorista de táxi”, “o policial” e assim por diante... Durante todo o filme, é isso que nos falta: a narração de Saramago, a escrita portuguesa com seus termos incomuns para nós e suas particularidades ortográficas de “cépticos”, “adoptar”, “reflecção”, “retrete” e etc... E onde está o maravilhoso “cão das lágrimas”? Ele até está lá, mas não há ninguém que lhe dê uma nomenclatura digna.&lt;br /&gt;Saramago em sarcasmos aos detratores do filme, disse à Revista Bravo!: “[...] não obstante as incompreensões de certa critica que diz que o filme é demasiado violento. Pelo visto esses críticos não costumam ver televisão.” Não, Meu Caro Saramago, quem quiser violência não necessita recorrer à televisão, basta que leia o livro. O livro consegue ser muito mais chocante que o filme. Os cegos em desordem dentro do manicômio, as mulheres sendo assediadas. A terrível libido masculina. É indescritível a sensação diante do sanguinolento sexo oral. O cheiro nauseabundo que emana daquele chão como um esgoto improvisado, onde realmente já se tornou um reservatório de urina e fezes. O filme não é nem mesmo capaz de nos trazer a repulsa pelos excrementos que nem ao menos aparecem. Saramago sabe ser repulsivo na hora certa, e assim surge sempre nas horas que menos esperamos. E no filme, onde está o fogo fátuo dos inúmeros corpos, na segunda ida ao supermercado? Sabe ser sensível, quando já não temos força nenhuma. Somos acolhidos nos braços da única pessoa que ainda enxerga, “a mulher do médico”. Que já passa a ser a nossa mulher, tamanho amor e solicitude com que ela nos trata. Somos seduzidos por sua beleza revestida numa penúria de vaidade. Ela e todas as demais mulheres.&lt;br /&gt;Difícil é chegar a um denominador comum quando passamos a pensar quais eram os intuitos de Saramago com esse livro. Mas o mais louvável de se responder é que cegos somos todos nós. Todos nós padecemos do “mau branco”. Ao ver aqueles personagens sendo apresentados apenas por rótulos, nos identificamos imediatamente. É essa a multidão em que vivemos todos os dias. Os cegos se digladiando em busca de leito ou comida como se assemelham com nós quando queremos adentrar ao ônibus. Os humanos são todos cegos. E vivem e morrem sem descobri-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem coisas que só Saramago faz por você:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ao mover-se em direção à sala de estar, e apesar da prudente lentidão com que avançava, deslizando a mão hesitante ao longo da parede, fez cair ao chão uma jarra de flores de que não estava à espera. [...] Quis recolher as flores, mas não pensou nos vidros partidos, uma lasca longa, finíssima, espetou-se lhe num dedo, e ele tornou a lacrimejar de dor, de abandono, como uma criança, cego de brancura, no meio duma casa que, com o declinar da tarde já começava a escurecer”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Saíram dois hóspedes, um casal idoso, ela passou para dentro, premiu o botão do terceiro andar, trezentos e doze era o número que a esperava, é aqui, bateu diretamente à porta, dez minutos depois estava nua, aos quinze gemia, aos dezoito sussurrava palavras de amor, que já não tinha necessidade de fingir, aos vinte começava a perder a cabeça, aos vinte e um sentiu que o corpo se lhe despedaçava de prazer, aos vinte e dois gritou, Agora, agora, e quando recuperou a consciência disse, exausta e feliz, Ainda vejo tudo branco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não é só o estado em que rapidamente chegaram as sentinas, antros fétidos, como deverão ser, no inferno, os desaguadoiros das almas condenadas, é também a falta de respeito de uns ou súbita urgência de outros que, em pouquíssimo tempo, tornaram os corredores e outros lugares de passagem em retretes que começaram a ser de ocasião e se tornaram de costume”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As mulheres, todas elas, já estavam a gritar, ouviam-se golpes, bofetadas, ordens. Calem-se, suas putas, estas gajas são todas iguais, sempre têm de pôr-se aos berros, Dá-lhe com força que se calará, Deixem-nas chegar a minha vez e já vão ver como pedem mais”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Chupa, e deixa-te de conversa fina, Não, Ou chupa, ou na tua camarata nunca mais entrará uma migalha de pão, vai lá dizer-lhe se não comerem é porque te recusaste a chupar-me, e depois volta para me contar o que sucedeu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não chegarás a gozar, pensou a mulher do médico, e fez descer violentamente o braço. A tesoura enterrou-se lhe com toda a força na garganta do cego, girando sobre si mesma lutou contra as cartilagens e os tecidos membranosos, depois furiosamente continuou até ser detida pelas vértebras cervicais. O grito mal se ouviu, podia ser o ronco de outro animal de quem estivesse a ejacular, como a outros já estava sucedendo, e talvez o fosse, na verdade, ao mesmo tempo que um jato de sangue lhe jorrara na cara, a cega recebia na boca a descarga convulsiva do sêmen”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não, só vi que havia fogos-fátuos agarrados às frinchas, estavam ali agarrados e dançavam, não se soltavam”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Alguém tinha deitado a mão ao último farrapo que mal a tapava da cintura pra cima, agora ia de peitos descobertos, por eles, lustralmente, palavra fina, lhe escorria a água do céu”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não podem imaginar que estão ali três mulheres nuas, nuas como vieram ao mundo, parecem loucas, devem de estar loucas, pessoas em seu perfeito juízo não se vão pôr a lavar numa varanda exposta aos reparos da vizinhança, menos ainda naquela figura”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os cães rodearam-na, farejaram os sacos, mas sem convicção, como se já lhe tivesse passado a hora de comer, um deles lambe-lhe a cara, talvez desde pequeno tenha sido habituado a enxugar prantos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O cão das lágrimas anda a farejar inquieto, demorou-se a pesquisar um certo monte de lixo, provavelmente havia escondido debaixo dele uma supina iguaria que agora não consegue encontrar, se estivesse sozinho não arredaria pé, mas a mulher que chorou já vai lá adiante, é seu dever ir atrás dela, nunca se sabe se terá que enxugar outras lágrimas”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;t.c.s&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-2614216743112796083?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/2614216743112796083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=2614216743112796083' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2614216743112796083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2614216743112796083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/12/ensaio-sobre-cegueira.html' title='Ensaio Sobre A Cegueira'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SVhGTWiKmjI/AAAAAAAAAg0/17b19Ctvv90/s72-c/ensaio.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-6176806791235706947</id><published>2008-11-20T08:01:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T08:11:22.642-08:00</updated><title type='text'>Tempos Modernos – um capítulo abandonado</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SSgtunvY2KI/AAAAAAAAAgs/BwkDizMOz_Q/s1600-h/gballa1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271513642802141346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 332px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SSgtunvY2KI/AAAAAAAAAgs/BwkDizMOz_Q/s400/gballa1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os anos que antecedem o início do século XX, são pródigos de acontecimentos premonitórios dos cataclísmicos dias que irão brotar com os novos tempos. O ser humano alcança um nível de progresso impressionante mas que ainda não é nada se comparado com o que está por surgir. Com uma capacidade infinita e não dominada o homem entra numa espiral de construção e desconstrução do mundo em que vive. “A noção de Darwin relativa à sobrevivência do mais adaptável”, havia se tornado um elemento-chave tanto para conceitos marxistas de luta de classes, quanto para as filosofias raciais anti-semitas. Com o aprofundamento da Revolução Industrial o homem “torna-se o prisioneiro destas máquinas que fabrica em grande escala. Põe-se a adorá-la como o selvagem a seus ídolos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra “higiene do mundo”, leva a humanidade a rever seus conceitos; “milhões de homens ficavam uns diante dos outros nos parapeitos de trincheiras barricadas com saco de areia, sob as quais viviam como – e com – ratos e piolhos”. A modernidade se apresenta para o mundo na forma de armas, bombas, produtos bacteriológicos e milhões de mortos, “o passado estava fora de alcance, o futuro fora adiado, o presente era amargo”. A humanidade descobre, da pior maneira possível, que “não só a sociedade moderna é um cárcere, como as pessoas que aí vivem foram moldadas por suas barras, somos seres sem espíritos, sem coração, sem identidade sexual ou pessoal – quase podíamos dizer: sem ser”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interstício entre uma e outra guerra, além de juntar os cacos possíveis, as idéias de Sigmund Freud começam a ser lidas com interesse, “Freud era uma figura famosa e polêmica em círculos especializados médicos e psiquiátricos. Mas foi somente no final da guerra que suas idéias começaram a circular como moeda corrente”. Ele era uma alternativa mais humana aos tratamentos que, eram utilizados antes do conflito, e que continuavam sendo, só que agora nos heróicos soldados sobreviventes da guerra, de onde uma grande maioria, voltou profundamente traumatizada. Muitos, aos choques elétricos que eram submetidos, preferiam o suicídio. Com os valores tão em baixa, sentindo-se oprimidos pelo mundo novo que tanto haviam desejado, mas que não estavam ainda acostumados e que se apresentava em mutação constante, as idéias de Freud vieram somar e embaralhar ainda mais essa fragilidade do homem que tateava na busca pelo seu lugar. Freud era competente também para fabricar slogans fantásticos, inventava palavras e expressões que se tornariam quase como que uma síntese desses tempos, sendo assim um protagonista explosivo e necessário nessa ainda incipiente idéia de modernidade que surgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ele, outro que abalou essas mesmas frágeis estruturas, foi Albert Einstein, “a descoberta de que o espaço e o tempo são relativos, em vez de serem termos absolutos de medida, é comparável, no seu efeito da nossa percepção do mundo, ao primeiro uso da perspectiva na arte, ocorrida na Grécia nas décadas de 500-480 a.C”. Com tantos paradigmas sendo quebrados podemos compreender, agora, a razão pela qual “a moderna humanidade se vê em meio a uma enorme ausência e vazio de valores, mas, ao mesmo tempo, em meio a uma desconcertante abundância de possibilidades”. Todas essas alterações são sentidas, mas a absorção é lenta, não se derruba facilmente pensamentos arraigados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio à toda essa convulsão vivida, agravada pelo nível a que chegou a industrialização, a guerra pelos mercados que já havia criado a aberração das colonizações financeiras, onde os grandes impérios (poucos países) comandavam com mão de ferro, as idéias de Karl Marx enfim são colocadas à prova, é a Revolução Socialista russa; num mundo acostumado ao fazer capitalista, às desigualdades sociais, um mundo dominado pelo poder e pelas diferenças, na qual as idéias marxistas sempre pintavam um mundo mais ameno e sobreviviam quase que como uma utopia, esse embrião “oferecia a prova de que a grande mudança começara”. Era como se um novo mundo tivesse surgido do nada, “como os primeiros cristãos, a maioria dos socialistas pré-1914 era de crentes na grande mudança apocalíptica que iria abolir tudo que era mal e trazer uma sociedade sem infelicidade, opressão, desigualdade e injustiça”. “Marx, Freud, Einstein, todos transmitiram a mesma mensagem para a década de 20: o mundo não era o que parecia ser”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelo às mudanças em diversas áreas, o mundo seguia de convulsão em convulsão como um cambaleante doente terminal. Para agravar a humanidade ainda vai passar pela Grande Depressão de 1929, onde “a imagem predominante na época era a das filas de sopa, de 'Marchas da Fome' saindo das comunidades industriais sem fumaças nas chaminés onde nenhum aço ou navio era feito e convergido para as capitais das cidades, para denunciar aqueles que julgavam responsáveis”. Com as feridas mal curadas da 1ª Guerra, o desemprego, a fome, uma humanidade incrédula, imóvel como peças de um grande jogo, logo acontece a 2ª Grande Guerra, que serviu para que o ser humano percebesse que “o mal não está somente em suas criações, mas dentro de si mesmo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se com a 1ª Guerra Mundial o descrédito no ser humano já beirou o paroxismo, a nova empreitada assombrará seus pensamentos e atos futuros por gerações afora; “as maiores crueldades de nosso século foram as crueldades impessoais decididas a distância, de sistema e rotina, sobretudo quando podiam ser justificadas como lamentáveis necessidades operacionais”. A “guerra total” produziu improváveis conjunturas, uma devastação impensável, trilhou o caminho do Holocausto dos judeus (não só judeus, mas principalmente) e aterrissou na criação e utilização da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki. Suas perdas são literalmente incalculáveis, e mesmo estimativas aproximadas se mostram impossíveis, pois “a guerra (ao contrário da Primeira Guerra Mundial) matou tão prontamente civis quanto pessoas de uniforme, e grande parte da pior matança se deu em regiões, ou momentos, em que não havia ninguém a postos para contar, ou se importar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pós-guerra trouxe com ele um período novo, onde “a modernidade une a espécie humana, porém, é uma unidade paradoxal, une desunindo, nos jogando no turbilhão de permanente desintegração e mudança, luta e contradição, ambigüidade e angústia”, e foram nesses turbilhões que brotaram as vanguardas modernistas, que tentavam responder entre histérica e inteligentemente, ágil e provocadoramente aos questionamentos que surgiam numa época onde predominou a escuridão, tal qual o manto negro que cobriu a Idade Média, de onde a humanidade saiu para a revolução do Renascimento. “Acalmados os sobreviventes da guerra, pensadas as feridas, reparadas as ruínas, sem choques, sem riscos de qualquer espécie, o regime pode acreditar que se abre à sua frente uma nova era de prosperidade”, e de onde a sanidade só foi mantida graças a manutenção da fé do ser humano na arte, pois foi através dela que o homem saiu, no fim do túnel, ainda com esperança que tempos melhores poderiam surgir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;p.s.: esse era a primeira parte do primeiro capítulo da minha monografia de conclusão de curso, extenso, descritivo, perdia-se tentando explicar tudo detalhadamente, e por infortúnio me esqueci do Nietzsche, logo abandonei esse e recomecei - os recomeços são gloriosos - mas até que isso aí em cima não está de todo mal, acho eu, como todo pai acha bonito seu filho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-6176806791235706947?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/6176806791235706947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=6176806791235706947' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/6176806791235706947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/6176806791235706947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/11/tempos-modernos-um-captulo-abandonado.html' title='Tempos Modernos – um capítulo abandonado'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SSgtunvY2KI/AAAAAAAAAgs/BwkDizMOz_Q/s72-c/gballa1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7213127929816649571</id><published>2008-10-27T05:48:00.000-07:00</published><updated>2008-10-27T05:54:33.732-07:00</updated><title type='text'>Diga sim ao preconceito!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Roberto DaMatta diz que “o brasileiro tem preconceito de ter preconceito”. Isso é incontestável. Dificilmente, você vai encontrar alguém que diga com palavras claras que odeia e quer matar todos os negros e homossexuais. O preconceito está implícito. Ele aparecerá quando você cruzar com um negro mal vestido, em alguma rua deserta, ou quando um homossexual simpático vier puxar assunto com você, em algum ponto de ônibus.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Preconceitos assim são abomináveis e dignos de repúdio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas nessa luta contra o preconceito, somos levados a identificar como preconceito aquilo que não é preconceito, e sim, apenas bom senso. Bom gosto. Cria-se a ilusão de que todos têm direito de se expressar. Não faltam caetanos para propagar essa falácia. Em nome de uma patética fraternidade intelectual, somos influenciados a aceitar de tudo, para que não sejamos tidos com preconceituosos. Temos a obrigação de ser tolos. Devemos aceitar como literatura o que não é literatura. Devemos aceitar como música o que não é música. Devemos aceitar como arte o que não é arte. Isso quando não somos importunados por um estúpido provincianismo. Gente que diz estar em busca de manter culturas regionais, e deturpa origens criando frankensteins artísticos. Diariamente, rádios repetem hipnoticamente deprimentes seqüências. Ouvidos desatentos as absorvem e línguas descansadas as repetem infindavelmente. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vivemos tempos de perversão. Instrumentos musicais se pervertem. As palavras se pervertem na disposição do papel. Ouvidos e línguas se pervertem. Opiniões de pessoas dantes ditas como sérias idem. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quem vai de encontro a esse processo melancólico não age de forma preconceituosa, e sim, sensata. Só existe preconceito quando conceituamos o que desconhecemos. Não é o caso. Só odiamos porque conhecemos demais. Vivemos num mundo que o que desgostamos é o que mais conhecemos. Sempre estamos vendo e ouvindo o que não queremos, sempre estão dissertando sobre o que odiamos e vemos com clareza os efeitos catastróficos disso tudo. Dessa forma, temos propriedade suficiente para opinar sobre tudo o que nos irrita. Não podemos negar isso a nós. Aos olhos alheios seremos sempre preconceituosos. Sejamos preconceituosos então! O que não podemos, em hipótese alguma, é ser coniventes com a obtusidade que impera em mentes cada dia mais maleáveis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;t.c.s.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7213127929816649571?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7213127929816649571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7213127929816649571' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7213127929816649571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7213127929816649571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/10/diga-sim-ao-preconceito.html' title='Diga sim ao preconceito!'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-1526459831224275157</id><published>2008-10-13T05:34:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T05:37:46.451-07:00</updated><title type='text'>“A essência da arte é o inesperado” ou cinco contos de Babel</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SPNA9VCZroI/AAAAAAAAAWc/l2eSekGXQPg/s1600-h/121.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256616612434914946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SPNA9VCZroI/AAAAAAAAAWc/l2eSekGXQPg/s400/121.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Volto a Isaac Babel, é como um retorno ao sagrado que existe na literatura. Os contos de A Cavalaria Vermelha sobrevivem em mim com uma insistência fascinante. Lionel Trilling pondera acerca da epifania a que autores como Babel incorrem, “percebemos a intenção do escritor de criar uma forma que seja em si mesma bem feita e autônoma e, ao mesmo tempo, extremamente compatível com a verdade externa, a verdade das coisas e dos acontecimentos”. Babel considerava-se “o mestre do gênero do silêncio”, e advogava “o direito de escrever mal”, em clara afronta às decisões do Partido e do Governo soviéticos; ‘obedientemente’ deram-lhe esse direito, pois Babel morreu num campo de concentração entre 1939 e 1940. Escolher cinco contos na profusão de excelência deles é tarefa inglória, mas a lista tem os que mais me encantaram, nesta ou na outra vez que li o livro:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gedali:&lt;/strong&gt; conto impregnado de uma “densa melancolia de recordações”, percebe-se isso, pois “nessas noites, meu coração infantil balouçava como um pequeno navio”. Vive-se o início da Revolução Socialista, todos acreditam que ela vai mudar a vida das pessoas – para melhor -, mas de repente o que se vê é destruição, acaba-se a “alma da abastança, da fartura”. O desespero desiludido que dá a tônica do ambiente é sentido nas “paredes amarelas e indiferentes”; nos “farrapos trágicos” e nos “cadeados mudos”; Essa evocação a um passado não tão longínquo é algo doloroso, ocorre uma parada do tempo, uma saudade inalcançável, e as pessoas que sobram ficam tirando “poeira de flores mortas”. A Revolução não havia acontecido para melhorar a vida de todo mundo? Essa perplexidade diante do estado de degeneração é contundente “a Revolução? Nós lhe dizemos ‘sim’, mas por isso temos de dizer não ao Sabá?”; e continua o velho judeu Gedali diante de tanta mudança “sim, clamo pela Revolução, sim, clamo por ela, porém a Revolução oculta seu rosto a Gedali e nada envia, senão tiros...”. Esse caminhar por entre a ambigüidade de situações é que faz de Babel o clássico que é, e se de repente ele clama: “onde estaria a tua bondosa sombra naquela noite, oh, Dickens?”, e pede um “copo de chá judeu, e um pouco desse Deus aposentado num copo de chá?”, somos nós, os leitores, que ficamos perplexos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O Caminho de Brody:&lt;/strong&gt; “tive pena das abelhas”, assim começa esse pequeno conto. Em meio à guerra que travavam os cossacos contra os poloneses, na qual Isaac Babel era do exército cossaco, as abelhas são um ponto de fuga ou a fé que subsiste. Gosto dessa narrativa pela sua simplicidade de intenções. Diante da violência das batalhas, pois “na véspera, fora o primeiro dia da carnificina de Brody”, é das abelhas que se sente dó. E quando relembra a história das abelhas na crucificação de Cristo, pode-se notar o universo estranho que se vivia à época, a Revolução pregava o ateísmo, mas como matar Deus no inconsciente coletivo? “Se houve gente que ofendeu Cristo ou não, chegaremos a saber, um dia. Porém as mulheres dos acampamentos contam que quando Cristo sofria na Cruz, mosquitos de toda espécie o rodeavam, atormentando-o. Então ele olhou os mosquitos e desanimou. Mas a multidão dos mosquitos não via os seus olhos. Uma abelha também voejava em torno de Cristo. “Pica-o”, gritavam os mosquitos para a abelha, “pica-o, e nós nos responsabilizaremos”. “Não posso”, diz a abelha, voando acima da cabeça de Cristo, “não posso. É um carpinteiro como nós”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A Vingança de Prishchepa:&lt;/strong&gt; nós que sabemos de guerras o que nos contam a televisão, ou manchetes de jornais, jamais saberemos da violência real que ela gera. Tudo bem, todo mundo viu as fotos dos judeus mortos, ou os vídeos inacreditáveis onde montes de seres humanos eram arrastados para valas comuns como lixo, mas mesmo assim essas imagens se misturam a outras e logo se perdem, ou quem sabe, escondê-las de nós mesmos seja um aprendizado para manter a sanidade. Assim quando lemos a narrativa de Prishchepa ficamos incomodados, após ter sua família assassinada e todas os bens divididos entre diversos habitantes da cidade onde morava, a vingança imaginada e efetivada por ele, ainda assim, consegue surpreender. “Nas palhoças onde encontrou utensílios que pertenceram a sua mãe, um cachimbo que fora de seu pai, esfaqueou impiedosamente mulheres velhas, pendurou cães sobre poços, conspurcou ícones, sujando-os de excrementos”. Por esse breve relato pode-se ter uma pálida idéia do que a guerra faz com a humanidade, em princípios, amedronta, para logo em seguido animalizar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sal:&lt;/strong&gt; todo mundo sabe do tratamento dado a estupradores nas prisões, mas e os tratamentos dispensados às mulheres numa guerra, imaginam ao menos? Acredito que não. Em Sal pode-se até sorrir diante do bom tratamento dado a uma delas, uma mãe carregando um filho no colo, que pede para que a deixem viajar junto com eles “nessas estações temos passado por grandes dificuldades”; esta se livra do estupro, pois “lembrem-se de suas mães, e assim compreenderão que não devem falar desta maneira”. “A instalaram no carro, competindo uns com os outros nas atenções que lhe prestavam”. Essa bucólica cena colocando num mesmo compartimento lobos e o alimento deles logo desaba, pois “permita-me descrever-lhe aqui a inconsciência das mulheres, que não estão nos ajudando em nada”. Quando os cossacos descobrem-se traídos pela mulher, que carregava um saco de sal e não um bebê, “mas veja os cossacos, minha boa mulher, os rapazes que a puseram num pedestal, por ser uma mãe que trabalhou pela república. Veja essas duas moças que choram agora pelo que lhes fizemos esta noite. Pense nas esposas, que nos trigais de Kuban gastam suas forças sem seus maridos, e eles também sozinhos, vendo-se na dura necessidade de violar as jovens que encontram”. Veja vocês a dura realidade para a mulher. Lembram-se da guerra na antiga Iuguslávia? Milhares de mulheres muçulmanas foram estupradas pelos sérvios numa verdadeira faxina étnica? No conto a sorte da mulher foi outra: “assim, tirei o meu fiel rifle, preso à parede do carro, e lavei aquela mancha da face da terra dos trabalhadores e da república”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Guy de Maupassant:&lt;/strong&gt; nessa pequena obra-prima ainda não existe a Revolução, vive-se um 1916, a cidade é São Petersburgo. Acompanhamos nosso mestre de cerimônias, que mesmo sem dinheiro evita empregos “já naquela época, aos vinte anos disssera a mim mesmo: é preferível passar fome, ir para a prisão ou ser um vagabundo, a permanecer dez horas do dia a uma mesa de escritório”. Uma característica de Isaac Babel é não desperdiçar tempo descrevendo ambientes, seu texto prima por uma concisão tchekoviana, assim ele nos passa a contundente impressão que tem da empregada: “a empregada de seios empinados movia-se silenciosamente. Tinha uma bonita figura, era míope e de ar um tanto orgulhoso. Em seus olhos cinzentos, muito abertos, notava-se uma expressão de lascívia petrificada”. Traduzir contos de Maupassant é um dos caminhos desta narrativa, percebe-se toda a paixão de Babel pelo autor francês “vinte e nove livros, vinte e nove bombas repletas de sentimento, gênio e paixão”. Nota-se também uma intertextualidade com o fazer literário, “falei-lhe então de estilo, do exército de palavras, exército no qual toda espécie de arma pode ter atividade”; e segue dizendo que “nenhum aço pode penetrar no coração e apunhalá-lo com tanta força como um ponto final no lugar justo”. O ponto final que é o acompanhamento perfeito para contos curtos como os que produz Babel. Esta narrativa segue até o momento da tradução de A Confissão, com as belíssimas seqüências entre o texto do francês e o de Isaac Babel, e conclui-se com uma leitura sobre a vida do grande autor francês, com um fim melancólico e perfeito: “O nevoeiro aproximava-se da janela: o mundo ocultou-se aos meus olhos. Meu coração contraiu-se, pois o presságio de alguma verdade essencial tocara-me de leve os dedos”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;s.o. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-1526459831224275157?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/1526459831224275157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=1526459831224275157' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1526459831224275157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1526459831224275157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/10/essncia-da-arte-o-inesperado-ou-cinco.html' title='“A essência da arte é o inesperado” ou cinco contos de Babel'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SPNA9VCZroI/AAAAAAAAAWc/l2eSekGXQPg/s72-c/121.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-2807578706161086031</id><published>2008-08-30T10:03:00.000-07:00</published><updated>2008-09-08T09:06:31.172-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>O Sétimo Selo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SMVNc4sLngI/AAAAAAAAAWU/vYFu95t3UIw/s1600-h/955710692_bc8cd7423b_o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5243682499792182786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SMVNc4sLngI/AAAAAAAAAWU/vYFu95t3UIw/s400/955710692_bc8cd7423b_o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bergman carrega o incômodo selo de chato pregado pelos propagadores do kistch. É que no Brasil vivemos, hoje em dia, o triunfo do patrulhamento intelectual. A vitória da companheirada, que é só a ponta do iceberg; oculto temos aqueles que dão o suporte à banalização de tudo que é belo e em que é necessário desprender uma energia a mais para à compreensão. Se não é passível de uma deglutição rápida, simples; se exige um pouco das ligações neuronais, logo é inútil e desprezível. Spielberg, um astro pop por excelência não corre esse risco, entre um e outro filme 'sério', derrama os filmões por excelência, que lotam as salas e não necessitam de muita esperteza para sair de lá muito feliz. Mas é com pessoas como Bergman e Woody Allen que a crítica tosca gosta de se preocupar, essa cruzada anti-inteligência e pró-povão é como diria um dos personagens deste filme “uma tolice que só um idealista inventaria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos na época das Cruzadas, um cavaleiro e seu escudeiro voltam depois de dez anos lutando; aquele retorna para empreender uma busca de alguma prova, uma confirmação de sua fé; esse pretende só viver seus dias esperando a morte, pois não acredita em nada mesmo. E é ela, a Morte, que surge para buscar o cavaleiro e assim dar início à uma das seqüências mais famosas do cinema, me arrisco a dizer tanto quanto o vento na saia de Marilyn; o reflexo das crianças de bicicleta passando pela lua; Carlitos indo embora nos seus filmes; a cena do chuveiro de Hitchcock. A cena do jogo de xadrez com a Morte é bela e simbólica e marcou toda uma geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bergman é um estilísta, fez o Sétimo Selo com pouco recursos, e ainda assim embebe o filme com diversas influências culturais: os acrobatas de Picasso, Carmina Burana, o Apocalipse de São João, quadros renascentistas. Essa luta contra “uma vida sem sentido”, onde “o vazio é um espelho que reflete meu rosto”, mostram um roteiro teatral. A velocidade das cenas, a clareza dos diálogos, os cenários rústicos e simples, dando o realismo necessário para uma história que parece, vamos recontando até hoje, onde a “fé é uma aflição dolorosa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transformando o cinema, levando para ele a substância de um livro, Bergman, para horror dos ineptos de plantão, distribui reflexão onde antes era só diversão. Mas em Sétimo Selo não podemos dizer que falta humor, ele está no escudeiro e seu ateísmo nietzschiano, está na Morte cerrando uma árvore para levar mais um para seu reino (reino?). Nada das paródias escrachadas e emburrecedoras de hoje. O tormento do cavaleiro, a angústia de uma vida destituída de sentido, esse o caminho pedregoso que somos levados a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a “Morte Negra” está à solta, viver passa a ser um questionar-se eterno; enquanto aguardam (ou fogem d) a peste, um clima de dúvida perpassa o ar, e a Igreja que não podia deixar de ser, é mostrada em toda sua estupidez medieval. Grandes procissões, inquisições, caça e morte às “bruxas”, levando a Morte perguntar para o cavaleiro: “Nunca pára de questionar?”. O contra ponto à tanta dor está em Jof e Mia o casal do circo e seu filho. É nessa família que o cavaleiro encontrará o que buscava. Uma tarde, um breve instante de reencontro com a alegria, o que para ele já basta. Logo, salvar essa família das garras da Morte passa a ser seu único objetivo, pois ele quer “levar uma lembrança com cuidado como se fosse uma tigela de leite”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos dizer que a Morte triunfou, na seqüência da Dança da Morte, mas que ao mesmo tempo perdeu, pois se “o amor é perfeito em sua imperfeição” a vida dos acrobatas cheio de felicidade e amor por si como eles vivem, passa a sensação de que a troca para a Morte foi mal negócio. Levou consigo seres que haviam perdido a alegria de viver, pois viram de tudo e não se encontraram com Deus e nem mesmo consigo mesmo e deixou uma família que buscava estender a sua alegria e simplicidade a mais pessoas, sem nem querer muito em troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-2807578706161086031?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/2807578706161086031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=2807578706161086031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2807578706161086031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/2807578706161086031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/08/o-stimo-selo.html' title='O Sétimo Selo'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SMVNc4sLngI/AAAAAAAAAWU/vYFu95t3UIw/s72-c/955710692_bc8cd7423b_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-5652873136722852165</id><published>2008-07-29T08:31:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T08:35:58.280-07:00</updated><title type='text'>Manoel de Barros Begins</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_zlHM7dGIcTs/SI84k2MGIlI/AAAAAAAAAWM/kkwuymt9o-o/s1600-h/moÃ§a_com_bandolim.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228459898073129554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_zlHM7dGIcTs/SI84k2MGIlI/AAAAAAAAAWM/kkwuymt9o-o/s400/mo%C3%A7a_com_bandolim.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temos, hoje em dia, que Manoel de Barros é um dos maiores poetas do país. Justo, muito justo. Mas na maior parte das vezes, essa crítica se refere à sua obra atual, esse desvario inominado em que se transformaram suas criações do quarto livro em diante. Assim abandonamos às traças três pérolas, livros que ficaram perdidos em estantes de colecionadores, amigos ou de quem comprou sua primeira antologia: Gramática Expositiva do Chão - Poesia Quase Toda. Poemas Concebidos Sem Pecados (1937), Face Imóvel (1942) e Poesias (1956), se inserem no que foi feito de melhor em poesia no Brasil, por uma poeta que viveu um tempo de profundas mudanças e fez do ato poético um grito de revolta contra o mundo que o cercava. Devíamos trazer à tona esses livros, fazer com que fossem estudados, admirados, pesquisados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 1937 vivíamos já o pós-pós-Semana de Arte Moderna de São Paulo, eram tempos de consolidar a revolução dos "moços de 22", e a poesia tinha perdido os ares parnasianos, rima e métrica haviam sido viradas do avesso, tínhamos novos heróis buscando seu lugar ao sol. Manuel Bandeira, os Andrades, Drummond, Raul Bopp e tantos outros. Nesse meio de gigantes, ele ousou colocar seu tímido ovo de Colombo. Passou despercebido, eram tantos e tão maiores os polemistas da época que o Manequinho não foi considerado. Em 1942, com o mundo em meio à 2ª Grande Guerra, ele tentou de novo, voltou para falar do silêncio da dor, foi ignorado novamente. Manoel que depois seria (re)conhecido por sua mutação constante, em 1956, publica o terceiro livro, onde parece se despedir do meio em que não viveu. Quando o homem Manoel de Barros leva o poeta para o campo, ocorre a mudança final, agora ele vive no mato, para o mato, do mato, mas sempre sendo universal. Inegável dizer o quanto isso fez bem para a carreira de Manoel enquanto poeta (desnecessário dizer que para ele isso não queria dizer nada), aumentou seus horizontes, desbravou novas realidades e, enfim, quando nada mais fazia tanta mossa, alcançou o céu, deixando para trás essas três pérolas, diamantes brutos aguardando lapidadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele sempre foi grande, os olhos de então que não estavam treinados para sua poética que caminhava em direção à contradição. Insurgia-se contra os princípios norteadores do pensar, "por não se ajustar ao raciocinar retilíneo clama por um retorno ao originário do pensar", conforme nos diz o pesquisador Prioste. O Poeta apreende a realidade como um cenário construído a partir do alicerce verbal. E nessa desconstrução por que passa alcança um idioma quase próprio, que nada mais é que um misto de variações das novidades de vanguarda (fonte constante), com a simplicidade de um eu-poético em busca de um mundo adâmico. Foi ele quem melhor descreveu a representação poética do desfragmentado ser humano que restou das crises e novidades da sociedade moderna. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Poemas Concebidos Sem Pecados, o poeta ataca "a questão do humano a partir do confronto com uma civilização dominada pela técnica racional que delibera sobre a utilidade da produção e transforma os sujeitos em sujeitados a um modo de pensar delimitado ao objetivo, ao racional, ao exato, ao legível e ao inteligível". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Sou bugre mesmo&lt;br /&gt;me explica mesmo&lt;br /&gt;me ensina modos de gente&lt;br /&gt;me ensina a acompanhar um enterro de cabeça baixa&lt;br /&gt;me explica por que que um olhar de piedade&lt;br /&gt;cravado na condição humana&lt;br /&gt;não brilha mais do que anúncio luminoso?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Barros realça o avesso do mundo, mira seu olhar no rejeitado desvalorizado "por uma sociedade produtiva de bens consumíveis tanto duráveis como descartáveis". A razão "condena ao ostracismo o poeta por declamar palavras sem sentido por serem contrárias tanto ao senso comum como à distinção das idéias".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No livro de 1942, a guerra atroz afeta o poeta: "a fala impossibilita-se, pois o homem encontra-se diante de contingências históricas graves: uma guerra mundial. Como então reagir diante do pesadelo da história? Frente ao ecoar de sirenes e explosões distantes, prevalece o silêncio".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Hoje eu vi homens ao crepúsculo&lt;br /&gt;Recebendo o amor no peito.&lt;br /&gt;Hoje eu vi homens recebendo a guerra&lt;br /&gt;Recebendo o pranto como balas no peito"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vemos o quanto, em alguns momentos, sua obra está impregnada dessa dor universal, mas misturada ao seu “fusionismo” habitual; temos que "a instância primordial da poesia de Barros, no entanto, preserva-se intacta, pois tanto ao valorizar a fala dos segmentos marginalizados da sociedade como ao enunciar o emudecimento e a consternação diante de um mundo em conflito, a preocupação fundamental é com o outro".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 1956, percebemos um poeta vivenciando a modernidade mais profundamente, aqui lemos poemas vigorosos e centrados no seu olhar único: "a boca do poeta frente a um mundo desigual não se permite compactuar com uma estética subscritora do vazio da neutralidade asséptica de um postal, mas vira a construção cenográfica pelo avesso para denunciar o humano que ainda pulsa". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Por mim passavas&lt;br /&gt;- a água mais pura -&lt;br /&gt;e eu sofri sede."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mostrando ser um poeta consistente, em busca de quebrar o cotidiano normal da poesia, se reinventando, e nunca abandonando a sua maior arma, a consciência perante a sociedade em que vive: "Frente à degradação humana o poeta não silencia e afronta o moralismo provinciano por uma intervenção que sobrevém através da palavra". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;São esses os livros, guardados que estão nas estantes, belíssimas obras, um treino de luxo para as obras que surgiriam depois. Um poeta que viu esse mundo urgente surgir e diante do caudal de novas idéias que iam aparecendo, ia emprestando aqui, renovando ali, nunca se prendendo a nenhuma escola pré-fixada, mas sempre utilizando-se dessas inovações para se tornar esse poeta singular, muito singular que hoje conhecemos:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Singular, tão singular&lt;br /&gt;Ó passar-se invisível pela alma da alameda de casas&lt;br /&gt;espaçosas —&lt;br /&gt;Imaginando a feição ideal dentro de cada uma!&lt;br /&gt;Ir recebendo um pouco de poesia no peito&lt;br /&gt;Sem lembranças do mundo, sem começo...&lt;br /&gt;Chegar ao fim sem saber que passou&lt;br /&gt;Tranqüilo como as casas,&lt;br /&gt;Cheio de aroma como os jardins.&lt;br /&gt;Desaparecer.&lt;br /&gt;Não contar nada a ninguém.&lt;br /&gt;Não tentar um poema.&lt;br /&gt;Nem olhar o nome na placa&lt;br /&gt;Esquecer.&lt;br /&gt;Invisível, deixar apenas que a emoção perdure&lt;br /&gt;Fique na nossa vida fresca e incompreensível&lt;br /&gt;Um mistério suave alisando para sempre o coração.&lt;br /&gt;Singular, tão singular..."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poemas:&lt;br /&gt;Barros, Manoel. Gramática Expositiva do Chão (poesia quase toda). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ciencialit.letras.ufrj.br/trabalhos/jcprioste_unidade.pdf"&gt;E-book&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;PRIOSTE, José Carlos Pinheiro. A Unidade Dual: Manoel de Barros e a Poesia. Tese de Doutorado. UFRJ, 2006.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagem: A Moça com Bandolim - Pablo Picasso&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-5652873136722852165?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/5652873136722852165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=5652873136722852165' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5652873136722852165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5652873136722852165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/07/manoel-de-barros-begins.html' title='Manoel de Barros Begins'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_zlHM7dGIcTs/SI84k2MGIlI/AAAAAAAAAWM/kkwuymt9o-o/s72-c/mo%C3%A7a_com_bandolim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-5928823982578664143</id><published>2008-07-12T08:54:00.000-07:00</published><updated>2008-07-12T09:34:39.156-07:00</updated><title type='text'>Poetas Mediocres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todo cuidado é pouco. Não há como escapar deles: os puxadores de assunto. Eles estão por toda  parte. Escondem-se sob os mais diversos disfarces. Normalmente surgem nas mais impróprias, nas horas da tua maior pressa. Um deles é perigosíssimo, usa a já até manjada armadura de velhinho aposentado. Ele chega ao teu ponto de ônibus, como quem não quer nada, olha em volta, te olha. Até quem vem a primeira pergunta. Sempre alguma exclamação relacionada com o tempo, como “que calor!”, “que frio!”, “que chuva!”, “que tempo feio!”. Daí, não há mais como você fugir, pois independente de qual seja a tua resposta, a tua opinião, você já se tornou uma presa. É irrelevante qual seja e como seja a tua réplica diante do comentário dele. Você pode simplesmente dizer “sim” ou “não”, ou ainda, simplesmente fazer um aceno de cabeça, negativo ou afirmativo. Não há como livrar-se, você já se tornou a próxima vítima. De repente, o assunto seguinte pode até não ter com qualquer relação com o segundo. Ele pode talvez querer comentar a partida de futebol da noite anterior, exalando opiniões sempre com muita propriedade. Faz uma nova escalação para o time, sugere um novo técnico, novos patrocinadores, classifica a torcida como quente ou fria, critica o locutor e comentaristas do jogo, xinga a mãe do juiz. Nesse momento de entusiasmada explanação, a tua recepção pouco importa. Você pode até mesmo ficar no teu cantinho, caladinho, sem dizer um pio. O que é até melhor para ele, porquanto faz o seu show sem interrupções. É melhor que você não tente concordar com o que ele diz e nem tampouco objetá-lo, já que ele não vai deixar você falar de maneira alguma. A única coisa que você tem a fazer, é torcer para que o teu ônibus chegue primeiro que o dele, e torcer para que não seja o mesmo que o dele. Se isso acontecer e o ônibus estiver vazio, procure sentar-se no fundo, normalmente ele vai querer ocupar os da frente. Mas se o teu ônibus estiver lotado e ainda por cima for o mesmo do teu algoz, não tente reagir, entregue os teus ouvidos na hora. Quando for a pontos de ônibus, escolha os que não ficam próximos a supermercados, porque os puxadores de assunto, depois que o papo já começou a rolar, costumam também exigir favores. Se você der o azar de encontrar um deles em dias de quinta-verde, a situação se agrava. Portanto, não se assuste se um deles te pedir que você corra até a seção de verduras e traga uma cebola, uma batata, uma maça que ele esqueceu de trazer enquanto fazia a compra.&lt;br /&gt;Supermercado é também outro lugar bastante perigoso, onde todo cuidado também é pouco. Além do velhinho, existe a versão feminina da velhinha sorridente, que age quase sempre de forma aparentemente inofensiva. A princípio, ela chega pedindo apenas que você olhe para ela qual é o preço no pacote de café. Depois, ela sai agradecida, demonstrando que nunca mais vai te encontrar. Porém, ela sempre retorna e te reencontra na seção ao lado. Nesse momento, vocês dois já se tornaram íntimos, de maneira que ela já pode te dizer todas as opiniões políticas e econômicas dela. Então ela te despeja uma série de revoltas: “os preços estão absurdos”, “o atendimento no supermercado está péssimo”, “os produtos estão vencidos”, “os folhetos são mentirosos”, “a propaganda na televisão é mentirosa”, “ a novela está sem-graça”, “o governo é corrupto”, “tudo era melhor na época do Sarney”. Não obstante, a coisa não para por aí, logo ela passa a interferir nas tuas escolhas, dando palpite em quais produtos você deve levar; o mais barato, o de melhor qualidade, a melhor marca, qual marca mais tradicional, qual rende mais, etc. Lembre-se: o melhor que você tem a fazer é ficar sempre calado. E cumprir direitinho o seu serviço de ouvidoria. Ainda no supermercado, outro momento de alta periculosidade é quando você vai ao banheiro. Pois lá sempre existe uma versão mirim dos puxadores de assunto. O menininho perdido. Aquela velha história, do filho pequeno que diz à mãe que ele quer ir ao banheiro, a mãe o leva e diz: “fica aqui, que daqui dois minutos eu já volto!”. A mãe nunca volta em dois minutos. O menino acaba de fazer o que tem para fazer e volta com as calças ainda arriadas à procura de sua mãe. Logo ele arma o berreiro em frente às portas. Você sempre se penaliza, se sensibiliza com o caso. Entretanto daí em diante você terá que lidar com um dos casos mais graves de puxador de assunto, porque na verdade, ele não chega a ser um puxador de assunto, é apenas um puxador de choro. É você quem tem que puxar assunto. É uma árdua tarefa, pois a cada pergunta que você faz para ajudá-lo, ele dá apenas um novo acorde de choro, afinal você está lidando com puxador de assunto que é treinado para não dar assunto para ninguém. Das duas uma: ou você corre e deixa o garotinho em desespero, ou se vinga nele de todos os puxadores de assunto que você encontrou na tua vida, fazendo todas as formas de interrogatório possíveis, fazendo de tudo para ser ouvido por quem não quer te ouvir de jeito nenhum. Ainda no supermercado, no estacio&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_zlHM7dGIcTs/SHjUPEaaWtI/AAAAAAAAAVs/3jJFg848fd8/s1600-h/ponto_onibus.jpg"&gt;&lt;/a&gt;namento, você pode ser abordado por outra forma ainda mais nociva de puxadores de assunto, os flanelinhas ou trombadinhas. Eles chegam contando histórias mirabolantes de que a mãe está doente, o pai está doente, que estão com fome, que precisam inteirar para pagar o passe de ônibus. Tudo para arrancar alguma moedinha de você. Os puxadores de assunto sempre querem alguma coisa de você. Por isso talvez, as meninas devam sofrer mais com milhares de manés que surgem por aí contando as asneiras.&lt;br /&gt;Outro lugar que você deve evitar o máximo possível é o banco. Nele, os puxadores de assunto, acham que todos que estão na fila, são analistas ou podem resolver a desconfortante situação. E vêm esparramando lamúrias a torto e direito: “salários baixos”, “os juros abusivos”, “a fila que não anda”, “só tem um caixa atendendo”. E por aí vai... Outro personagem bastante comum é o office-boy. Existem dois tipos dele. O primeiro é aquele que quer parecer advogado ou executivo da firma em que trabalha. Esse chega todo engomadinho, de roupinha social, perfumado (embora já suado), cabelinho com gel. Daí a pouco, ele começa a reclamar que tem que andar rápido o atendimento porque ele “tem ainda uma série de compromissos pelo resto da tarde”. Na verdade, o que ele tem é uma porção de carnês e boletos para pagar nas lojas do centro da cidade, e vem com esse papinho de “compromissos”, insinuando que tem uma infinidade de reuniões importantíssimas e inadiáveis. O outro office-boy é o tipo mais desprendido que existe. Esse faz questão de mostrar que é adolescente. Chega vestido de roupa moderninha, brinco na orelha, bonezinho pra traz. Ele sempre dá uma de pegador. Ele sempre acha que tem um na fila que é truta dele. Daí ele começa a contar dos embalos de sábado à noite, como se o seu interlocutor realmente estivesse muito interessado na conversa. À medida que a fila vai diminuindo, tanto o office-boy moderninho, como o social, fazem novas amizades, procuram novas pessoas com que dialogar. Será tua sorte se você tiver muito à frente, ou muito atrás deles, e se livre de uma vez por todas do banco e dos puxadores de assunto.&lt;br /&gt;Às altas horas da noite, os puxadores de assunto também estão à solta, de plantão, ainda por cima mais sensíveis, dispostos a conversar com qualquer um. O corriqueiro bêbado pode ser inevitável nessas horas. Ou ainda o viajante. É isso, sobretudo se mais uma vez você estiver em ponto de ônibus. O puxador de assunto viajante chega meio desnorteado, te perguntas que horas são, senta e de repente, não mais que de repente, solta: “acabei de chegar de viagem”. Não tente ser estúpido e simplesmente lhe responder: “e eu com isso?”. Ele pode ainda ser mais agressivo ou mais dramático e melancólico. Lembre mais uma vez: tudo que você tem a fazer é ficar quieto! Agressivo jamais! Deixe que o viajante conte de sua viagem. Ele vai te dar em detalhes toda a viagem que fez. Os lugares que visitou, as coisas que comprou, as pessoas que conheceu, os parentes que reviu, etc. É claro que é inevitável que ele faça comparações com o lugar que ele visitou e a tua cidade. O que você tem a fazer é escutar, já que pelo visto você tem mesmo vocação para atendente do CVV.&lt;br /&gt;Saiba: conversas de puxador de assunto jamais serão agradáveis. Se ele está se dispondo a conversar com você que é um estranho, é porque todas as pessoas que ele conhece já não agüentam o papo dele, o cara pode ser realmente insuportável. Ou simplesmente carente. E outra, as pessoas com quem você gostaria de conversar, dificilmente virão falar com você. Elas já têm gente demais para falar, não vão querer falar com um estranho. Sendo assim, o jeito é você se tornar um puxador de assunto de vez em quando. Então é sempre bom que você tenha toda a paciência do mundo com os puxadores de assunto. Afinal ninguém sabe o dia de amanhã, você pode se tornar um deles. Seja mais compreensivo. Para muitos a rua é um abrigo, juntamente com supermercados e bancos. Na verdade não é a inconveniência que cria puxadores de assunto. É a solidão, a carência, a vontade de falar com alguém, a vontade de ser ouvido, de ouvir a voz de alguém, ainda que seja um desconhecido. Os puxadores de assunto por mais chatos que possam parecer, não são chatos, são mendigos, mendigam sentimentos, compaixão, diálogos. Mendigam palavras, como poetas medíocres em busca do verso. Por isso os assuntos são desagradáveis. Mas no fundo só querem registrar sua existência, a vontade de alguma coisa que querem, mas não sabem o que é, ou não querem dizer, ou não sabem como dizer, como poetas medíocres. Não há como fugir dos puxadores de assunto, eles são muitos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_zlHM7dGIcTs/SHjUf5K9VYI/AAAAAAAAAV0/uS-r8JALvq8/s1600-h/ponto_onibus.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222157412323906946" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_zlHM7dGIcTs/SHjUf5K9VYI/AAAAAAAAAV0/uS-r8JALvq8/s400/ponto_onibus.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;t.c.s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-5928823982578664143?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/5928823982578664143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=5928823982578664143' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5928823982578664143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/5928823982578664143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/07/poetas-mediocres.html' title='Poetas Mediocres'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_zlHM7dGIcTs/SHjUf5K9VYI/AAAAAAAAAV0/uS-r8JALvq8/s72-c/ponto_onibus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-435139711571874165</id><published>2008-06-09T14:52:00.000-07:00</published><updated>2008-06-10T08:07:19.042-07:00</updated><title type='text'>Kawabata e as prisões do ser humano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SE2nFVoX2jI/AAAAAAAAAVQ/MxakrOQs_-I/s1600-h/1kawa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210004054085196338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SE2nFVoX2jI/AAAAAAAAAVQ/MxakrOQs_-I/s400/1kawa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Yasunari Kawabata fez muito mais que livros, sua concepção de como contar uma história ia sempre além de incluir significados na espuma leve do texto; a busca dessas vivências para o leitor deveria ocorrer no corpo cavernoso dos detalhes. A Casa das Belas Adormecidas é assim, muito mais que só um texto sobre ninfetas dormindo para o deleite de "velhos decrépitos", e sim um mergulho na grande luta do ser humano, tentando conviver e sobreviver às prisões que a vida lhe impõe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Toda a delicadeza com que conseguia forjar "insólitas associações e metáforas táteis, visuais e auditivas que surpreendem por revelar os processos de fragilização do ser humano diante do cotidiano", ainda não diz tudo sobre essa intensa luta que o velho Eguchi trava nas noites mal (mesmo que bem acompanhado) dormidas, com esses entraves quase invisíveis da nossa vida.&lt;br /&gt;O nosso dia a dia é um dos vilões, cheio de nuances, possibilidades, ambigüidades. Em vigília criamos barreiras para não deixar transparecer os nossos pequenos infernos pessoais, o corpo é um exemplo disso, sendo um invólucro que envelhece e se enfraquece e lidamos com essa e outras complicações da nossa vida muito mal; as recordações movidas pelas livres associações, onde como dizia Freud "o inconsciente é o próprio psíquico e a sua realidade essencial" é outra dificuldade; a atmosfera de sonhos onde "há um conteúdo manifesto que recordamos e contamos quando acordamos, que nada mais é do que pura fachada, máscara" também. São nesses universos que circulamos, num misto de concretudes e abstrações. São essas as pontes que Kawabata levanta ou demole na passagem do seu texto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O livro conta a história de um velho que descobre, através de outro idoso, um local onde ele poderia passar a noite ao lado de uma jovem virgem, nua, adormecida quimicamente, fato que acende na nossa personagem um último resquício de desejo e talvez os últimos de moralidade, mas uma vez instalado na cama o que vemos é ele ser remetido ao reino das lembranças e também do onírico. Uma vez dentro desse quarto, ao lado de sua "bela adormecida", transborda o duelo entre o real e o irreal, ou como dizia Breton: "tamanha é a crença na vida, no que a vida tem de mais precário, bem entendido, a vida real, que afinal esta crença se perde", talvez seja para não perder essa crença na vida real que o velho Eguchi procure o local; uma vez nele, é como se penetrássemos numa via de várias possibilidades. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que existe de concreto e pode ser tocado, a "chave comum", o cigarro, as cortinas que "pendiam nos quatro lados do aposento", a porta, a garota com a "mão direita até o punho para fora da coberta", se mistura à atmosfera de irrealidade que se instala diante da "surpresa de ser conduzido de repente para fora do real de sua vida cotidiana". Pronto a cena, o que vamos assistir então é essa mistura de sensações, de mundos. O corpo nu, morno ao seu lado, é a porta de entrada para recordações pungentes, logo Eguchi se perde entre o presente, tão irreal quanto os agora fatos passados, "bem modesto é agora o seu quinhão: sabe as mulheres que possuiu, as ridículas aventuras em que se meteu", já falava Breton no Manifesto Surrealista. "Nos seus 67 anos de vida, o velho Eguchi com certeza conhecera noites deploráveis. E essas noites lhe deixaram marcas das mais inesquecíveis. O deplorável não provinha da falta de beleza física das mulheres, mas de suas tragédias, suas vidas infelizes", o caminho para dentro de si, pode ser a salvação, e logo "recordações secretas" o alcançam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa metáfora do quarto como sendo a nossa memória é comum na literatura, Kawabata não foge dela mas a amplia no limite pois as ações são mescladas e quase podemos vê-las ocorrendo ao mesmo tempo, embevecido com um seio jovem (que tem para ele um “formato tão belo”), deitado numa cama aconchegante, tendo, entrado numa viagem de reminiscências, quem sabe a sua última viagem e quem sabe “a última mulher da minha vida?”. Surgem cidades, Kyoto, com a “ferrovia de Hokuriku”, as “camélias despetaladas em plena floração”, um hotel em Kobe com uma amante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São nesses momentos que podemos entender o que separa um grande autor dos outros reles mortais ou aprendizes de feiticeiros, um bom livro fica tanto quanto melhor, conforme a quantidade de caminhos que temos que trilhar para entendê-lo. A decrepitude do corpo, onde “já que a menina não acordava, o cliente idoso não precisa envergonhar-se do complexo de senilidade, e ganhava permissão de perseguir livremente suas fantasias a respeito das mulheres e mergulhar em recordações”, é onde nasce o reino das lembranças, amargas para quem não pode fazer mais do que ver e sentir “um êxtase inconsciente”; sendo o próximo passo o sonho “e o velho Eguchi sonhou”. Reinos misturados onde conforme Breton “alucinações, ilusões etc são fonte de gozo nada desprezível”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente a pequena história, com um quê de romântico pervertido; um velhinho nos últimos dias da vida, uma jovem adormecida que não sabe o que acontece enquanto dorme; logo tudo transcende, a velhice não é o melhor dos mundos, e é no mundo da imaginação, das memórias que todos nós nos refugiamos durante a vida toda, mas o fazemos pelo puro prazer de sonhar coisas belas, momentos de preparação para alcançar o sublime, concretizar planos. Só que é para esse reino que nos mudamos na terceira idade, agora presos ao invólucro do corpo, as lembranças não são mais só uma fuga prazerosa e sim um calabouço onde sonhos e pesadelos se misturam ao concreto e ao impossível da vida; vida essa, que nessa etapa, não tem nada de “melhor idade”, e quase sempre é de faltas e não de sobras, onde podemos vislumbrar só “uma luz misteriosa na profundidade das trevas”. E quais são as prisões do homem? O corpo e a mente...o concreto e o abstrato, vivemos entre esses universos diariamente mas na velhice ele não é mais uma janela prazenteira e sim com grades e alarmes nos lembrando que o tempo passou e nos enroscamos desastradamente nos fios da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;s.o.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-435139711571874165?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/435139711571874165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=435139711571874165' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/435139711571874165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/435139711571874165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/06/kawabata-e-as-prises-do-ser-humano.html' title='Kawabata e as prisões do ser humano'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SE2nFVoX2jI/AAAAAAAAAVQ/MxakrOQs_-I/s72-c/1kawa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-6641098074088183352</id><published>2008-06-07T09:58:00.000-07:00</published><updated>2008-06-07T10:02:01.583-07:00</updated><title type='text'>Grandes Esperanças - Resumo da ópera</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SEq-76kAYvI/AAAAAAAAAVI/n2-KOdYiXXg/s1600-h/1CharlesDickens.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209185855549235954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SEq-76kAYvI/AAAAAAAAAVI/n2-KOdYiXXg/s400/1CharlesDickens.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grandes Esperanças é o segundo dos romances de Dickens em que o herói conta sua própria história, e parece uma tentativa de preencher o que não foi dito em David Copperfield. Conta a história de Philip Pirrip, ou só Pip, como ele mesmo se contenta em chamar. Órfão de pai e mãe, mora com a irmã que é casada com Joe Gargery, o ferreiro. Pip tem por acaso a oportunidade de se tornar fidalgo, e se transforma num pequeno e desprezível esnobe. Começa com o pequeno Pip visitando o túmulo de seus pais e irmãos, mas essa bucólica cena, pelas mãos de Dickens, já é transtornada por um fugitivo d galé-prisão, que ataca violentamente o menino e, com ameaças, o obriga a jurar que voltará no outro dia com comida e uma serra. Nesse pequeno capítulo já percebemos toda força da narrativa dickensiana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passado esse medo inicial, que o atormentará por toda sua vida, Pip é mandado por sua irmã e seu tio Pumblechook, para visitas periódicas à Srta. Hawisham, velha e rica que foi abandonada no altar e por conta desse fato parece que sua vida parou no tempo e na determinação de, através de sua sobrinha Estelle, se vingar de todos homens. É nesse ambiente que Pip se apaixona por Estelle, é nesse lugar que tecerá algumas de suas “esperanças”. O relacionamento da Srta. Hawisham e de Estelle é como o de uma professora e uma aluna aplicada e Pip é um mero brinquedo nas mãos das duas. Sem a malícia necessária em tal situação, suas idas nessa casa, durante um bom período, não parece mudar em nada sua situação, temos um Pip puro, ingênuo e bom. Quando alcança a idade de 14 anos, tem que começar a trabalhar como aprendiz na oficina de Joe Gargery, o faz, mas não é com muito prazer. Até que sua sorte muda e recebe misteriosamente uma renda mensal de um doador desconhecido, que Pip crê ser a Srta. Hawisham, em um dos seus surtos esperançosos, sendo, acredita ele também, tudo uma preparação para que futuramente possa se casar com Estelle. Mas Dickens não entrega assim de mão beijada sua criação, seus heróis tem que passar pelo purgatório para merecerem o céu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pip deve sua renda misteriosa ao condenado com quem, na sua infância, fizera “amizade” nos charcos. O próprio Abel Magwitch (o forçado agora chamado de Provis) era filho de um pobre funileiro que, “desde quando se entendeu por gente roubava nabos para viver”. Mais tarde ele fora explorado por um patife da nobreza (por acaso o mesmo que abandonou Srta. Havisham no altar) que se tornara escroque e que deixou Magwitch ser surrado quando ambos caíram nas mãos da lei. O pobre plebeu ficara impressionado com as vantagens que a condição social de seu companheiro - fora mandado para uma escola pública – lhe conferira aos olhos do tribunal. E, quando mais tarde Magwitch prosperou em Nova Gales (onde se encontrava banido pela lei inglesa), decidiu fazer de Pip um fidalgo. Desse modo Pip se viu numa situação em que o dinheiro que o prendia a Magwitch se não o associava a uma pobreza e ignorância mais abjetas do que aquela da qual escapara, o colocara sob as ordens de um indivíduo que representava para ele a escória do submundo, um homem com um preço sobre sua cabeça. Não apenas isso, mas a orgulhosa lady – que conheceu Pip na sua primeira fase e o desprezava tendo-o em conta de um simples menino de aldeia – é apresentada como sendo a filha de Magwitch e de uma mulher que tinha sido julgada por assassinato e que ora está empregada na condição humilde de governanta na casa do advogado que a defendeu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O símbolo aqui são as “grandes esperanças” que tanto Pip como Estela alimentam: eles são a imagem do otimismo vitoriano do meio do século. Estela e Pip acreditaram ambos que poderiam contar com uma rica patroa, a herdeira de uma fábrica de cerveja então parada, para lhes assegurar contra a vulgaridade e as privações. Mas a patroa desaparece como um fantasma e eles ficam com os costumes de lazer da classe, sem as rendas suficientes para mantê-los. Eles tinham a princípio de se perderem um do outro também, Estela devia se casar por dinheiro com um gentil-homem do interior e Pip nunca mais a veria senão por breve instante em Londres. Eis a última esperança de Pip, que acompanhamos com interesse, pois vemos ele passar por todo um ciclo psicológico. No início, ele é simpático, em seguida, por um processo mais ou menos natural, ele se torna antipático, tornando-se depois de novo simpático. Ali os efeitos tanto da pobreza como da riqueza são vistos de dentro de uma só pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesse processo de transformação pelo qual passa acompanhamos então sua vida numa Londres próspera, e dentro dessa sociedade Pip alcança o céu e o inferno. Sempre suas “grandes esperanças” são demolidas, Estella se casa com uma pessoa simples, porém, desprezível, somente pelo dinheiro; Srta. Havisham se mata e não é sua benfeitora; Joe se casa com Biddy, professora que era apaixonada por Pip, antes dele sair da sua cidadezinha; Magwitch, o forçado se apresenta como seu protetor o que lhe causa extremo horror e vergonha. É nesse processo de perder, ganhar, viver num patamar bem maior que poderia, enfrentar seu passado, tanto diante da Srta. Havisham, Estelle ou Magwich que podemos perceber o amadurecimento de Pip, sua transformação se dá de maneira completa através do sofrimento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;s.o. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-6641098074088183352?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/6641098074088183352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=6641098074088183352' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/6641098074088183352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/6641098074088183352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/06/grandes-esperanas-resumo-da-pera.html' title='Grandes Esperanças - Resumo da ópera'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SEq-76kAYvI/AAAAAAAAAVI/n2-KOdYiXXg/s72-c/1CharlesDickens.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7584969543440083051</id><published>2008-05-08T14:14:00.000-07:00</published><updated>2008-05-08T14:21:59.909-07:00</updated><title type='text'>No caminho da palavra</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SCNuu8BtGHI/AAAAAAAAAVA/y0rslsozg4o/s1600-h/1vidas_secas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198120147581999218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SCNuu8BtGHI/AAAAAAAAAVA/y0rslsozg4o/s400/1vidas_secas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo, segundo Calvino no seu Cavaleiro Invisível, que "era uma época em que a vontade e a obstinação de existir, de deixar marcas, de provocar atritos com tudo aquilo que existe, não era inteiramente usada, dado que muitos não faziam nada com isso - por miséria ou ignorância[...]"; esse tempo ressurge em Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Considerado pela crítica especializada (ela existe?) como um romance social ou do ciclo da seca, é assim repassado a quem interessar possa. Abandona-se um longo e pedregoso caminho, apequena-se possibilidades que o autor levou às últimas conseqüências. Analisado de modo simplista, os ingredientes estão todos lá, a caatinga, os viventes, as aves de arribação, os animais mortos, urubus que "arrancam olhos". Uma vez ultrapassado esse primeiro contato, um novo mundo se descortina ao leitor; caímos no reino do onírico, das prospecções dos abismos da alma, da incomunicabilidade, do pesadelo, da condição humana como um fardo da existência, e temos uma busca paradoxal no encalço da linguagem, da palavra que falta, que grita, que pode salvar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As personagens atravessam a narrativa perdidos entre tempos desconexos, são retirantes, vagam atrás de um lugar melhor, mas, principalmente, buscam um espaço onde possam estar nesse mundo. Suas ferramentas são parcas, se comunicam, ou ao menos tentam, guturalmente. O papagaio arremedava a todos, pois os sons eram puramente onomatopéicos. Transbordam de vazios incompreensíveis, se ressentem dessa falta maior: a linguagem. Quando Fabiano descobre que os filhos "têm idéias", se assombra; o crescimento deles, essa possível curiosidade cria "uma perturbação que sente", pois para ele é mais simples ensinar a praticidade do trabalho. Seus pensamentos quase transbordam pois se lembra do amigo Tomás da bolandeira, o "mais arrasado homem do sertão", "porque lia demais". Segundo Fabiano "pessoa como ele não podia aguentar verão puxado". Temos aqui um darwinismo total, no sertão até os fortes tem dificuldades de sobreviver, por isso é preciso ser forte e simples sempre, pois a morte está sempre se "avizinhando a galope".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Através das técnicas freudianas do fluxo da consciência, as personagens travam seus diálogos silenciosos. Tudo se conecta e se perde em instantes. Fabiano diante do soldado amarelo pensa que diz e não fala, quando fala não diz: "Isto é. Vamos e não vamos. Quer dizer. Enfim, contanto etc. É conforme". Graciliano entrecruza o seu texto com conjugações verbais que desnorteiam o leitor, passado, presente e futuro se misturam, criando atmosferas oníricas, de sonhos ou pesadelos. Preso Fabiano na cadeia e na falta de linguagem "queria berrar para a cidade inteira"; a fuga de um drama se dá recordando de outros piores, mas conhecidos, assim logo devaneia com a seca e com suas faltas. Sinhá Vitória sofre com seus pensamentos que flutuam num ir e vir monocórdico, desfragmenta-se, chega a duvidar até do que está pensando: "Encostou o fura-bolos à testa, indecisa. Em que estava pensando?". Como passamos o texto lado a lado com o narrador, nos perdemos nesse descaminho, onde estamos agora? Quem está pensando o quê? É tênue esse limite, só sabemos que o narrador é culto e que nossos heróis são capengas no falar, limitados e flutuantes no pensar. "Nesse ponto as idéias de sinhá Vitória seguiram outro caminho"; é assim como um carro de bois, aos trancos e barrancos, que a história segue. Quando Fabiano diz que sinhá Vitória tinha "pés de papagaio" isso faz com que ela se lembre do papagaio que virou almoço e logo a seguir da seca, pesadelo maior e que sempre volta num eterno retorno. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Graciliano consegue, e talvez seja um dos melhores nisso, introduzir no texto imagens translúcidas, aproveitando para, através delas, alcançar as prospecções dos abismos da alma; suas fraquezas, seus desejos, suas surpresas e indignações. Os meninos quando chegam à cidade se admiram de tudo “Impossível imaginar tantas maravilhas juntas”. Sabemos quando estão desconfortáveis e queremos até ajudar nesse momento ruim, para Fabiano a roupa nova é como a prisão; os pés de sinhá Vitória doem horrivelmente. Estar assim entre tantas sensações reais e outras devaneadas, desnorteia. Leitores e personagens ficam como que perdidos “Impossível readquirir aquele instante de inconsciência” avisa o narrador; Fabiano rebate nesse diálogo que parece só deles “- Como a gente pensa coisas bestas”. De monólogo em monólogo nos assustamos quando Fabiano se pergunta “Quantos anos teria?”, perdido e despersonificado, ele existe mesmo ou é só um sonho? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas é na busca da palavra, de uma linguagem que os recrie, que Graciliano se esmera. É uma batalha feroz, todas as personagens sentem falta ou são surpreendidos pela palavra: o menino mais novo quer falar, faltam-lhe esses apetrechos verbais. Admira o pai e não consegue exprimir isso. O menino mais velho aprende a palavra inferno, quer saber o que significa, mas sem ter como lhe explicar “sinhá Vitória aplicou-lhe um cocorote”; ele “tinha um vocabulário tão minguado como o do papagaio”, acha que “todos os lugares conhecidos são bons”; a descoberta da palavra inferno já é uma admiração. Quando se reúnem em volta do fogo no inverno (e assim se assemelham aos homens das cavernas ou até às sombras da caverna de Platão) sentiam necessidade de verem o rosto de Fabiano para tentarem decodificar o que ele falava, pois é como se assim fosse possível domar as palavras que saiam da boca dele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nessas histórias contadas à luz de fogo, Fabiano mente, aumenta, reconta com palavras diferentes (como se fosse possível), o filho mais novo não gosta “Teria sido melhor a repetição das palavras” avisa o narrador que diz também que o menino “Brigaria por causa das palavras”. Na festa da cidade, os meninos se maravilham com tudo e “nova dificuldade chegou-lhe ao espírito, soprou-a no ouvido do irmão, provavelmente aquelas coisas tinham nomes”; e assombro maior “Como podiam os homens guardar tantas palavras?”, pois “livres dos nomes, as coisas ficavam distantes, misteriosas”; é a mesma surpresa que teve Cortéz, conquistador do México, que numa carta para o rei da Espanha diz: “eu queria falar de outras coisas da América, mas não tenho a palavra que as define nem o vocabulário necessário”. Quando sinhá Vitória é capaz de pensar lógicamente, cortando caminho: “as aves de arribações matam o gado”, Fabiano se admira, a considera muito esperta e sente-se feliz por tê-la como companheira. E na hora da fuga, quando o sertão está novamente em brasas é devaneando nas palavras de sinhá Vitória que Fabiano encontra forças para continuar: “As palavras de sinhá Vitória encantavam-no”. “E andavam para o Sul, metidos naquele sonho”. Sonhos trazidos pela palavra, ou palavras que levam ao sonho, mas de toda maneira palavra que é a única que salva quer seja na vida ou no devaneio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7584969543440083051?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7584969543440083051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7584969543440083051' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7584969543440083051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7584969543440083051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/05/no-caminho-da-palavra.html' title='No caminho da palavra'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SCNuu8BtGHI/AAAAAAAAAVA/y0rslsozg4o/s72-c/1vidas_secas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-302834347444329929</id><published>2008-04-28T08:56:00.000-07:00</published><updated>2008-05-02T08:38:58.686-07:00</updated><title type='text'>Fabrício Carpinejar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SBX9CCgbueI/AAAAAAAAAU4/8SJCom2dz0M/s1600-h/1abricio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194335956716206562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SBX9CCgbueI/AAAAAAAAAU4/8SJCom2dz0M/s400/1abricio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Fabrício Carpinejar, Poeta, Jornalista, Mestre em Literatura, Gaúcho, 35 anos. Tem doze livros publicados. Seus textos são marcados principalmente pela arte de poetizar o cotidiano, enxergar a beleza oculta nos acontecimentos mais corriqueiros. Em seu mais recente livro, &lt;i&gt;Meu Filho, Minha Filha, &lt;/i&gt;decanta as sensações paternas diante do universo infantil. Também traz sempre novidades poéticas em seu &lt;a href="http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/"&gt;blog&lt;/a&gt;, no qual publica crônicas quase diariamente. Além disso, viaja por todos os cantos do país liderando palestras nas quais trata da Literatura sempre com o máximo bom humor, deixando os participantes sempre num clima de imprevisibilidade e de riso quando Carpinejar começa contar as histórias dele, supostamente biográficas. Recentemente esteve &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname productid="em Campo Grande" st="on"&gt;em Campo Grande&lt;/st1:personname&gt;, onde presenteou a cidade com mais um módulo de sua &lt;i&gt;Oficina de Construção Poética&lt;/i&gt; e nos intervalos desta, nos concedeu uma entrevista-bate-papo&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Fabrício, como seus filhos receberam Meu Filho, Minha Filha?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;Fabrício Carpinejar: Eles não têm obrigação de receber. A Mariana leu e disse: “- ótimo... exagerou um pouco...”. Eu li alguns poemas pro Vicente, ele tem seis anos agora, ele disse “- vamos jogar futebol agora?”. Eu não escrevi o livro para a minha família, eu escrevi o livro pra sair dela, para tentar reequilibrar a figura do pai, porque é uma figura ainda muito subestimada. O pai não tem realmente os mesmos direitos que a mãe na justiça, o pai, pra ficar com o filho, ou a mãe não quer ou haverá maus tratos, mas se a mãe é boa, como realmente todo mundo quer que seja, não tem igualdade de condições. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Explique “eu deixei de ser teu pai para ser a pensão da tua mãe”... &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Isso é a coisa mais difícil pela qual um pai pode passar. Eu pagava a pensão pra minha filha, em acordo verbal, e de repente eu recebo: “Mariana Carpi Nejar versus Fabrício Carpi Nejar”, é um baque. É uma violência simbólica. Eu acho legal a pensão, mas é uma violência simbólica você perceber que é real da tua filha. É uma violência simbólica, sem que a criança saiba, porque a criança não tem como pesar isso. Tem de ter um cuidado para o pai não sangrar, porque se o pai sangra o filho sangra junto; da mesma forma, se eu atingir a mãe dela, eu estou atingindo minha filha. Como é que eu vou atacar a casa dela? Colocar a pedra no chão é muito mais difícil que arremessá-la... &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Então pisa-se em cacos, sem direito a revidar? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Eu acho que é uma mistura trágica da figura do marido e da figura do pai. Muitas mulheres não conseguem distinguir, elas acabam tratando do marido, esquecendo que ele é pai. A criança vai receber o quê, vai receber o pai ou o marido da mãe? O marido. “Ah, ele me abandonou, ele não me amou, ele foi um canalha...”, de repente o cara foi um ótimo pai pra criança, e pra criança ele é tudo de bom. Acaba criando um adepto, correligionário; isso é terrível, e a criança acaba depois na adolescência cobrando do pai. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fabrício, você acha que a juventude lê pouco? Se sim, que motivos você atribui a isso? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Acho que a juventude não lê pouco, lê tanto quanto antes. Talvez ela não leia tanto livro, mas ela lê. Na internet, por exemplo, ela tem mecanismos de leitura: revistas digitais, sites, blogs. Eu acho que ela está perdendo um pouco a seqüência, ela está perdendo o enredo. A gente está transformando a leitura num zap de tevê. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isso é bom ou ruim? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: É outra tensão, muito mais dispersiva, mas eu não sei até que ponto isso é ruim. Antes criticavam a minha geração, que é a geração da tevê, dizendo que ela seria totalmente alienada, e a geração do videogame, e descobriram que essa é a geração mais concentrada, pois o videogame ajuda na fixação das imagens. São tabus. O mercado do livro caiu muito, mas eu não sei se diminuiu a leitura. Talvez seja uma época da safra dos romances exóticos: se tem um romance, por exemplo, da Ásia, todo mundo quer ler, o pessoal quer fugir dos seus problemas. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Informação, conhecimento e sabedoria: o jovem ele tem acesso à informação pela internet, mas ele tem de processar essa informação para que ela se transforme em conhecimento, e sempre estar se reciclando, para que esta informação vire sabedoria. O jovem não está tendo um excesso de Informação, sem que consiga alcançar o resto? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Não é um problema só do jovem, também é do adulto. Há uma precocidade no texto, que atinge todas as faixas etárias. O que nos dava um elo eram as histórias da família. A contação de histórias, porque a nossa fonte é a família; a gente confirmava as informações como os pais. Isso está se perdendo, a gente não tende a reconhecer a sabedoria dos mais velhos, porque ficamos distante deles. Se alguém vai contar uma história para nós e fica dando voltas, a gente já sai de casa. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na lista de livros mais vendidos, chovem Dans Browns, Caçadores de Pipas, Paulos Coelhos. O mundo emburreceu?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;F.C.: Não, é exotismo. Porque tu vai ver que tem livros bons ali. A gente não pode dizer que Caçador de Pipas é ruim, bem melhor que Paulo Coelho. A Menina que Roubava Livros é um bom livro, Reparação do Ian McEwan é um romance muito bom, é deprimente no começo, depois é um sufoco voltar para casa e ser feliz, um sufoco! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A literatura hoje parece uma necessidade das pessoas de afirmação, de encontro, é uma busca individual. Seria essa a razão do sucesso desses livros? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: O grande marketing do livro ainda é o boca a boca. São livros que um recomenda ao outro, uma inveja, “- ah ele tem esse livro? eu quero ter". Reparação entrou na lista, foi lançado há mais de cinco anos. Ele foi relançado, em função do filme, assim como Tropa de Elite, assim como Meu Nome não é Johnny... porque atinge um grande público, sai daquela casta dos iniciados. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É uma literatura mais fácil? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Vá lá: Morte e Vida Severina, virou seriado de TV, é um poema dramático, um auto de Natal de João Cabral de Mello Neto. Na época que virou um seriado de TV o livro despontou, é um livro absurdo, mas é um belo livro e teve uma ótima adaptação, assim como Grande Sertão: Veredas. É justamente a adaptação que vai fixar o livro. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seria uma espécie de popularização, de treinar a deglutição do livro? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: É exatamente. O importante do livro é ser lido. Aliás, nem sei se os livros da lista são lidos, são comprados, isso eu tenho certeza, comprados são, está na lista. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Muitas vezes, entre o livro e o filme, a pessoa opta pelo filme, e não lê o livro porque ela acha que ali vão estar todos os elementos que tem no livro... &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Em alguns momentos o cineasta acerta, o Reparação é muito fiel ao livro, Meu Nome é Johnny é também é muito fiel. Não sei... &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desse modo a pessoa não lê o livro. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Sim. O pior é que no Reparação eu não li o final do livro, não quis ler o final, aí eu fui ao cinema para assistir, sabe o que aconteceu? Faltando dez minutos falta luz no shopping... &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Castigo... &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Total, vou ter que voltar a ler o livro. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você acredita que em um autor vida e a obra se misturam? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Não pode terminar na vida do autor, mas pode partir dela; Tu quer a vida dele, só que não é biografia, é literatura. Eu tenho medo de encontrar os autores que eu gosto, tenho uma imagem tão bonita e cativante deles, e de repente, o cara não é espirituoso. Muitas vezes tu coloca na obra aquilo que tu não é na sua vida, isso tem que ser levado em conta, é uma saída. Eu faço questão de confundir minha vida com a minha obra, é uma delícia. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você não tem medo de daqui alguns anos sair uma tese analisando você e sua obra? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Eu não sou polícia para reprimir, mas a minha vida é inventada, por isso eu sou biográfico. Nem a minha mãe sabe o que é real ou mentira, eu confundi tanto a minha mãe que tu pode perguntar para ela, que ela não vai ter certeza. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vamos fazer um exercício de imaginação kafkiana: você vai perder um dos sentidos. Qual o poeta Fabrício Carpinejar escolhe pra ficar sem? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: O nariz é o meu latifúndio improdutivo. A questão do ouvir para mim é muito importante, ouvir uma música, o ritmo. O tato é minha visão, antes de tudo. Uma mulher, por mais exuberante que seja, precisa ser vista com o dedo, com o toque. A visão não é a fundamental, ainda mais se eu perdesse hoje a visão: eu já teria como encontrar as coisas. O cheiro, assim, ver pelo cheiro... não sei, é uma pergunta islâmica essa.... &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que mais te encanta então? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: O que mais me seduz é a narração, se ela me conta uma história é muito mais que visual, eu sou aficcionado por Mil e uma Noites em função disso, ali eu acho que trabalha essa questão, a fantasia, seduzir, explorar, saber provocar, ter personalidade para fazer isso, senão é “ah não sei”, “ah não quero”, “faz o que tu quiser”, isso é tão chato, “escolhe você”, não ter personalidade nenhuma, uma submissão, seguir o que outro está fazendo, seguir o que ela tá fazendo, não. Você pode escolher, mas eu quero ver a outra pessoa escolhendo, tem que saber errar também. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Suas palestras são sempre muito explosivas, e suas aulas também são assim. Você acha que a monotonia dos professores colabora com a inércia e a falta de interesse dos alunos? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Tem que ter a questão do confronto, o aluno ele precisa ser incitado, não é para ser uma amizade fácil, precisa ser uma amizade estimulante. O desejo do escritor e do professor é que o aluno realmente o supere. O aluno precisa se superar, precisa questionar, e ser questionado. Gosto muito de ensiná-los, o que pra eles é apenas mais quatro horas para mim é tudo, aquilo para mim é minha vida. Isso interfere, a diversão também, você tem que se divertir na sala de aula. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pode haver conteúdo e show numa mesma aula? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: O conteúdo é o show. Ter um conteúdo que é explosivo é show, mas o professor tem que ter sustentação psicológica, emocional, porque ele encontra resistência, retração. Chegar numa aula e falar coisas que as pessoas não admitem que possam ser ditas numa sala de aula, como sexo, por exemplo, ainda trava as pessoas. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você leria o texto &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/2007_04_01_archive.html"&gt;&lt;strong&gt;Involuntariamente Pornográfico&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; - numa sala de aula? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Sim, é um texto feito para isso, pra provocação, depois daquele texto, você acaba se sentindo invadido e reequilibra a intimidade. A gente tem vergonha de coisa que a gente não precisa ter, a gente precisa ter vergonha por exemplo da indiferença, da omissão, da competição. A gente precisa ter vergonha de um monte de coisa, vergonha do roubo, não vergonha disso, a gente acaba assumindo uma vergonha que não é pra ter vergonha, é o corpo é a liberdade do corpo. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sexualidade: como você vê a maneira como as mulheres lidam com ela? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: As mulheres se cobram demais; elas querem ter respostas, respostas, respostas... A mulher assumiu um espaço que é delas, só que não deixou os espaços que ela tinha antes: continua com a casa, agora tem trabalho, agora tem que gozar, quer ser mãe; é muita coisa! O homem faz o que pode, a mulher quer a unidade, quer o conjunto, quer tudo, quer ser um pouco mais. Uma fome... &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De abraçar tudo, de proteger tudo? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: É uma fome de mundo, de proteger, de se sentir protegida, de ser entendida, de ser explicada, porque para a mulher não basta sentir, ela tem que explicar o que está sentindo, o homem sente e não precisa explicar. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem ainda acha que domina o relacionamento? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: O homem não domina um relacionamento, o amor deve ser o único sentimento que dizima, que deserda. Eu sinto falta da dor de cotovelo, de chorar no bar por uma mulher, isso é bonito, descascar o rótulo de uma garrafa, beber até perder a consciência por uma mulher, sem contar outras situações vexatórias... &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É uma falta de dignidade bonita? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: É luto. O homem é muito cobrado, tem de provar a toda hora que é homem. Passa a vida inteira provando que é homem, para os seus amigos, nas brincadeiras, escola, em casa. Quanto tempo nós demandamos da nossa vida para provar que somos homem? Muitos anos, pode somar, dá muito tempo! Por isso que eu acho que tem a inteligência gay. O gay não precisa provar que é homem, e também não é como a mulher que se cobra. Como tem tempo disponível, ele acaba sendo muito mais sofisticado na música, nas relações, muito mais amigo, muito mais humorado... Acho que os homens tem de aprender com a inteligência gay. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O gay está muito mais próximo da mulher... &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Mas é evidente. A mulher cobra do homem também masculinidade. Começa o relacionamento ela tá cobrando, e pode ser nas situações mais elementares, abrir a lata de pepino, matar barata, são obrigações de homem, trocar lâmpada, são obrigações de homem, não é? Carregar....ah pára; não, elas confundem homem com estivador. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando você encontra um livro seu no sebo, o que sente? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Eu não me sinto rejeitado, mas têm poucos livros meus autografados no sebo. O público tem o direito de não gostar do que eu faço, e isso também é uma visão que o escritor precisa aprender, precisa absorver: a humildade. Quando que a gente escreve entramos numa certa paranóia de todo mundo ter de gostar, a gente condena os outros a gostarem da gente, não admitimos nenhum contraponto. De repente sua obra pode ser ruim, tu tem que aceitar isso. Ninguém tem a grandeza de te botar no chão, mas você precisa dar o direito de escolha. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como você lida com as críticas? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Se ela não ataca a vida pessoal, não é sarcástica, eu acho que é bom. Mas se ela não respeita minha vida pessoal, eu fico chateado mesmo. Se for uma crítica legal eu recebo numa boa, ainda mando “-agradeço a leitura do livro”, isso eu aprendi. O Faulkner dizia o seguinte: “escreve uma resposta, vai lá escreve uma resposta, depois lê, lê uma segunda vez, e rasga. Você já respondeu, só não precisa entregar”. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como o povo gaúcho vê a sua poesia? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Tenho uma empatia muito grande com o público gaúcho, a luz de Porto Alegre é uma luz coada, eu sinto falta. Às vezes se eu fico mais de uma semana fora de casa minhas personalidades cindidas começam a se afastar, só minha mulher para reunir minhas personalidades. A amizade ajuda a literatura, a literatura brasileira cresceu em função de grandes amizades, Drummond amigo do Fernando Sabino, que era amigo Rubem Braga, que era amigo do Hélio Pelegrino, que era amigo do Otto Lara Resende; um competindo sadiamente com o outro... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Estão faltando elos na literatura? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Ambição, a ambição faz os elos. Na verdade, se uma pessoa é muito boa, você se afasta dela. Nem leu a obra nem nada, diz que é metido e tenta criar fofocas a respeito. Se tu percebes que tem um baita talento na tua época, o que não é uma coisa fácil, tu não vai dar força? Não vai chegar perto? É um crime! &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a coisa mais absurda que você já vivenciou como poeta? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Tem uma história engraçada: eu fui convidado para celebrar um casamento, agora, no final de março. Já fui padrinho, já fui o marido, agora eu vou celebrar um casamento. Um casal de leitores da minha poesia parte do princípio que nada melhor que um poeta para celebrar o amor. &lt;a href="http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/2008_03_01_archive.html"&gt;Vou ser padre! &lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a maior qualidade de Campo Grande? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;A maior virtude de Campo Grande é a contação de histórias, então as pessoas elas são contadoras de histórias mas não lêem, isso é um paradoxo. Porque aqui acontece diferente de outros estados, no Rio Grande do Sul, se você é um contador de histórias, você lê, a contação de histórias leva pro livro, o livro leva pra contação de história, aqui a contação de história só leva para a contação de histórias, a pessoa não sente necessidade do livro, o livro é dispensável. Não sei se é pela ausência de bibliotecas familiares, não sei, pode ser. Porque se você forma uma biblioteca, você sabe que ali tem uma história pra ser contada. Eu não entendo porque aqui a literatura é vista como literatura não é como vida. Teu melhor dos relacionamentos é com a literatura. É que as pessoas não entendem a literatura como reflexo de uma atitude, como reflexo de uma vida, como reflexo de uma escolha. Você pode ser médico é a leitura que vai te tornar um médico melhor , se for psicólogo é a leitura que vai te tornar um psicólogo melhor, latifundiário, é a leitura que vai te tornar melhor. É o trato com as pessoas; só que eles percebem a literatura com se fosse... &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um universo paralelo? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Um universo paralelo, é isso. Acham que não é necessário, que não é fundamental, que parece conversa de louco. Talvez o grande papel de todo o país seja formar leitores, não escritores, leitores sem a ânsia de publicação. Leitores jornalistas, funcionários públicos. Que lê o livro pelo prazer de ler, não por querer escrever. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível um leitor que não queira escrever? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: Claro que é! Grandes escritores são feitos desses leitores. Se a gente escrever para escritores, nosso público é muito limitado. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um grande escritor não é antes de tudo um grande leitor? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;F.C.: O grande escritor é um grande leitor, mas um grande país é feito de grandes leitores que não precisam escrever. Nós somos apaixonados pela literatura e a gente não consegue pensar nisso de forma diferente. Mas se tu pode apenas ler só pelo seu prazer e isso é que vai fazer a lista dos mais vendidos. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que fica de Campo Grande pra você? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;F.C.: Eu gosto muito daqui. Talvez sejam as pessoas de quem eu me aproximo, eu não sinto fingimento. Mas algumas coisas que acontecem aqui me incomodam: a falta de editoras, a ligação da literatura com a coluna social, a pouca sintonia entre a música e a literatura, a ausência de literatura urbana. Literatura urbana, cidade, cadê? Parece que tu não tá no Pantanal tchê,..... As pessoas falam: “eu estou escrevendo em Campo Grande, então eu tenho que escrever à moda Manoel de Barros”. E quem disse que Manoel de Barros reproduz a obra de Campo Grande? De repente não. É uma coisa que tem que se saber. Quem é nossa voz genuína? Mas no Rio Grande do Sul se você vai pegar tem uma literatura iminentemente urbana, já teve toda uma literatura que preservava o passado, uma literatura mais aguerrida, o romance histórico, assim por diante; depois teve outros avatares; mas hoje se você vai pegar, literatura urbana, tem um sentimento político, Paulo Scott tu sente a cidade, Daniel Galera tu sente a cidade, a cidade é personagem, Amílcar Bêttega, Porto Alegre tá lá, o cais tá lá, o morro tá lá, tudo tá lá. É maravilhoso deslizar por descrições das tuas ruas, e dizer: “eu passo por esse livro todo dia”, ver um filme e assistir a tua cidade ali. Acho que a partir disso tudo se abre. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;* Entrevista concedida dia 14/02/08, no Hotel Jandaia em Campo Grande/MS.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Thanks 1: Fabrício pela hora de conversa "totalmente excelente" que tivemos, mais do que uma entrevista foi um bate-papo que podia se estender indefinidamente que, pelo menos nós, não reclamaríamos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Thanks 2: Aline pelo MP3.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Thanks 3: Para a equipe de produção, ou seja, nós mesmos: s.o./t.c./g.y.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-302834347444329929?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/302834347444329929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=302834347444329929' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/302834347444329929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/302834347444329929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/04/fabrcio-carpinejar.html' title='Fabrício Carpinejar'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/SBX9CCgbueI/AAAAAAAAAU4/8SJCom2dz0M/s72-c/1abricio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-8903187140825931654</id><published>2008-04-04T16:10:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T16:15:50.866-07:00</updated><title type='text'>A primeira vez num sebo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R_a1xJQBd8I/AAAAAAAAAUc/gL6e4_3NJJE/s1600-h/tn2_sebo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185531876865046466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R_a1xJQBd8I/AAAAAAAAAUc/gL6e4_3NJJE/s400/tn2_sebo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confesso um pecado intelectual: nunca tinha visitado com tranqüilidade um sebo. Mas sempre tem a primeira vez. Acabo de sair de um. Ao me encaminhar para o ponto de ônibus fui meio zonzo ainda meio extasiado por tanta magia.&lt;br /&gt;Ver as infinitas lombadas de livro é como ver uma multidão de mulheres maravilhosas de perfil, enfileiradas como dominós em pé. Agora inventaram o tal Estante Virtual, uma economia que nos rouba um prazer. Nada como o prazer de molestar os livros, folhear suas páginas, violar suas páginas, como se faz com o vestido da mulher amada. Aí que raiva, encontrei tudo que queria! E é justamente esse o problema. Encontrei tudo o que queria, só me falta encontrar todo o dinheiro que queria. Por mais que os sebos se apresentem com preços módicos, mas são tantas emoções! Dá vontade de levar tudo para a casa.&lt;br /&gt;Nessas horas que reconheço a importância dos analfabetos funcionais. O que seria de nós se não existissem aqueles que não gostam de livros, que não os entendem? O que seria de nós se simplesmente não existissem aqueles que odeiam ler? Sebo é um orfanato de sonhos. Arrepio-me quando vejo páginas amareladas olhando para mim, dedicatórias que nunca me foram feitas. Uma sucessão de rabiscos que me enchem os olhos. Encontrar rabiscos em livros me faz me sentir menos só, pois há um diálogo entre mim e o leitor anterior e me dá certeza de que a leitura não é um prazer solitário. Quando leio meus cinco sentidos se despertam. Afago o papel, sinto o cheiro envelhecido ou o frescor da celulose, saboreio as palavras, vejo as palavras minuciosamente desenhadas como o sistema solar, ouço o tilintar da virada de cada página como uma lenta melodia.&lt;br /&gt;Definitivamente a leitura faz as pessoas mais interessantes. Homens e mulheres não são mais os mesmos. As conversas são cada dia mais requintadas. Para muitos sempre seremos chatos, nerds, e ignorarão a nossa existência, a nossa convivência. Perdoe a eles senhor, não sabem o que fazem!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;t.c.s.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-8903187140825931654?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/8903187140825931654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=8903187140825931654' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8903187140825931654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/8903187140825931654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/04/primeira-vez-num-sebo.html' title='A primeira vez num sebo'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R_a1xJQBd8I/AAAAAAAAAUc/gL6e4_3NJJE/s72-c/tn2_sebo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-900654201223452608</id><published>2008-03-17T09:28:00.000-07:00</published><updated>2008-03-17T10:01:37.070-07:00</updated><title type='text'>Orfeu</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R96dOh-571I/AAAAAAAAAUM/xcYoEMh1CYU/s1600-h/2veneno.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178749494488592210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R96dOh-571I/AAAAAAAAAUM/xcYoEMh1CYU/s400/2veneno.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na hora da divisão das tarefas celestiais um anjo que adorava fazer nada fugiu do céu, vagou aqui e ali, um passarinho encantado brincando entre nuvens e crianças. Descobriram-no, cortaram-lhe as asas, ganhou nome e endereço pouco fixo, Cássia Eller. Do seu tempo divino restou a voz; ela era uma das sereias que cantou quando Ulisses voltava para casa. Pensava nisso quando ia para o show dela na tenda do parque das Nações, era a véspera do lançamento do Acústico, era a oportunidade de ouvir os gritos mais famosos desde que Cazuza tinha ido embora. Era a chance, e não sabíamos, de vê-la pela última vez ao vivo, viva. Ela que descobriu esconderijos na garganta, que tinha uma timidez espalhafatosa, ela que no palco se transmutava, como se tivesse nascido nele ou para viver dele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando ela surge e, nós já enfrentamos o enorme vai-e-vém das pessoas procurando e desprocurando o melhor lugar, é como se o mundo ficasse no ar. Não seria sua voz quem segurava os Jardins da Babilônia? Sua banda é o melhor acompanhamento possível para o apocalipse que se forma dentro do circo. Aos primeiros acordes de Partido Alto somos acariciados por um elefante, estupidificamos nossas sensações, somos joguetes nas suas mãos de unhas roídas. É como se o céu abrisse e de lá viesse uma voz dizendo: "essa é minha filha preferida", seu canto quase nos arranca da arquibancada, nos sustentamos como podemos e a cada pausa não conseguimos sequer saber o que nos atropelou, mas ela logo pega nossa mão e nos coloca no caminho errado de novo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela bebe algo, lembro que também estou com sede, hipnotizado não saio do lugar, ou melhor não páro de pular no meu lugar; começam os acordes de Segundo Sol e lá vamos todos saborear o que restou da ambrosia que ela se deliciava quando morava no céu. Ela não canta Malandragem e ninguém se lembra de pedir, ela ressuscita Kurt Cobain e nós seguimos nosso mestre de cerimônias. Ela sorri, brinca, sua carótida quase explode, "Hoomeem-Pássaroo"; Cássia é a, como dizia Cortázar sobre Louis Armstrong: "alegria dos homens que te merecem". No fim restam milhares de pessoas que procuram lentamente e sem vontade a saída, cada um perdido nos seus monólogos interiores, que segue repetindo, como se estivessemos dentro das ruínas circulares de Borges, e no meio dessa conversa (ab)surda Cássia ainda está ecoando tal qual Orfeu diante do trono de Plutão e Prosérpina, tentando levar Eurídice com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É NOCHE DE VERANO &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pulsas, palpas el cuerpo de la noche,&lt;br /&gt;verano que te bañas en los ríos,&lt;br /&gt;soplo en el que se abogan las estrellas,&lt;br /&gt;aliento de una boca,de unos labios de tierra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra de labios, boca&lt;br /&gt;donde un infierno agónico jadea,&lt;br /&gt;labios en donde el cielo llueve&lt;br /&gt;y el agua canta y nacen paraísos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se incendia el árbol de la noche&lt;br /&gt;y sus astillas son estrellas,&lt;br /&gt;son pupilas, son pájaros.&lt;br /&gt;Fluyen ríos sonámbulos,&lt;br /&gt;lenguas de sal incandescente&lt;br /&gt;contra una playa obscura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo respira, vive, fluye:&lt;br /&gt;la luz en su temblor,&lt;br /&gt;el ojo en el espacio,&lt;br /&gt;el corazón en su latido,&lt;br /&gt;la noche en su infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un nacimiento obscuro, sin orillas,&lt;br /&gt;nace en la noche de verano.&lt;br /&gt;Y en tu pupila nace todo el cielo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OCTAVIO PAZ&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;PS: Show realizado em Campo Grande/MS, no ano de 2000 - acho eu - num Circo montado do Parque das Nações Indígenas, com ingressos a R$ 6,00, parte do projeto Temporadas Populares que trouxe durante três anos shows sensacionais como esse e Ira!; O Rappa com Yuka ainda; Lenine (que não tocou pois acabou a luz); Zeca Baleiro; Chico César; Los Hermanos quando recém tinham recém-lançado o Bloco do Eu Sozinho. Projeto que acabou pois diziam que quem morava na periferia não podia ir ao shows, sendo trocado pelo Festival de Inverno de Bonito onde os periféricos, agora sim, não tem acesso nenhum.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-900654201223452608?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/900654201223452608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=900654201223452608' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/900654201223452608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/900654201223452608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/03/orfeu.html' title='Orfeu'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R96dOh-571I/AAAAAAAAAUM/xcYoEMh1CYU/s72-c/2veneno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-4920974442923670502</id><published>2008-03-01T08:44:00.000-08:00</published><updated>2008-03-01T10:40:39.006-08:00</updated><title type='text'>Juno</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R8mIMlbYloI/AAAAAAAAATs/xsR2WPPBdTI/s1600-h/burgerphone.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172815396798502530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R8mIMlbYloI/AAAAAAAAATs/xsR2WPPBdTI/s400/burgerphone.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O assunto é sério, realmente sério. No nosso país ele assume ares de problema de saúde pública. Adolescentes grávidas é o que há por aqui, nesse ponto o filme acerta em cheio, o sexo é uma realidade entre os adolescentes e cada vez mais precocemente essa barreira antes quase intransponível vai se tornando banal. Corpos ainda não completamente formados. Psicologicamente longe da maturidade necessária para se criar um filho; criança que chega mudando tudo na vida da menina, o corpo, as sensações tão diversas como deixar de ser filha para se tornar responsável por uma vida. Como encontrar tempo depois para continuar a curtir as delícias da adolescência? Onde se localizar no mundo depois de ter um filho aos quatorze, quinze anos? Respostas que o filme não dá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O roteiro do filme, premiado merecidamente com o Oscar, é sensacional, os diálogos são atuais, leves, irônicos, sarcásticos, a realidade é que foi adaptada ao paladar americano de ver o mundo. Temos, nós que conhecemos as dificuldades e surpresas que sentimos ao encontrar uma mãe-filha, no máximo que ver o filme como um entretenimento, de primeira qualidade, mas completamente longe da nossa dura verdade. Quantas jovens não são abandonadas pela família quando um fato desse ocorre? Pais intolerantes, revoltados com a "perda da honra", seja lá o que isso for, existem aos montes ainda aqui. Claro que também temos famílias que aceitam o desafio, enfrentam o fato com galhardia e aprumo, mas mesmo assim a vida de todos está irremediavelmente mudada. É questão social, isso é muito claro, meninas pobres engravidam muito mais, falta de se enfrentar esse problema de frente, conscientizar pais, mães, tocar nessa ferida já na escola, demonstrar o quanto um filho quando ainda se é tão criança não beneficia em nada nem a mãe-nova nem o novo-filho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o entretenimente é garantido, na sessão que fui notei muitos adolescentes, excitados antes, compenetrados durante, felizes ao terminar. Será que perceberam mesmo as nuances do filme? Espero que sim, a visão da Ellen Page grávida, andando como se carregasse na barriga não um filho, mas todo o peso do mundo fala muito mais que as ações tomadas por ela na ficção. Como é cativante os detalhes, como o telefone hambúrguer, a surpresa de todos na escola, a trilha sonora indie total, belezas da telona. Mas ser mãe jovem não é só fazer o sexo em si,  é também depois vestir ares de fortaleza, força essa que sozinha uma adolescente ainda não tem, entra em ação a importância da família, do meio em que a pessoa convive. No filme tudo se resolve com o bom humor do texto, na vida real tudo está longe de ser assim. O filme então é excelente opção para todo mundo, até mesmo uma chave para muitos pais e mães penetrarem no hermético mundo  dessas jovens esfinges modernas que nos rodeiam, ou ao menos para que pais e mães tirem dos olhos a venda da hipocrisia que vestem quando o assunto em questão são atitudes dos seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;s.o. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-4920974442923670502?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/4920974442923670502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=4920974442923670502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4920974442923670502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4920974442923670502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/03/juno.html' title='Juno'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R8mIMlbYloI/AAAAAAAAATs/xsR2WPPBdTI/s72-c/burgerphone.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-3396948825732722444</id><published>2008-02-28T14:08:00.000-08:00</published><updated>2008-03-01T10:18:55.312-08:00</updated><title type='text'>Parabólico Raduan;</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R8gm-1bYlnI/AAAAAAAAATk/IKz2YSbGptY/s1600-h/17raduan.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172427032970696306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R8gm-1bYlnI/AAAAAAAAATk/IKz2YSbGptY/s400/17raduan.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira vez que ouvi falar de Raduan Nassar foi num pré-vestibular, Lavoura Arcaica era livro obrigatório e foi dissecado pela professora de óculos branco. Sim ela falou da Sudanesa, da Ana e do André, do pai, da família, insistiu que todos tivessem especial atenção com o final, a posição de todos na mesa, o pai morrendo, a loucura da irmã. Isso tudo ela disse. Eu mesmo não li o livro, já sabia dele o necessário para uma prova que não fiz. Até porque na outra aula ela já esmiuçava o Esaú e Jacó, falando logo do "ab-ovo"...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na segunda vez que cruzei com o Raduan, o livro era obrigatório noutro vestibular, agora o da minha filha, comprei. Para ajudar na compreensão dela, li primeiro. Mas conforme ia lendo, o resumão da professora chegava primeiro nas conclusões que não vim a ter. Lemos e não entendemos a essência, resultado? Peguei minhas anotações daquela aula que tive e emprestei para ela. Dois a zero para o livro. Onde moram esses resumos que circulam por aí? Qual a paternidade ou maternidade deles? É inconcebível que isso ainda ocorra, a facilidade de um filme ou de partes do livro no lugar da leitura, leitura essa que realmente fiz agora, pois lemos e LEMOS um livro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lavoura Arcaica transcende tudo o que se vê numa primeira olhada, culpa do autor, mestre em limar ásperezas da palavra. Se utilizando de um sinal de pontuação à beira da falência por falta de uso, &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/02/080227_ivanlessa.shtml"&gt;o ponto e vírgula&lt;/a&gt;, ele muda o rumo da prosa, acrescenta inventividade e fruidez ao texto. É talvez o ritmo que falta para muita gente por aí. O livro que mais fala de sexo sem que ninguém fique exageradamente chocado. Zoofilia, incestos(?), masturbação e tudo dentro de uma arrumação do verbo; símbolos esperando serem decifrados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desagregação familiar é tema universal, perder a confiança em quem nos governa também, ser assaltado por desejos em alguma fase da vida acontece em todas as casas, choques de gerações, a descoberta do sexo. Mas é na surpresa que a história cresce. O filho pródigo não contou a razão de ter ido embora, e assim as parábolas cruzam errantes no lugar certo: a da semente em terra ruim, os porcos possuídos pelos demônios, etc. Em mãos menos laboriosas tudo iria se perder, Raduan faz o contrário, o interesse aumenta; ele esconde na ambigüidade das frases sentidos, direção. Alucina o ritmo vertiginoso com que tudo é contado, uma caixa de Pandora vazia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo;"&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto: Raduan Nassar/O Globo/divulgação&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-3396948825732722444?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/3396948825732722444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=3396948825732722444' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3396948825732722444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/3396948825732722444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/02/parablico-raduan.html' title='Parabólico Raduan;'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R8gm-1bYlnI/AAAAAAAAATk/IKz2YSbGptY/s72-c/17raduan.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-1460800786656075631</id><published>2008-02-23T08:59:00.000-08:00</published><updated>2008-02-23T09:06:46.175-08:00</updated><title type='text'>Idílios escondidos na Ilíada</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R8BShQtTerI/AAAAAAAAATU/KlSRKtluRZQ/s1600-h/1homero.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170223103595477682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R8BShQtTerI/AAAAAAAAATU/KlSRKtluRZQ/s400/1homero.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquiles chorando no colo da mãe&lt;br /&gt;Quem procura o Aquiles do filme já aviso, no livro não tem. Aqui ele parece, durante a maior parte do tempo, o Kurtz do Conrad; no Canto I, ele não se parece nem mesmo com ele, chorando a perda da escrava Briseide no colo da mãe Tétis: "Qual a razão de teu choro, meu filho?". Mal ouvia isso e ele se punha a reclamar do rei Agamenóne. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O covarde Páris corre da luta contra Menelau e...&lt;br /&gt;Vai se deliciar com Helena, enquanto lá embaixo o pau tora: "Ora, concordes, gozemos do amor as carícias, no leito, pois nunca tive os sentidos tomados por tanta ebriedade[...]"; covardia dá tesão?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As pedras jogadas&lt;br /&gt;Pedregulhos enormes, quase sempre com o aviso de não ser qualquer um capaz de levantar, são atirados à torto e à direito: "O grande Ajaz, enquanto ele recuava, atirou-lhe uma pedra, das numerosas que havia no campo e serviam de calço para os navios." Então tá...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Espiritismo na Íliada&lt;br /&gt;Deve ser desse livro a inspiração inicial do espiritismo. Sempre tem alguém tomado por um deus, falando sem sentir, soltando altos brados, incentivando a luta: "Ares as filas troianas penetra, visando a excitá-las, sob a figura do chefe dos Trácios, o forte Acamante." Vade retro satanás.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O muro? o fosso? que raio de obra é essa?&lt;br /&gt;Onde Homero tava com a cabeça ao incluir esse raio de obra megalomaníaca no meio da guerra? Foi feito licitação? Construíram numa noite? Poseidon destruiu depois, eu sei, mas quando os troianos chegam pertos dos navios gregos no Canto XII, parece um samba do crioulo doido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Príamo o garanhão ou Príamo and sons&lt;br /&gt;Tentei várias vezes até a conta fechar, lá pelo fim do livro Homero entrega, 50 filhos, sim 50. Príamo não era um homem qualquer, era uma máquina sexual, um reprodutor; pena que o único que prestava morreu nas mãos de Aquiles; Heitor, o do penacho. É a maior mortandade de filhos de um pai só, ou é a maior união de inúteis na face da terra. Pedrada, furado por lança, espada? Chama o rabecão; menos um filho de Príamo no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Zeus dá uma rapidinha&lt;br /&gt;Sabe esses filmes de ação, onde o mundo está acabando mas o herói arruma um tempo para uma rapidinha? Tudo culpa de Homero; numa cena quentíssima, vemos Hera se banhar com ambrosia, passando na cútis um óleo divino, tudo para enganar o 'The Boss'. Zeus é claro pode perder a guerra mas não a oportunidade e...záz: "Hera, ora subamos ao leito e os prazeres do amor desfrutemos. Nunca uma deusa ou mulher fez nascer-me paixão tão violenta." Ora ele dizia isso para todas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Onde está Odisseu?&lt;br /&gt;Eu não gosto da Odisséia, na verdade não gosto de Odisseu, acho ele uma farsa. Na maior parte da Íliada ele passa no seu barco 'ferido'. Tudo bem depois tem o cavalo de Tróia, mas a gente sabe que foi um deus que soprou para ele a idéia. Espero que a Penélope não tenha esperado a sua volta com tanta parcimônia que querem nos passar, e que sim tenha aproveitado o ímpeto dos visitantes da sua casa. Essa idéia de que ela fazia de noite e desfazia de manhã é só uma vontade muito grande de que todas as mulheres sejam assim virtuosas, enquanto o homem vai pegando todas pelo caminho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agamenone mentiu para Aquiles&lt;br /&gt;Na frente de todo mundo o rei jurou que não havia tocado na escrava Briseide e diz que se estivesse mentindo que os deuses o punissem. O que acontece com ele ao fim da guerra? Desgraça, desgraça. Ou seja, mentiroso safado. Por isso Aquiles o odiava. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-1460800786656075631?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/1460800786656075631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=1460800786656075631' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1460800786656075631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/1460800786656075631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/02/idlios-escondidos-na-ilada.html' title='Idílios escondidos na Ilíada'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R8BShQtTerI/AAAAAAAAATU/KlSRKtluRZQ/s72-c/1homero.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-7441449218038610497</id><published>2008-02-17T16:03:00.000-08:00</published><updated>2008-02-17T16:04:49.586-08:00</updated><title type='text'>Mortes na Ilíada</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A guerra nunca foi tão violenta novamente. Na Ilíada a Morte caminha com passos largos. Homero descreve cada morte de maneira que até conseguimos vê-las acontecer. “Em toda a Ilíada morrem 180 troianos em combate singular, contra apenas 53 aqvivos (gregos) sendo estes quase sempre obscuros, vultos, que só aparecem pela necessidade da narrativa”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“Na crista do elmo ondulante certeira pancada lhe assesta, que fez o crânio partir-se, entrando até o cérebro a ponta zênea da lança potente”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“Enraivecido Odisseu por motivo da morte do amigo, na frente a lança lhe acerta, saindo-lhe a ponta de bronze ao lado oposto da testa”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“Mas Píroo, que o tinha ferido, saltando, junto do umbigo lhe a lança enterrou; pelo solo derramam-se os intestinos”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“Tendo Meríones saído no encalço de Féreclo exímio, fere-o do lado direito, na nádega; a ponta da lança veio sair sob o pube, depois de passar&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a bexiga”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“O valoroso Filida no encalço lhe foi, enterrando-lhe a lança aênez bem no alto da nuca, de forma que a ponta veio sair pelo meio dos dentes, cortando-lhe a língua”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“A esse, o notável Eurípilo, filho de Evémore claro; quando tentando fugir, alcançou, para um golpe atirar-lhe no ombro, com a espada cortante, cercando-lhe o braço pesado, que pelo chão foi rolando, vermelho de sangue”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“[...] o ombro do outro assentando, bem junto à clavícula, um golpe com a espada, que o apartou do pescoço e das costas”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“E tertorando, o guerreiro, de carro de bela feitura cai de cabeça, na poeira, onde o crânio, até os ombros enterra.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“[...] a espada arrancando, Diomedes o fere, violentamente, no colo, cortando-lhe os dois tendões fortes: ainda a falar, a cabeça de Tevero rolou na poeira.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“Este de um pulo, saltara de carro, querendo enfrentá-lo, mas no momento em que vinha para ele, com&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a lança ferido finca na fronte; não pôde a celada deter a aênea lança, atravessada foi logo e, assim, a osso e, por último, o cérebro, que se desfaz por completo”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“Lança-se Hipóloco ao solo, onde o Atrida o privou da existência, com duros golpes de espada, ao pescoço e os dois braços lhe corta e, para o meio da turba a rolar, longe e o tronco repele”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Para os professores que indicam: “veja o filme”, só uma pena dá. Talvez a única coisa que o filme Tróia com Brad Pitt tem de parecido com o livro são as mortes bem filmadas, o resto é pura idiotice.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ilíada, Homero, tradução de versos de Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro. Ediouro, 2001.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; s.o.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-7441449218038610497?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/7441449218038610497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=7441449218038610497' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7441449218038610497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/7441449218038610497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/02/mortes-na-ilada.html' title='Mortes na Ilíada'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-4266562507216472697</id><published>2008-02-09T07:47:00.000-08:00</published><updated>2008-02-09T10:05:26.684-08:00</updated><title type='text'>Duas vidas, dois destinos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R63MmwtTeqI/AAAAAAAAATM/oebeZZuOs8o/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165009313945844386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R63MmwtTeqI/AAAAAAAAATM/oebeZZuOs8o/s400/1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R63LigtTepI/AAAAAAAAATE/bXDh7gPs-tI/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para Ana Clara...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O nosso país é um gigante, mesmo usando só um pouco da sua força já impressiona bem, mas têm problemas indissolúveis que finge não ver e assim segue numa roda viva; o brasileiro não lê pois é caro? Ou é caro pois o brasileiro não lê? No fim só o vazio do não, um não repleto de significados dramáticos, empurra-se com a barriga, orienta-se a que todos vejam filmes: "você vai ler esse livro tão grosso? Pega o filme!".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A produção literária é parca, assim temos que buscar em outras praias histórias que poderiam ser nossas. Duas vidas, dois destinos, da americana Katherine Paterson com uma tradução maravilhosa de Ana Maria Machado é isso, na falta de algo genuinamente verde-amarelo, saboreamos o alheio, que por ser grande literatura se transforma em algo universal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A história de uma menina que mora na ilha de Rass em Cheasepeake, nos Estados Unidos, e trabalha catando ou capturando caranguejos, siris, podia ser a de qualquer brasileiro que more nas extensas áreas de mangues por aqui, mas é com essa pequena linha de Ariadne que a autora se embrenha no labirinto das diferenças sociais, das dificuldades que surgem em relacionamentos familiares. Gêmeas que nascem de maneira diferente, uma tranqüilamente e saudável a outra complicadamente e frágil, têm seus destinos traçados na maternidade, como diria Cazuza, a vida se encaminha de levá-las à direções opostas. A força de uma a leva ao trabalho, alguns dólares diários que reforçam a "lata" da mãe. A outra recebe todos os carinhos e atenções, necessários diga-se de passagem para que todos sobrevivamos, mas que nesse caso é devotado a ela por conta da sua fragilidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No seriado Malcom que passava na Record, a mãe de quatro meninos atentados diz à certa altura que se fosse necessário, num momento de extremo perigo, e ela dá o exemplo de um avião caindo, acho, ela diz que jogaria alguns filhos pela janela, pois esses conseguiriam se virar sozinhos, mas ela não mandaria um deles, não me lembro qual agora, pois ela dizia que aquele não era tão capaz quanto os outros, assim é neste livro. A natureza tão livre de Sarah Louise a leva atrás de seus sonhos, em cima de sua canoa com seu melhor amigo, mas em casa todas as atenções se voltam para sua irmã. Nessa tênue linha percebemos o quanto é difícil criar filhos quando a mesa não é farta, quandos sonhos são impossíveis e quando a balança da igualdade parece, aos olhos do filho, pender para um lado só.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A religião perpassa toda a história, a ilha toda é metodista, mas ao mesmo tempo vemos como a pequena Wheeze (apelido da nossa heroína) vai crescendo e se afastando de Deus, a quem ela acusa de não gostar dela, como os pais, pois aparentemente tudo que ela faz não tem a menor importância. Os pontos altos do livro, vários e saborosos, vão nos angustiando, como quando ela se apaixona pelo capitão Hiram Wallace, numa cena belíssima de desejo imberbe, dentro um abraço de roupas rudes; a avó quase vencida pela velhice que dispara versículos da Bíblia à esmo, como se fossem facas, tentando agredir seus próprios únicos parentes, mesmo que sem eles ela não sobreviveria (aqui uma parada, como é difícil lidar com pessoas idosas, uma realidade crua que todos em algum momento das nossas vidas vivemos); a seqüência em que a irmã é mandada para uma escola de música em Baltimore, enquanto a mãe, desesperadamente, tenta oferecer para a Wheeze um prêmio de consolação, que aliás é recusado por ela; e alguns momentos de belíssima poesia quando ela abandona tudo para se dedicar à pesca em alto-mar com o pai, a quem ela começa enfim conhecer melhor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pergunto: O que separa essa história de algo genuinamente brasileiro? Nada, acho. Isso é que faz a literatura, os fatos narrados acontecem o tempo inteiro em todos os lares, em menor ou maior grau, é claro que uma grande maioria não se transforma em livro. Uma cena inesquecível desse livro é quando nossa pequena Wheeze pergunta qual a razão de ninguém às ajudá-las, elas queriam estudar numa escola boa, e bastaria uma mão estendida na hora certa, no momento certo e tudo poderia ser diferente. Questionamento esse muito atual, logo penso nas ações afirmativas do nosso governo e é óbvio sei que não era isso que ela esperava, mas sim elas tem sua razão de ser.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fecha o livro a grande mudança na vida, proporcionada  (rufem os tambores) por ela mesma. Quem ainda acredita em mudar a vida com sorte, esperança, amor, coração, esqueça, a força como diria o Yoda está dentro de cada um nós, e se somos forte podemos resolver todos os problemas do mundo, começando é claro pelos nossos, como dizia aquele provérbio chinês.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;s.o.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5027730597709732926-4266562507216472697?l=cegafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cegafe.blogspot.com/feeds/4266562507216472697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5027730597709732926&amp;postID=4266562507216472697' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4266562507216472697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5027730597709732926/posts/default/4266562507216472697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cegafe.blogspot.com/2008/02/duas-vidas-dois-destinos.html' title='Duas vidas, dois destinos'/><author><name>Professor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13373775857533276937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R63MmwtTeqI/AAAAAAAAATM/oebeZZuOs8o/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5027730597709732926.post-4262499143669519920</id><published>2008-02-08T16:04:00.000-08:00</published><updated>2008-02-09T05:21:46.988-08:00</updated><title type='text'>“Os ausentes são sempre os culpados”</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R62ozAtTeoI/AAAAAAAAAS8/QRhlUCDZGCw/s1600-h/1Recordacaocapa.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164969941980641922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R62ozAtTeoI/AAAAAAAAAS8/QRhlUCDZGCw/s400/1Recordacaocapa.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zlHM7dGIcTs/R6zuczFbaZI/AAAAAAAAAS0/F5h-j8aghn8/s1600-h/casa.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Não sei a razão, mas em diversos momentos do Recordações da Casa dos Mortos tive a nítida impressão de incômodo. Ler hoje um livro escrito em 1861 que fala de tempos em que o autor esteve na prisão, soa estranho e leva a vários questionamentos. Estranho, pois sabemos que essas mesmas prisões foram aprimoradas (?) ainda mais pelos comunistas, é para lá que iam todos os dissidentes do regime, sendo a Sibéria o túmulo de milhares de pessoas (quando vejo jovens portando garbosas camisetas com as inscrições CCCP, me pergunto se eles sabem das vidas perdidas) . E a questão que cala também é: existe histórias sem uma vida pessoal rica em acontecimentos? Ou quem escreve o livro é o eu literário e não a pessoa em si? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Se Dostoiévski não tivesse esses quatro anos na prisão ele seria o mesmo Dostoiévski que conhecemos hoje? Na carta desesperada enviada pa
